O 'novo' calendário do World Tour em 2017


A UCI em agosto, revelou como será o calendário 2017, da principal divisão do ciclismo mundial. O World Tour irá contar com as mesmas provas de 2016 e mais 11 provas que sobem de escalão. Ao todo serão 37 provas, num calendário muito preenchido, que vai desde janeiro, até final de setembro.
A época do ano mais preenchida pelas novas provas, é entre janeiro e março. O Tour Down Under deixa de ser a primeira prova WT do ano e passa a ser outra prova australiana a ter essa honra, a Cadel Evans Great Ocean Road Race.
Destaque também para a inclusão de duas provas na península Arábica, o Tour of Qatar e o Abu Dhabi Tour. A inclusão da Volta à Califórnia também merece um destaque especial, é um marco, porque o WT chega aos Estados Unidos, país que curiosamente tem diversas equipas com licença WT e com alguns dos melhores ciclistas das últimas décadas.

2017 UCI WorldTour calendário:
- 9 janeiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
- 17-22 janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
- 6-10 fevereiro: Tour of Qatar (Qatar)
- 23-26 fevereiro: Abu Dhabi Tour (Emirados Árabes Unidos)
- 25 fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad (Bélgica)
- 4 março: Strade Bianche (Itália)
- 5-12 março: Paris-Nice (França)
- 8-14 março: Tirreno-Adriatico (Itália)
- 18 março: Milano-Sanremo (Itália)
- 22 março: Dwars Door Vlaanderen / A travers la Flandre (Bélgica)
- 20-26 março: Volta Ciclista a Catalunya (Espanha)
- 24 março: Record Bank E3 Harelbeke (Bélgica)
- 26 março: Gent-Wevelgem in Flanders Fields (Bélgica)
- 2 abril: Ronde van Vlaanderen / Tour des Flandres (Bélgica)
- 3-8 abril: Vuelta al País Vasco (Espanha)
- 9 abril: Paris-Roubaix (França)
- 16 abril: Amstel Gold Race (Holanda)
- 18-23 abril: Presidential Cycling Tour of Turkey (Turquia)
- 19 abril: La Flèche Wallonne (Bélgica)
- 23 abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
- 25-30 abril: Tour de Romandie (Suiça)
- 1 maio: Eschborn-Frankfurt « Rund um den Finanzplatz » (Alemanha)
- 14-21 maio: Amgen Tour of California (Estados Unidos)
- 6-28 maio: Giro d’Italia (Itália)
- 4-11 junho: Critérium du Dauphiné (França)
- 10-18 junho: Tour de Suisse (Suiça)
- 1-23 julho: Tour de France (França)
- 29 julho: Clásica Ciclista San Sebastian (Espanha)
- 29 julho - 4 agosto: Tour de Pologne (Polónia)
- 30 julho: Prudential Ride London-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
- 7-13 agosto: Eneco Tour (Benelux)
- 19 agosto -10 setembro: Vuelta a España (Espanha)
- 20 agosto: Cyclassics Hamburg (Alemanha)
- 27 agosto: Bretagne Classic – Ouest-France (França)
- 8 setembro: Grand Prix Cycliste de Québec (Canadá)
- 10 setembro: Grand Prix Cycliste de Montréal (Canadá)
- 30 setembro: Il Lombardia (Itália)

Em relação às novas provas aqui fica a nossa apreciação individual de cada uma.

Novas provas WT:
- 9 janeiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
Esta prova de um dia australiana, teve a sua primeira edição recentemente em 2015 com a finalidade de comemorar um dos melhores ciclistas australianos de sempre, Cadel Evans.
Na nossa opinião, não entendemos como é que fará parte do World Tour e por exemplo clássicas como o Paris-Tours, com infinitamente mais história e pedigree não fazem parte. Todos já entendemos que uma das finalidades da UCI é expandir o desporto além da Europa, porém existem limites e deve ser aplicado o bom senso. 

- 6-10 fevereiro: Tour of Qatar (Qatar)
Os mundiais que neste momento estão a decorrer provam uma coisa: pouca gente que vive no Qatar se interessa pelo ciclismo.
Sem montanhas, o Qatar oferece aos espectadores de ciclismo um espectáculo pobre, onde o factor que mais pode animar a corrida é o vento. Todos sabem porque é que o Tour of Qatar subiu de nível, o dinheiro falou mais alto e Brian Cookson não podia deixar de perder a oportunidade de encher os cofres.
Os adeptos de ciclismo dispensavam este tipo de decisões.

