Rescaldo da Volta à França 2016

A edição deste ano do Tour, foi das mais previsíveis e chatas das Grandes Voltas dos últimos anos. Houve uma equipa que dominou como quis e lhe apeteceu. Froome venceu com uma facilidade tremenda, com os adversários a serem meros espectadores.
A prova também ficou marcada com a queda de Alberto Contador na 1ª etapa, que depois o obrigou a abandonar algumas etapas depois. 
A palavra que se adequa a este Tour é: Entediante.


Pela positiva:
Chris Froome e a Sky
Domínio avassalador do vencedor das edições de 2013 e 2015. Na 8ª etapa, arriscou e na descida do Peyresourde, que não era muito técnica, conseguiu fazer diferença, deixando todos os principais rivais a correr atrás. Depois foi uma gestão perfeita da corrida da sua equipa, que se mostrou implacável e numa galáxia diferente das outras.
Froome consolidou a sua posição dominante no contrarelógio, no Mont Ventoux e depois na cronoescalada. Nas restantes etapas de montanha, a Sky limitou-se a controlar e a impôr a sua lei.

Romain Bardet
Não fez um Tour em que deu nas vistas, mas bastou uma etapa, onde mexeu com as coisas, para estar nos pontos positivos. Na 19ª etapa, Bardet atacou na penúltima descida e depois na subida, seguiu rumo à vitória, no único momento, em que se viu Froome e a Sky em apuros.
Esse mérito já ninguém tira a Romain Bardet, que no entanto na etapa seguinte, preferiu defender o 2º lugar a atacar Froome.

Tom Dumoulin
Ganhou em Arcalis e dominou de forma arrasadora no contrarelógio. Foi 2º na cronoescalada e no seguir teve de abandonar, com o escafoide fracturado.
Fez um Tour muito bom, apesar de não ter apostado na geral. No futuro e dependendo da vontade dele e da equipa, poderá ser um nome para figurar no top-10 ou top-5 do Tour.

Jarlinson Pantano
O que dizer deste colombiano, que para o próximo ano estará a ajudar Contador na Trek? Venceu uma etapa de montanha, destruindo Rafal Majka na descida para Culoz. Depois foi 2º em Finhaut-Emosson e em Morzine.
Muito combativo, foi um osso duro de roer pelos adversários, a forma como se mantém colado a Alaphilippe e depois a Nibali e Ion Izagirre na 20ª etapa, mostram a raça deste corredor.

Adam Yates
Foi o melhor jovem deste Tour. Chegou a estar no pódio e também chegou a ter muito azar, quando na 7ª etapa o insulflável do último Km caiu-lhe em cima.
Fez uma prova muito regular, fraquejando na cronoescalada, que lhe retirou a possibilidade de ter feito pódio.

Mark Cavendish
E não é que Cavendish renasceu e dominou o sprint neste Tour! É mesmo, o britânico parecia estar numa fase descendente da sua carreira, até que chega a este Tour e ganha 4 etapas.
Parece que a mudança de equipa fez-lhe bem e a menor pressão também tem a sua influência. Acabou por abandonar para se concentrar da prova em pista dos Jogos Olímpicos.

Peter Sagan
O que dizer desta autêntica máquina de ciclismo? Ganhou 3 etapas e andou de amarelo, num Tour mais uma vez dominado na estrada e fora dela por esta rockstar do ciclismo mundial.
Vale a pena referir mais uma vitória na classificação por pontos? Ainda por cima, mais uma vez deu uma tareia a toda a gente na luta por essa camisola.
Para o ano estará na Bora, a ganhar 6 Milhões de Euros por ano!

Pela negativa:
Fabio Aru e Astana
Aru estreava-se no Tour e a sua performance esteve muito longe do que se esperava. Não conseguiu estar no top-10, com a última etapa de montanha a fazer estragos irreparáveis. 
Ainda por cima a Astana na 3ª semana trabalhou muito para Aru e no final, o jovem italiano falhou em toda a linha.
Certamente nos próximos voltará à prova, para tentar remediar este falhanço total.

Nairo Quintana e Movistar
Quintana, começou a falhar na 8ª etapa, quando decidiu distrair-se e depois esperar por Valverde, enquanto isso via Froome fugir. Depois foi um tour completamente para esquecer.
De sonho amarelo, este foi mais um pesadelo amarelo. No Ventoux, tentou duas vezes, sem resultar e depois ficou apeado.
Apartir daí passou o resto das etapas, a seguir rodas, nunca se mexeu por iniciativa própria e a Movistar também não fez nenhum esforço para tentar o que quer que fosse.
Muita apatia do colombiano, que aproveitou a quebra de outros para acabar no pódio. No entanto, o Tour de Quintana foi uma desilusão.

André Greipel e Marcel Kittel
Foram completamente dominados por Cavendish, enquanto este esteve em prova. Os dois alemães venceram uma etapa cada um, com Greipel a vencer em Paris, também beneficiando dos problemas de Kittel.
Os dois saem do Tour com o sabor amargo de saberem que foram novamente ultrapassados por Cavendish.

A organização do Tour
O que dizer? Foi dos piores Tours de sempre em termos organizativos, o que se passou no Ventoux foi algo de surreal.
Ciclistas a fazerem parte do percurso sem bicicleta, outros amarrados a motas, insufláveis a caírem em cima de ciclistas, corredores que caiem fora dos últimos 3 Kms e a serem-lhes atribuídos o mesmo tempo do vencedor e ciclistas que recebem rodas de outras equipas e nada se passa.
A maior prova de ciclismo do mundo, merecia uma melhor organização. A ASO que pense bem no que vai fazer, o que se passou este ano não se deve repetir.


Melhor etapa - 19ª etapa
Melhor equipa - Team Sky
Melhor trepador - Chris Froome
Melhor sprinter - Mark Cavendish
Melhor gregário - Wout Poels
Desilusão - Fabio Aru
Revelação - Adam Yates
Combativo - Jarlinson Pantano
Melhor momento - Ataque de Sagan na 11ª etapa, que com ajuda de Bodnar e depois de Froome e Thomas, aproveitaram o vento lateral para fazer diferença em relação ao pelotão. Com isso, Peter Sagan, arrecadou a vitória de etapa.
Pior momento -  Mont Ventoux 'freakshow'

Momento decisivo - A descida frenética de Chris Froome no Col du Peyresourde, na 8ª etapa. Foi o primeiro golpe de autoridade do britânico, que apartir daí nunca mais largou a liderança e dominou como quis.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

2 comentários:

  1. Excelente análise :)

    O Tour teve bons momentos, mas na globalidade foi entediante e com episódios surreais. A ASO tem que melhorar e mudar muita coisa. Talvez começar por diminuir para 8 o nº de ciclistas por equipa.

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