Qual o futuro dos travões de disco no ciclismo profissional?

Tom Boonen com a sua Specialized Venge com travões de disco (Foto de Tim De Waele)
A polémica sobre o uso de travões de disco continua a marcar a agenda do ciclismo profissional. Antes da última etapa do Abu Dhabi Tour, Nairo Quintana revelou a sua opinião sobre este assunto e foi bem contundente.
Para começar, eles (travões a disco) não travam assim tão bem! Tu ouves as bicicletas dos outros ciclistas no pelotão, quando o travão toca no rotor. Isso é uma coisa. A segunda, torna a bicicleta menos aerodinâmica. Terceira, são bem mais pesados. Por último, há o perigo que eles causam se no pelotão haverem 100 ciclistas com eles. Eles são bons para o cicloturismo ou para quem vai para uma volta de bicicleta com dois ou três colegas, mas uma prova de ciclismo profissional é outra coisa.
O colombiano ainda vai mais longe, ao abordar os travões que atualmente se utilizam.
Não há qualquer problema com os travões que actualmente utilizamos. Eles funcionam bem, ninguém se queixou deles. Eles são mais leves e tu tens muito melhor controlo!
Quintana, também deu o exemplo do actual fornecedor de bicicletas da sua equipa, a Canyon, que tem um modelo com travões de disco.
A nossa marca de bicicletas (Canyon) tem um modelo com travões de disco. Mas na minha opinião, não o devemos usar.
Depois do incidente com Owain Doull na 1ª etapa do Abu Dhabi, vários ciclistas nas redes sociais mostraram-se contra a utilização em corrida de travões de disco.



Depois deste incidente, Marcel Kittel, não usou mais a bicicleta com travões de disco. A UCI ainda não apurou se o que causou o corte no sapato de Owain Doull foi mesmo o disco de travão da bicicleta de Kittel. Existem algumas dúvidas.
No ano passado no Paris-Roubaix, a causa de um corte profundo na perna de Fran Ventoso foi atribuída aos discos de travão. Mais tarde descobriu-se que os discos de travão estavam inocentes!

A CPA (Associação de ciclistas profissionais) também se mostra muito critica sobre a utilização de travões de disco. O seu representante, o ciclista Adam Hansen, acusa diretamente a Specialized de pressionar o uso dos mesmos.
Acredito e esta é apenas a minha opinião, a Specialized está a pressionar o seu uso. Tom Boonen era contra o uso de travões de disco no ano passado, agora vai-se retirar este ano e já os adora. Nós temos bicicletas com travões de disco que podemos usar, mas nenhum de nós quer. As outras equipas tiveram a opção de usar travões de disco, mas ninguém quis. Não quero estar aqui a acusar ninguém, mas só os corredores da Specialized é que usam."
Hansen, afirma claramente que a CPA votou contra o uso dos travões de disco na reunião que a UCI realizou para falar sobre este tema.
Este tema discutimos na CPA, já que se algum acidente acontecer, tornamo-nos responsáveis. Se reparar no que os ciclistas dizem, nós somos contra o uso deles, a UCI mesmo assim permitiu e o que acontecerá se uma lesão grave acontecer? Quem é o responsável pelo acidente? Não pode ser o Kittel, de certeza. Mas se a UCI acha que é seguro e depois prova-se que não são, para mim, parece-me claro que o responsável é a UCI.
Hansen também quis deixar claro que não é contra o uso dos travões de discos, desde que haja garantia da sua segurança.
Não é que nós não queiramos os travões de disco ou qualquer melhoria nas bicicletas. Só queremos que ponham algo que proteja o disco e estaremos todos felizes.
A polémica parece que está para durar. Com a batalha de palavras entre os fabricantes de bicicletas e ciclistas a aquecer, a UCI está no meio e cabe a eles decidirem.



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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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