Guia do Paris-Roubaix 2017


A rainha das clássicas, a clássicas das clássicas, o inferno do norte, o infame Paris-Roubaix celebra este domingo a sua 115ª edição.
A sua grandeza e misticismo é algo único no ciclismo mundial, que apaixona ciclistas e milhões de adeptos da modalidade. O Tour é provavelmente a única prova que concorre com o Paris-Roubaix em termos de popularidade com maior interesse mediático.
Desde 1896 que se corre a prova no norte de França, apesar de se chamar Paris-Roubaix, apartir de 1968 que a partida não sai de Paris, mas sim de uma cidade a norte da cidade Luz, Compiègne, que pertence à região de Picardie.

História

Não há prova igual a esta, é uma das mais antigas, criada em 1986, quando Théodore Vienne e Maurice Perez, que construíram o velódromo em Roubaix e propuseram ao editor da Le Vélo, Louis Minart, a realização de uma prova que começaria em Paris e terminaria no seu velódromo em Roubaix. Minart deixou a decisão final para o director da publicação, Paul Rousseau. A abordagem foi no sentido da prova ser de preparação para o Bordéus-Paris, uma das provas mais importantes dessa altura.
Paul Rousseau mostrou-se a favor da ideia e para definir o percurso, pediu ao editor de ciclismo Victor Breyer que o fizesse. Breyer foi reconhecer o percurso e chegou imundo e completamente de rastos a Roubaix, a intenção era enviar por carta uma recomendação a Minart para desistir da ideia, porém, tal não aconteceu e Breyer concordou em dar o seu aval à realização da prova. Definindo um percurso por meio de florestas, campos agrícolas e com muito pavé à mistura.
O primeiro vencedor da prova foi o alemão, Josef Fischer.
Desde daí a prova realiza-se até aos dias de hoje, apenas teve dois interregnos, durante a primeira e segunda grande guerra.

Em termos de vitórias, Roger de Vlaeminck e Tom Boonen são os recordistas com quatro vitórias. Aqui fica a lista dos mais vitoriosos:
4 - Roger De Vlaeminck, BEL
4 - Tom Boonen, BEL 
3 - Octave Lapize, FRA 
3 - Gaston Rebry, BEL 
3 - Rik Van Looy, BEL 
3 - Eddy Merckx, BEL
3 - Francesco Moser, ITA 
3 - Johan Museeuw, BEL 
3 - Fabian Cancellara, SUI

Roger de Vlaeminck, é conhecido por Monsieur Paris-Roubaix, nãosó pelas vitórias mas também pela quantidade de pódios, foram 9. Aqui fica a lista dos que fizeram mais pódios na prova:
9 - Roger De Vlaeminck, BEL
7 - Francesco Moser, ITA 
6 - Rik Van Looy, BEL 
6 - Johan Museeuw, BEL 
6 - Tom Boonen, BEL 
6 - Fabian Cancellara, SUI

A prova é francesa, mas é a Bélgica a grande dominadora da prova:
1 - Bélgica 55
2 - França 28
3 - Itália 13
4 - Holanda 5
5 - Suíça 4
6 - Irlanda 2
6 - Alemanha 2
7 - Luxemburgo 1
7 - Suécia 1
7 - Ucrânia 1
7 - Austrália 2

últimos 10 vencedores
2007 Stuart O'Grady (AUS) Team CSC
2008 Tom Boonen (BEL) Quick-Step
2009 Tom Boonen (BEL) Quick-Step
2010 Fabian Cancellara (SUI) Team Saxo Bank
2011 Johan Vansummeren (BEL) Garmin–Cervélo
2012 Tom Boonen (BEL) Omega Pharma–Quick-Step
2013 Fabian Cancellara (SUI) RadioShack–Leopard
2014 Niki Terpstra (NED) Omega Pharma–Quick-Step
2015 John Degenkolb (GER) Giant–Alpecin
2016 Matthew Hayman (AUS) Orica-GreenEdge


For some, it's only a dirt track. For us, it's the gate of hell.
Para alguns, é apenas uma percurso sujo. Para nós, é a porta do inferno.

