Análise da 10ª à 15ª etapa - Giro d'Itália 2016

Depois do contrarelógio individual na 9ª etapa e do dia de descanso, o Giro entrava numa nova fase, onde a muita montanha fez estragos em muita gente. 
A prova está longe de estar decidida, mas para alguns dos favoritos, esta semana ajudou a esclarecer muita coisa. Destaque também para os abandonos, alguns deles muito importantes.

Steven Kruijskwijk - Líder da  classificação geral após a 15ª etapa do Giro d'Itália
Giulio Ciccone, mais um jovem italiano a despontar
Giulio Ciccone, decorem este nome, este miudo de apenas 21 anos, na sua primeira participação no Giro, conseguiu já aquilo que uma grande maioria nunca conseguiu nem nunca conseguirá, ganhar uma etapa numa grande volta. Este é mais um talento que nasce no ciclismo italiano, juntando-se a outros que já estão a dar cartas, entre eles, Fabio Aru, Gianni Moscon, Davide Formolo e Diego Rosa.

Mikel Landa e um adeus sem glória
Depois do excelente contrarrelógio individual, onde o basco perdeu pouco tempo, as casas de apostas já o colocavam como principal favorito à vitória final. 
Depois do dia de descanso, a 10ª etapa prometia ser um dia onde Landa poderia atacar a prova, mas logo na 1ª subida, o basco da Sky começou a ficar para trás, até ter perto de 7 minutos de atraso. A decisão foi fácil e lógica, abandono imediato.
A justificação dada pela equipa é que, Mikel Landa no final do dia de descanso começou a sentir-se mal disposto (problemas gástricos), na manhã seguinte, o basco sentia-se melhor, mas durante a corrida a coisa piorou e foi impossível continuar em prova.

Bob Jungels, o melhor jovem até ao momento
Roubou a camisola rosa ao coelga de equipa, Brambilla, logo após o dia de descanso e manteve-a por 3 dias, até que na 13ª etapa, perdeu-a para o Costa-riquenho, Andrey Amador. No dia seguinte, voltou a ficar para trás e saiu do top-10, entretanto após a cronoescalada voltou aos lugares nos 10 melhores.
Lidera claramente a classificação da juventude e com a muita montanha que ainda há para ultrapassar, o luxemburguês tem mais de 11 minutos para gerir, em relação ao segundo classificado desta classificação, Sebastian Henao.

André Greipel mais uma vitória e adeus Giro
A etapa mais plana desta edição, tinha tudo para ser disputado num sprint em massa e surpresa das surpresas...foi isso que aconteceu. E surpresa...André Greipel ganhou, a 3ª deste Giro.
No dia seguinte, com a camisola vermelha vestida, o alemão nem partiu para a etapa, vai-se concentrar noutros objectivos, numa atitude que levou a algumas criticas. Mas o alemão não foi caso único, o australiano Caleb Ewan também fez o favor de abandonar e já antes tinha sido Kittel.

Andrey Amador, o orgulho de todo um país
Amador irá ficar na história do desporto na Costa-Rica. É o primeiro ciclista daquele país a vestir uma camisola rosa. Nunca algum ciclista costa-riquenho tinha conseguido estar na frente de uma grande volta e isto já ninguém tira a Andrey Amador.
No dia a seguir, Amador não resistiu, ainda fez uma descida fantástica no Passo Giau, mas depois foi incapaz de se manter com os melhores. Tentou a jaudar Valverde que também falhou nesse dia, mas pouco mais tinha no tanque. De forma, depois de no ano passado ter sido 4º da geral, este ano se conseguir um top-10, será um excelente resultado.

Mikel Nieve, Diego Ulissi e Alexander Foliforov
Após o abandono de Landa, a Sky deixou de ter alguém para a geral. A aposta tinha que ser nas vitórias de etapa e na 13ª etapa, com chegada a Cividale del Friuli, Nieve conseguiu integrar a fuga e depois no seu terreno foi o mais forte do grupo.
Diego Ulissi, depois de ter vencido a chegada a Praia a Mare, voltou à carga e na chegada a Asolo, adicionou mais uma etapa para o seu excelente palmarés no Giro. É uma das figuras desta edição.
Pouca gente conhecia Alexander Foliforov, mas na cronoescalada, o russo da Gazprom tratou de se apresentar ao mundo e de que forma. Na parte mais dura, os últimos 6 Kms, o russo foi muito mais forte que os adversários, arrasando-os, o resultado final foi a 1ª vitória dele e da sua equipa no Giro. 

Esteban Chaves e Steven Kruijswijk, os mais fortes até ao momento
A chegada a Corvara mostrou uma coisa...Chaves e Kruijswijk são os corredores mais fortes do momento. Conseguiram desfazer-se de Valverde, Majka, Zakarin, Pozzovivo, Uran e por último de Nibali que surpreendentemente quebrou.
O holandês veste de rosa, enquanto que o colombiano é 2º a mais de 2 minutos. Porém a equipa de Kruijswijk não é grande coisa, o holandês encontra-se constantemente sozinho, tanto Chaves, como a Astana e a Movistar poderão aproveitar este ponto fraco do actual líder. Ainda falta muita montanha e tudo pode acontecer, espera-se uma 3ª semana fascinantes, para bem do ciclismo e do Giro.

Classificação Geral após a 15ª etapa (Top 10):
1 Steven Kruijswijk (Ned) Team LottoNl-Jumbo 60:41:22
2 Esteban Chaves (Col) Orica-GreenEdge 0:02:12
3 Vincenzo Nibali (Ita) Astana Pro Team 0:02:51
4 Alejandro Valverde (Spa) Movistar Team 0:03:29
5 Rafal Majka (Pol) Tinkoff Team 0:04:38
6 Ilnur Zakarin (Rus) Team Katusha 0:04:40
7 Andrey Amador (CRc) Movistar Team 0:05:27
8 Bob Jungels (Lux) Etixx - Quick-Step 0:07:14
9 Kanstantsin Siutsou (Blr) Dimension Data 0:07:37
10 Jakob Fuglsang (Den) Astana Pro Team 0:07:55
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20 Andre Cardoso (Por) Cannondale Pro Cycling 0:26:02

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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