Fim de semana louco na Vuelta



Esperava-se muito espectáculo neste último fim de semana na Vuelta, mas o que ninguém contava, é que teríamos dois dias seguidos de ciclismo épico.
Duas etapas que ficam para a história da modalidade, principalmente a de domingo. Alberto Contador mais uma vez mostrou que mesmo não estando no seu melhor, é capaz de mudar por completo uma corrida, aumentado mais a sua lenda.

O duelo Quintana vs Froome no Aubisque
Quintana partia para a etapa raínha que terminava no Aubisque com 54 segundos de vantagem sobre Froome. Isto queria dizer que necessitava de ganhar tempo ao britânico, porque no contrarelógio, é provável que essa vantagem não seja suficiente.
A Movistar mexe logo no inicio da tirada, lançando 3 homens para a fuga, Dani Moreno, Rúben Fernandez e Joaquin Rojas, obrigando a Sky a trabalhar.
Há entrada do Aubisque, Quintana ataca, mas Froome não, ao longo da subida, os dois íam ficando sozinhos e os constantes ataques o colombiano foram inconsequentes. Quando os dois ficaram isolados e tão concentrados no duelo, que Chaves e Konig passaram por eles e os dois nem quiseram saber.
No final, deu empate técnico, com Froome a conseguir o seu objectivo, não perder tempo para Quintana. 

A vitória de Gesink
Robert Gesink é um dos ciclistas mais azarados do pelotão internacional. Este ano partiu esta Vuelta com o objectivo de trabalhar para Kruijswijk, mas o azar desta vez calhou  ao seu líder, que foi obrigado a abandonar. Isto fez com que Gesink se concentrasse nas vitórias de etapa. Nos lagos apenas foi batido por um super-Quintana, mas no Aubisque, chegou um dos momentos mais importantes da sua carreira, ganhou um etapa de uma grande volta.
Este talentoso ciclista holandês que tanto prometeu, só agora consegue uma vitória de etapa numa das grandes voltas, já vem tarde, mas os deuses do ciclismo não dormem.

A Audácia e coragem de Alberto Contador
Alberto Contador é um ciclista único. Nunca se contenta com o 2º lugar e o que aconteceu este último domingo foi mais um daqueles dias em que o Pistolero deixa a sua marca na história do ciclismo.
Toda a gente estava à espera que ele atacasse de longe, na etapa do Aubisque. Mas como em 2012, na etapa de Funte Dé (curiosamente, hoje faz 4 anos), o Pistolero decidiu disparar pólvora de bem longe, numa etapa que nada fazia prever tal coisa. Desta vez, foi mesmo praticamente no Km 0, num ataque apanhou a Sky e a Orica desprevenidas, levou consigo dois colegas de equipa (Rovny e Trofimov) e a Movistar aproveitou o movimento para dar a estocada em Froome e na Sky.
Contador não se encontra bem, na última subida, foi incapaz de seguir Quintana e Brambilla, no entanto, mesmo assim, quis ser o principal protagonista na etapa que pode ter decidido a Vuelta.

Quintana e a Movistar tacticamente perfeitos e o colapso da Sky
A Movistar no sábado na etapa do Aubisque, decidiu colocar 3 homens na fuga, obrigando a Sky a trabalhar e a desgastar-se. Nesse dia as coisas não correram na perfeição, já que Valverde quebrou e Quintana acabaria por não ganhar tempo a Froome.
Mas no dia seguinte, a Movistar colheu os frutos do dia anterior. O desgaste da Sky foi pago, a equipa britânica foi obrigada a perseguir o ataque de Contador e Quintana, depois Valverde e Erviti no grupo de Froome trataram de colocar pressão ao Sky's, que quebraram todos, menos David López, que também não durou muito. Foi o colapso total da Sky, apenas Froome chegou no tempo limite e só não perdeu mais tempo para Quintana, porque a Astana quis defender o espectacular 9º lugar de Scarponi e a Orica teve de perseguir para defender o lugar de Chaves.
Leopold Konig que no sábado tinha subido ao top-5, chegou no grupetto, num dia que ficará pela negativa para história da equipa britânica.

A Orica do excelente ao medíocre em apenas 1 dia
No sábado, Simon Yates e toda a Orica deram um show de ciclismo...a equipa australiana parecia imparável, até que no dia a seguir, bastou 10 Kms de etapa e já estavam obrigados a perseguir e passaram o dia todo atrás do prejuízo. Ainda conseguiram minorar as perdas, não colapsaram como a Sky, mas não ficaram muito bem na fotografia na chegada a Formigal.
Chaves aguentou o 3º lugar e Simon Yates, desceu uns lugares, num dia complicado e onde perderam quase tudo o que tinham ganho no dia anterior.

Os 93 ciclistas que decidiram passear
Tudo bem, a etapa foi muito exigente, compreende-se que foi complicado ficarem logo para trás nos primeiros Kms e alguns ficaram depois de trabalharem. No entanto não se pode admitir, que cheguem a uma altura da etapa e tenham decidido fazer chantagem.
91 (2 chegaram um pouco antes), decidiram que não queriam se cansar muito, já que era impossível chegar aos grupos da frente e fizeram cicloturismo por terras espanholas, num espectáculo deprimente. Eles sabiam que como eram muitos, os comissários não teriam a coragem de os expulsar da prova.
Chegaram 54 minutos depois de Brambilla, muito longe do tempo limite que se situava nos 31 minutos, isto quer dizer que para hoje estavam bem mais fresquinhos do que aqueles que estiveram a vergar a mola o todo dia de ontem. Robert Gesink vencedor da etapa de sábado, que também chegou no grupetto, no final da etapa de ontem, admitiu com toda a naturalidade do mundo, que estavam muitos e decidiram relaxar.
E por curiosidade, hoje todos do top-10 da etapa, chegaram no grupetto ontem, curioso não é?

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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