Edição 2016

1    Mathew Hayman (Aus) Orica-GreenEdge    5:51:53    
2    Tom Boonen (Bel) Etixx - Quick-Step         
3    Ian Stannard (GBr) Team Sky         
4    Sep Vanmarcke (Bel) Team LottoNl-Jumbo         
5    Edvald Boasson Hagen (Nor) Dimension Data    0:00:03    
6    Heinrich Haussler (Aus) IAM Cycling    0:01:00    
7    Marcel Sieberg (Ger) Lotto Soudal         
8    Aleksejs Saramotins (Lat) IAM Cycling         
9    Imanol Erviti Ollo (Spa) Movistar Team    0:01:07    
10    Adrien Petit (Fra) Direct Energie    0:02:20

Percurso

Compiègne> Roubaix (257 Km)

Paris-Roubaix é sinónimo de pavé, o primeiro sector surge aos 97 quilómetros de prova e depois serão mais 29 sectores, que fazem . Todos eles são avaliados entre uma a cinco estrelas, definindo a dificuldade dos mesmos. Se o sector for avaliado com cinco estrelas significa que tem a dificuldade máxima e com uma, dificuldade mínima. A definição da dificuldade é dado pela qualidade do pavé e extensão do sector.
Entre todos os sectores, destacam-se claramente dois: a mítica floresta de Arenberg, que este ano aparece ao quilómetro 158, é o sector 18 e o Le Carrefour de l’Arbre, que está na corrida ao quilómetro 236,5, sendo o sector que pode decidir a corrida, por estar tão próximo do final.
Este ano há outro sector de com a máxima dificuldade, é o número 11, Mons-en-Pévèle, que está situado aos 208,5 Kms de prova.
Como já é habitual, o inicio da prova será nos arredores de Paris, em Compiègne e terminará num dos palcos mais míticos e importantes do ciclismo mundial, o velódromo de Roubaix.

Mapa da prova

Perfil da prova

Sectores de pavé


Startlist

Condições Atmosféricas

O Paris-Roubaix é conhecido pela chuva e lama, algumas das edições mais épicas e memoráveis foram corridas com esse tipo de condições.
Essas condições já não acontecem há algumas edições. Este ano, será marcado pelo muito Sol, com temperaturas a rondar os 20ºC. O vento irá soprar fraco.

Favoritos

Tom Boonen

Juntamente com Roger de Vlaeminck, é o recordista desta prova. Faz a sua última prova como ciclista profissional. Escolheu o Paris-Roubaix para terminar a carreira, por causa da paixão que tem pela prova e também por ser um dos ciclistas que mais marcaram a raínha das clássicas.
Se Boonen vencer o seu 5º Paris-Roubaix, na sua despedida, será um dos momentos que ficará para a história da modalidade. Era o ponto final épico, para um dos melhores de sempre.

John Degenkolb
Em 2016 não esteve presente para defender a vitória obtida em 2015. Além dessa vitória, foi 2º em 2014.
O alemão no ano que conquistou a prova, tinha sido 7º na Volta à Flandres, curiosamente este ano também terminou nesse lugar. Contudo, este ano não parece estar na forma de 2015, onde também venceu o Milão-São Remo. Não deixa de ser um dos favoritos e numa prova tão imprevisível como esta, se conseguir estar no grupo que disputará a vitória no Velódromo, então é mesmo um sério candidato a vencer pela segunda vez.

Peter Sagan
Não está a passar por uma fase positiva. Nesta temporada de clássicas da primavera, leva apenas uma vitória, na Kuurne-Bruxelles-Kuurne. 
Chega ao Paris-Roubaix depois de uma desastrosa Volta à Flandres, onde caiu na última passagem pelo Oude Kwaremont, quando perseguia Philippe Gilbert. O eslovaco certamente vai querer apagar as últimas semanas e a melhor maneira para o fazer é vencer a raínha das clássicas.
Regularmente é o mais forte, mas tem dificuldade em impôr-se, sobretudo por ser o ciclista mais marcada da atualidade neste tipo de provas.

Luke Rowe/Ian Stannard
Tem sido o elemento da Sky mais forte este ano nas clássicas de pavé, apesar de não apresentar grandes resultados, o que também diz bem dos resultados pobres da equipa neste terreno. Ian Stannard tem andado muito apagado e não mostrou absolutamente nada até aqui.
Face à incógnita que é Stannard, se tivéssemos de apostar em alguém da Sky, era em Rowe, mas também não será surpresa se Stannard esteja totalmente focado nesta prova e consiga andar pelos primeiros lugares.