- 23-26 fevereiro: Abu Dhabi Tour (Emirados Árabes Unidos)
De todas as provas na península Arábica, o Tour do Oman é aquela mais variada e com maior potencial em termos de espectáculo e curiosamente nem sequer foi considerada para o World Tour. O Abu Dhabi ainda consegue ter alguma montanha, pelo menos mais do que o Qatar.
No entanto, o World Tour deveria ser o topo dos topos, as melhores provas deveriam estar e o que se assiste com a inclusão deste tipo de prova é a banalização do World Tour.

- 25 fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad (Bélgica)
Umas provas que já deveriam ser World Tour há muito tempo. Abre a temporada das clássicas da primavera na Bélgica e proporcionam ao adepto de ciclismo enormes espectáculos de ciclismo.
A atmosfera típica da Flandres e a paixão pela modalidade fazem com que a Omloop sejam uma das provas que justamente sobem de escalão.

- 4 março: Strade Bianche (Itália)
Apesar de ser relativamente recente, esta clássica italiana tornou-se num autêntico fenómeno de popularidade. Os sectores de terra batida da Toscânia, que em Itália se chamam sterrato, além das paisagens de fazer cair o queixo e a chegada à bela cidade Siena, fazem desta prova uma das mais icónicas do ciclismo moderno.
Em 2016, Fabian Cancellara, na sua última temporada como profissional, venceu pela 3ª vez a prova e desta forma terá um sector de sterrato com o seu nome.
Na nossa opinião, a subida de escalão é um acto de justiça inquestionável.

- 22 março: Dwars Door Vlaanderen / A travers la Flandre (Bélgica)
Apesar de ser uma prova com alguma tradição, com 71 edições já disputadas, temos sérias dúvidas se merece a categoria WT. Costuma dar o inicio à semana mais importante do ciclismo da Flandres, antecedendo-se à Gent-Wevelgem, aos 3 dias de Panne e à Volta à Flandres.
O calendário WT já está recheado de provas belgas, com a Dwars Door Vlaanderen serão no total, sete.

- 18-23 abril: Presidential Cycling Tour of Turkey (Turquia)
Apesar de ser recente, a prova tem apresentado algumas boas edições. Se justifica a classificação máxima? Não nos parece, mais uma vez, achamos que tornar a Volta à Turquia uma prova WT, é banalizar a categoria máxima de ciclismo.
Além do plano desportivo, convém também relembrar os conturbados tempos que se vivem na Turquia em termos políticos. 

- 1 maio: Eschborn-Frankfurt « Rund um den Finanzplatz » (Alemanha)
Prova de um dia alemã, que se junta à Cyclassics de Hamburgo no World Tour como as únicas realizadas em solo alemão. 
De todas as novas provas não é daquelas que mais escandaliza a sua presença. Mas por exemplo, será que o Paris-Tours não merecia muito mais estar no escalão máximo?

- 14-21 maio: Amgen Tour of California (Estados Unidos)
Finalmente os Estados Unidos acolherão uma prova do World Tour, esta subida estava adiada devido à importância que a mesma tinha para as equipas Continentais americanas, que agora terão mais dificuldades a entrar na corrida. A prova tem proporcionado bons momentos de ciclismo e era mais que lógico a passagem para World Tour.
Um dos pontos negativos, é a sua localização no calendário, já que se disputará durante o Giro.

- 30 julho: Prudential RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
Mais uma daquelas provas que não se entende o que estará a fazer no World Tour. Não tem história, estatuto e carisma para estar ao lado das mais importantes clássicas do ciclismo mundial.
É a banalização da categoria máxima do ciclismo.

Provas que deviam ter sido consideradas:
- Paris-Tours, a clássica dos sprinters, uma das mais importantes que se realiza em solo francês, com muito pedigree, carisma e história. Há muito tempo que merecia ser World Tour.
- Milão-Turim, a clássica mais antiga do ciclismo, com uma chegada na lendária subida para a Basilica de Superga. Nos últimos anos renasceu e está a recuperar a importância de outros tempos.
- Giro dell'Emilia, uma das clássicas mais espectaculares do calendário italiano. A icónica chegada a Madonna de San Luca é uma das imagens de marca do ciclismo italiano.
- Kuurne-Bruxelles-Kuurne, uma clássica belga com muita história, se a Dwars Door Vlaanderen merece ser WT, esta também.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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