Guia Milão-São Remo 2017


Este sábado, disputa-se o primeiro monumento da temporada 2017. A 'clássica da primavera', que também conhecida por Classicissima, é um dos dois monumentos que se corre em Itália, o outro é curiosamente o último da época, o Giro da Lombardia.
Como qualquer um dos cinco monumentos, é uma prova apaixonante, com muitas histórias épicas que fazem com que esta clássica lendária seja uma das mais desejadas por qualquer ciclista. É a prova mais longa do ciclismo profissional, com perto de 300 quilómetros, sendo que se acrescentarmos a distância que a corrida é neutralizada em Milão, a prova conta mesmo com os 300 quilómetros.
Este ano a meta volta para a Via Roma em São Remo, foi nesta avenida que Eddy Merckx venceu todas as sete edições que conta no currículo.
Será a 108ª edição em 110 anos de existência, Eddy Merckx é o recordista, com sete vitórias, seguido de seis vitórias de Constante Girardengo, quatro de Gino Bartali e Erik Zabel e três de Fausto Coppi, de Roger de Vlaeminck e Óscar Freire.
A Itália é o país com mais triunfos, 50 no total, seguido da Bélgica com 20 e a França fecha o pódio com 13.
Também conhecida como a 'clássica dos sprinters' e o palmarés prova o porquê dessa alcunha. Será que este ano os especialistas das clássicas conseguirão bater os sprinters?

História
últimos 10 vencedores
2007 Óscar Freire (ESP) Rabobank
2008 Fabian Cancellara (SUI) Team CSC
2009 Mark Cavendish (GBR) Team Columbia–High Road
2010 Óscar Freire (ESP) Rabobank
2011 Matthew Goss (AUS) HTC–Highroad
2012 Simon Gerrans (AUS) GreenEDGE
2013 Gerald Ciolek (GER) MTN–Qhubeka
2014 Alexander Kristoff (NOR) Team Katusha
2015 John Degenkolb (GER) Giant–Alpecin
2016 Arnaud Dèmare (FRA) FDJ

Top-10 2016
1    Arnaud Demare (Fra) FDJ    6:54:45    
2    Ben Swift (GBr) Team Sky         
3    Jurgen Roelandts (Bel) Lotto Soudal         
4    Nacer Bouhanni (Fra) Cofidis, Solutions Credits         
5    Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team         
6    Alexander Kristoff (Nor) Team Katusha         
7    Heinrich Haussler (Aus) IAM Cycling         
8    Filippo Pozzato (Ita) Southeast - Venezuela         
9    Sonny Colbrelli (Ita) Bardiani CSF         
10    Matteo Trentin (Ita) Etixx - Quick-Step

Curiosidades em números 
7: maior número de vitórias, por Eddy Merckx.
6: o número de vitórias do segundo mais vitorioso,Costante Girardengo.
4: o número de vitórias dos terceiros mais vitoriosos, Erik Zabel e Gino Bartali
5: o número de edições vencidas por um ciclista que vestia a camisola de campeão do mundo: Alfredo Binda (1931), Eddy Merckx (1972, 1975), Felice Gimondi (1974) e Giuseppe Saronni (1983)
5.46: tempo mais rápido da subida do Poggio, por Giorgio Furlan em 1994.
9.36: tempo mais rápido da subida da Cipressa, por Francesco Casagrande em 2001.
16: é o número de estreantes que venceram na estreia – o último foi Cavendish em 2009.
20: idade do vencedor mais jovem, Ugo Agostini na edição de 1914.
23: número de curvas da descida do Poggio.
36: idade do vencedor mais velho, Andre Tchmil na edição de 1999.
44: número de corredores que venceram isolados.
45.806: velocidade média (Km/h) mais alta numa edição, por Bugno em 1990.
50: número de edições ganha por italianos (os belgas surgem em segundo com 20).
107: número de edições até 2017.
200: participantes; 25 equipas com 8 ciclistas cada uma.
300: número de quilómetros se a zona neutralizada contasse.
1907: ano da edição inaugural, o vencedor foi: Lucien Petit-Breton (France & Peugeot).
1960: ano em que a subida ao Poggio foi introduzida no percurso.
1982: ano em que a subida a Cipressa foi introduzida no percurso.
2008: último ano em que um corredor venceu isolado, o autor da proeza foi Fabian Cancellara.
20000: será o prémio em Euros, para o vencedor da prova em 2017.

Percurso
Milão - São Remo (via Roma), (291 Kms)

O percurso da Classicissima pouco mudou nos últimos anos, 291 quilómetros de extensão, com as dificuldades a aparecerem na parte final, com pano de fundo, a vista para o mar, perto de San Remo, a subida ao Cipressa e Poggio.
A meio há o passo del Turchino, mas que habitualmente não causa grande impacto no pelotão. A extensão e a parte final fazem a seleção, o vencedor terá de ser um ciclista suficientemente resistente e se acabar num sprint, também terá de ter uma explosão final para bater os adversários.
Na parte final, as dificuldades aparecem aos 239,6 (Capo Mele), 244,7 (Capo Cervo) e 252,6 Kms (Capo Berta). Depois aparece a Cipressa, ondese começa a fazer a selecção a sério, são 5,6 Kms com 4% de inclinação média, com uma rampa a 9%.
O topo do Cipressa fica a cerca de 20 Kms da meta, os ciclistas descem então e têm uma zona plana até ao inicio da subida do Poggio, que só é complicado porque encontra-se bem no final e o cansaço acumulado já pesa nas pernas. São 3,7 de comprimento a 3,7% de inclinação média, com uma rampa a 8%.
A linha de meta em São Remo, situa-se na famosa Via Roma, que já se tornou emblemática na história do ciclismo.