Alexander Kristoff
O norueguês terá Tony Martin para o ajudar este ano e que ajuda pode ser, se nos lembrarmos o que fez o alemão no ano passado. 
Kristoff tem uma desvantagem, ninguém vai querer chegar com ele ao velódromo, é um dos melhores sprinters, principalmente ao fim de esforços longos. Por essa razão, terá de ter ajuda da sua equipa para o proteger e colocar bem na entrada dos sectores de pavé, para poder responder aos ataques e não ser apanhado desprevenido.

Niki Terpstra/Zdenek Stybar
Ao contrário de outros, Terpstra é um ciclista que para ganhar terá de chegar isolado. O holandês venceu a prova em 2014 dessa maneira. Foi 3º na Volta à Flandres, beneficiou da queda de Sagan, Van Avermaet e Naesen, mas não se pode retirar o mérito, fez 20 Kms finais muito bons.
Stybar é outro dos homens da Etixx-Quickstep, que podem lutar pela vitória. Em 2015, foi 2º classificado, batido por Degenkolb no velódrome.
Porém, a Quick-Step Floors já definiu que o líder é Tom Boonen e toda a equipa irá apoiar o belga para que este chegue à quinta vitória na prova.

Matthew Hayman
Foi autor de uma das maiores surpresas da história da prova. O australiano chega este ano, conforme chegou no ano passado, ou seja, longe de ser considerado um dos principais favoritos. 
Em teoria nem sequer é a principal aposta da equipa, mas Hayman tem a favor a experiência que mais ninguém tem, será a 16ª participação no Inferno do Norte.

Luke Durbridge
Está num excelente momento e tem confirmado isso mesmo na estrada, foi 12º na Volta à Flandres, 4º na Dwars door Vlaanderen e na E3 Harelbeke. 
A Orica-Scott além de Durbridge, tem o vencedor do ano passado, Hayman e também Keukeleire, num conjunto bastante forte, com bastante opções.

Oliver Naesen
Está a ser a confirmação de um dos maiores talentos belgas para o empedrado. Na Volta à Flandres estava na discussão da corrida, quando se encontrava na roda de Van Avermaet e Sagan e viu-se envolvido na queda do eslovaco, que arruinou a sua prova.
Está num grande momento e sobretudo tem sido muito consistente, estando quase sempre nos dez primeiros nas provas de pavé desta primavera.

Arnaud Dèmare
O francês apresenta-se como a principal esperança francesa. Esteve fenomenal no Paris-Nice, mas apartir daí não obteve grandes resultados. Apesar de tudo, acreditamos que é um nome a seguir e que esteja totalmente focado na raínha das clássicas. Na Volta à Flandres esteve bem até a 50 Kms da meta, sempre bem posicionado e foi um dos que esteve no grupo seletivo que se produziu no Kapelmuur. Mas depois, quebrou muito, mas o Paris-Roubaix é uma prova diferente e mais adequada a ciclistas com as características de Dèmare.
O ciclista da FDJ nunca escondeu que um dos seus grandes sonhos é um dia vencer o Paris-Roubaix.

Greg Van Avermaet
Juntamente com Philippe Gilbert, têm sido os ciclistas mais em foco da temporada da primavera até ao momento. Venceu nada mais nada menos do que três clássicas, Omloop, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem. Foi segundo na Volta à Flandres, prejudicado pela queda que o envolveu, a Sagan e Naesen. 
Curiosamente, o campeão olímpico, com 31 anos ainda não venceu qualquer monumento.

Portugueses
Os dois protugueses que estarão presentes fazem parte da mesma equipa, Movistar. 
Nélson Oliveira, foi 18º na Volta à Flandres, está nitidamente em boa forma. No entanto das três participações anteriores, nunca conseguiu um bom resultado, esperamos que este ano consiga fazer algo semelhante ao que fez na Flandres. 
Nuno Bico, estará na prova francesa para aprender e para apoiar ao máximo a equipa. É uma oportunidade única para o jovem ciclista, para estar numa das provas mais icónicas no mundo.


***** Peter Sagan
**** Greg Van Avermaet, John Degenkolb, Tom Boonen
*** Niki Terpstra, Oliver Naesen, Alexander Kristoff
** Luke Rowe, Arnaud Dèmare, Luke Durbridge, Zdenek Stybar
* Edvald Boasson Hagen, Jurgen Roelandts, Jasper Stuyven, Ian Stannard, Matteo Trentin, Lars Boom

A nossa aposta: Peter Sagan
Outsider: Oliver Naesen

Seguir em directo: RTP3, Eurosport 1, #RideinHell, #ParisRoubaix, @Paris_Roubaix@radiotour_en


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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