Rescaldo da Vuelta a España 2017



Com o final da Vuelta, a temporada para alguns termina aqui, enquanto que outros ainda farão algumas provas. Quem não voltará a pedalar profissionalmente, é Alberto Contador, que teve a merecida homenagem na maior prova do seu país, uma despedida marcada por três semanas onde o espanhol teve direito a multidões, que queriam estar com o seu ídolo. Apesar de ter terminado no 5º lugar da geral, deu espetáculo, atacou quando pôde e foram muitas as vezes e acabou por ter a recompensa, venceu a etapa no mítico Angliru, despedindo-se da melhor forma. 

Chris Froome depois de em 2016 ter perdido a Vuelta para Quintana, entrou em 2017 decidido a vencê-la. Para isso, programou o pico de forma de forma diferente de anos anteriores, onde o foco era total no Tour.
No Tour não esteve demolidor, mas chegou e sobrou para vencer a prova. Chegou à Vuelta como principal favorito e com uma super-equipa que etapa após etapa o apoiou na perfeição. Foi com naturalidade que acabou por conquistar a Vuelta. Apenas teve um dia mau, na chegada aos Los Machucos, mas mais uma vez tinha a sua equipa a seu lado. 
Acaba por realizar um feito histórico, vencer duas grandes voltas consecutivas no mesmo ano, desde Marco Pantani, que ninguém o conseguia. E desde que a Vuelta está colocada nesta altura no calendário, é o primeiro a vencer Tour e Vuelta no mesmo ano.

O principal adversário, como se suspeitava no inicio da prova foi, Vincenzo Nibali. O italiano venceu o primeiro round na 3ª etapa, depois de recuperar na descida e ter batido toda a gente no último quilómetro. Mas onde ele perdeu tempo, foi nas etapas com chegadas explosivas, onde esteve sempre longe de Froome. No contrarrelógio defendeu-se bem e nos Los Machucos conseguiu ganhar tempo, mas foi apenas uma exceção, já que nos dias seguintes, Froome e a Sky controlaram a corrida como quiseram.

Froome, Nibali e Contador foram os atores principais desta Vuelta. Ilnur Zakarin, Wilco Kelderman, Miguel Angel Lopez, Michael Woods e Esteban Chaves, foram aqueles que mais se aproximaram das três grandes figuras da prova.
Esteban Chaves foi o primeiro grande adversário de Froome, mas ao longo da Vuelta foi fraquejando, acabando mesmo fora do top-10, foi 11º. Ilnur Zakarin ao contrário de Chaves começou menos bem, mas terminou muito forte, conseguido o primeiro pódio numa grande volta da carreira.
Wilco Kelderman por sua vez, foi regular ao longo da prova, fez um excelente contrarrelógio, limitou-se a seguir rodas e beneficiou da perda de tempo de Contador na última etapa, que o fez subir de 5º para 4º lugar. Diga-se também que a Sunweb expulsou Warren Barguil, que tinha realizado um Tour extraordinário, tudo porque o francês questionou a liderança de Kelderman e queria ter liberdade. 
Miguel Angel Lopez venceu duas etapas de forma brilhante. No entanto, não realizou um bom inicio de Vuelta e também não esteve muito forte na 3ª semana, mesmo assim, terminou no 8º lugar. Perante o descalabro de Fabio Aru na última etapa de montanha, foi o melhor da Astana.
A Cannondale-Drapac durante a Vuelta recebeu uma péssima noticia, a equipa estava em sérios riscos de desaparecer (felizmente já se sabe que a equipa continuará no pelotão). Michael Woods tem-se mostrado cada vez um ciclista a ter em conta, até esta Vuelta, era visto apenas como um puncheur, agora provou que já é mais do que isso. É um dos ciclistas a ter de baixo de olho nas próximas grandes voltas, a sua evolução pode ser interessante.

A Vuelta não é conhecida por ser muito amigável para os sprinters e este ano não foi diferente. No entanto houve um velocista que brilhou mais que os outros. Matteo Trentin venceu quatro etapas, dominando as chegadas ao sprint e realizando uma grande volta de sonho.