Meteorologia

As condições meteorológicas são um dos factores mais importantes numa corrida de ciclismo e isso ainda é mais acentuado nas clássicas.
As condições em 2013, 2014 e 2015 foram complicadas, com muito frio e chuva. No entanto, esta prova costuma ter um tempo mais agradável com as clássicas do norte da Europa.
Este ano espera-se bom tempo, pouco nublado e temperaturas a variarem entre os 15 e 18ºC. O vento soprará fraco de Sudoeste no interior. Na costa soprará também fraco de Sul e Sudeste.

Startlist
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Favoritos
10 nomes a seguir
John Degenkolb
Venceu a prova em 2015 e infelizmente no ano passado não pôde defender devido à grave queda no estágio em Espanha. Este ano já venceu uma etapa e tem estado na luta dos sprinters.
Dos velocistas é dos que melhor consegue produzir um sprint forte ao fim de uma longa jornada, pro essa razão, é um dos grandes favoritos.

Peter Sagan
É a grande estrela do ciclismo atualmente. Atual campeão do mundo, capaz de vencer nas clássicas e num sprint em pelotão compacto, é sem dúvida nenhuma o ciclista mais vigiado do pelotão.
É a nossa aposta para vencer, porque acreditamos que pode fazer a diferença no Poggio e também pelo excelente inicio de temporada, que demonstra estar em forma.

Alexander Kristoff
Vencedor em 2014 e segundo classificado atrás de Degenkolb na edição de 2015,  o norueguês volta a ser um dos grandes favoritos este ano.
Em 2017 já obteve algumas vitórias e tem estado na disputa nas chegadas em pelotão compacto. Tal como Degenkolb é dos que melhor consegue sprintar depois de um dia longo em cima da bicicleta.

Greg Van Avermaet
Passou anos a ser conhecido como o eterno segundo classificado. Depois de em 2016 ter sido campeão Olímpico e ter conseguido várias vitórias importantes, o belga deixou em definitivo o rótulo de eterno segundo. 
Este ano já venceu na Omloop, ao bater novamente Peter Sagan. Na nossa opinião é dos que irá atacar no Poggio, só assim pode ganhar, já que numa chegada em pelotão compacto, poucas hipóteses terá.

Michael Matthews
Foi terceiro classificado em 2015. É um bom finalizador e é dos que passa melhor as subidas de entre os velocistas. No Paris-Nice mostrou-se bem e a caminho da boa forma, tendo em vista precisamente o Milão.São Remo.

Nacer Bouhanni
No ano passado teve a sua grande oportunidade, mas um problema na bicicleta nos últimos metros, não lhe permitiu lutar até ao fim.
Acaba de ganhar a Nokere Koerse, no entanto foi contra uma concorrência de menor nomeada. Não tem sido um inicio de temporada fácil para Bouhanni, que não tem estado muito bem.

Sonny Colbrelli
Venceu uma etapa no Paris-Nice, batendo John Degenkolb. O italiano também tem resultados interessantes no Milão-São Remo, em  quatro participações tem dois top-10 e ficou sempre no top-20. A Bahrain-Merida também terá Bonifazio na equipa, que pode ser uma ajuda, ou então será a alternativa caso Colbrelli não conseguir estar na discussão.

Arnaud Dèmare
Vencedor da última edição e mostrou no Paris-Nice que é sem dúvida um dos grandes favoritos a repetir a proeza. O francês atravessa um momento de forma muito bom, mas será ele capaz de vencer este ano, perante uma concorrência mais forte que a do ano passado? Se o fizer, afastará as dúvidas que ainda hoje pairam no ar, já que Dèmare em 2016 beneficiou de vários percalços de outros favoritos.
Fernando Gavíria 
O fenómeno colombiano era considerado até à poucos dias, um dos grandes favoritos, até que na preparação da prova ele caiu, não se sabendo se estará a 100%. A sua capacidade de sprintar em qualquer circunstancias é notável. No ano passado, poderia ter estado na discussão da vitória, não tivesse cometido um erro mesmo no final, que lhe valeu uma queda.

Mark Cavendish
Não acreditamos que Cavendish esteja na discussão. Provavelmente acontecerá como nos últimos anos, onde fica para trás no Poggio ou Cipressa. No entanto, se por acaso conseguir passar com o pelotão da frente, apartir daí, o britânico torna-se num dos grandes favoritos.
Recordar que já venceu a prova, em 2009.

***** Peter Sagan, Fernando Gavíria
**** John Degenkolb, Arnaud Dèmare, Alexander Kristoff
*** Nacer Bouhanni, Sonny Colbrelli, Michael Matthews
** Edvald Boasson Hagen, Ben Swift, Mark Cavendish, Michal Kwiatkowski, Jurgen Roelandts
* Elia Viviani, Juan Jose Lobato, Niccolo Bonifazio, Tom Boonen

A nossa aposta: Peter Sagan
Outsider: Arnaud Démare

Seguir em direto: Eurosport 2 (apartir das 13.15 hora PT), #MilanoSanremo, #MSR, @Milano Sanremo

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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