Outros destaques:
Fabio Aru, mais uma vez fraquejou na última etapa de montanha, num dia de chuva, será só coincidência?
Rui Costa, ainda tentou algumas vezes, mas o melhor que fez foi um 4º lugar de etapa. Foi uma desilusão.
Wout Poels, não foi o principal gregário de Froome, essa função ficou dividida entre Mikel Nieve e Gianni Moscon. Realizou uma boa prova, ajudou o seu líder em algumas ocasiões e teve liberdade de tentar fazer o melhor possível para a classificação geral. Acabou em 6º.
Tomasz Marczynski venceu duas etapas, onde esteve em fuga. A Lotto-Soudal venceu quatro vitórias de etapa, salvando um pouco a temporada. Thomas de Gendt e Sander Armée, conquistaram as outras duas. 
Steven Kruijswijk e Tejay Van Garderen fecharam o top-10. O holandês realizou uma boa 3ª semana.
Movistar, sem Nairo Quintana e Alejandro Valverde, a equipa tinha, Marc Soler, Daniel Moreno e Ruben Fernandez para a geral. Nenhum deles conseguiu um lugar relevante, Fernandez abandonou mesmo, passou completamente ao lado da prova. A equipa espanhola, não venceu qualquer etapa, não colocou ninguém no top-10 e ficou em 2º na classificação coletiva. A palavra que melhor descreve a Movistar, na Vuelta (que é a de 'casa) é, desastre.
Louis Mentjes foi o ninja, alguém o viu em prova? De certeza que o viram, normalmente era sempre ele que fechava o grupo principal, quando alguém ficava para trás, ele passava-o e encostava na roda do penúltimo . Sim, era esse rapaz. Se alguém já o viu realizar um ataque, que envie a prova, de preferência em vídeo.
- Thomas de Gendt venceu uma etapa, depois de ter sido 'roubado' no Tour, no prémio da combatividade, teve o seu merecido prémio. Se há ciclista que merece ganhar muitas vezes, é ele.
- Los Muchachos, uma subida devastadora, que ficará já na história, foi ali que Froome passou mal nesta Vuelta. Certamente estará presente no percurso no futuro.
- Os espanhóis ganharam apenas uma etapa, no mítico Angliru por Alberto Contador, que salvou a face do país vizinho. Não foi uma Vuelta particularmente boa para o ciclismo espanhol.


Melhor etapa - Los Muchacos - A decisão tinha de ser entre o Angliru e os Muchachos, ganhou esta última. Teve um pouco de tudo, a fuga venceu, com Stefan Denifl a dar a vitória à Aqua Blue, que nesta Vuelta viu o seu autocarro ser queimado. Contador atacou e foi o mais forte no grupo dos favoritos, por pouco que não chegou a Denifl. Chris Froome fraquejou e pode agradecer à sua equipa o ter apoiado de forma perfeita, podia ter perdido mais tempo daquele que perdeu;
Melhor equipa - Team Sky - Controlou por completo a prova;
Melhor trepador - Alberto Contador - Terminou a Vuelta a voar na montanha. Teve um dia muito mau na etapa de Andorra que o fez perder muito tempo.
Melhor sprinter - Matteo Trentin - Não há dúvidas, ganhou 4 etapas.
Melhor gregário - Gianni Moscon - Quem diria que um ciclista que há uns meses fez top-10 no Paris-Roubaix, iria andar a descarregar trepadores na Vuelta?
Desilusão - Orica - Aqui optamos por escolher uma equipa. Esteban Chaves começou bem, parecia ser o grande rival de Froome, mas rebentou e acabou fora do top-10. Os irmãos Yates estiveram muito longe daquilo que podem fazer;
Revelação - Michael Woods - Já se sabia que era um ciclista de enorme qualidade. A dúvida era se aguentaria 3 semanas a grande nível;
Combativo - Alberto Contador - Perdemos a conta do número de ataques que fez nesta Vuelta. O ciclismo vai sentir a sua falta;
Melhor momento - Vitória de Contador no Angliru;
Pior momento - Expulsão de Warren Barguil;
Momento decisivo - Demonstração de força de Froome na 18ª etapa, chegada a Santo Toribio de Liébana - O britânico tinha perdido mais de 40 segundos na etapa anterior nos Los Muchacos, mas a resposta não se fez esperar. Nesta etapa recuperou metade do tempo perdido no dia anterior e apenas Woods e Contador aguentaram Froome;

Estes foram foram os nossos destaque da 72ª edição da Vuelta. 

Hasta la vista!


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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