Quem é Matthew Hayman?

Matthew Hayman no pódio em Roubaix
Antes da edição deste ano do Paris-Roubaix, se alguém se atrevesse a prever que Matthew Hayman poderia ganhar a prova, provavelmente diríamos que essa pessoa estaria louca. Mas a verdade é que o ciclismo é uma modalidade imprevisível e a beleza da mesma está também nessa imprevisibilidade que por vezes nos oferece resultados completamente inesperados.
Matthew Hayman aos 37 anos, obteve aquilo que nunca sonhou sequer obter, vencer a clássica das clássicas, o Inferno do Norte. O australiano completou em 2016 a sua 15ª participação, sendo que o melhor resultado que tinha obtido, era um 8º lugar em 2012, no ano anterior tinha sido 10º. Não é um currículo extraordinário, mas também não é nada mau. Hayman foi sempre um homem de trabalho para outros, começou a sua carreira profissional na Rabobank, onde esteve até 2009, no ano seguinte abraçou o projecto da Sky e aí correu 3 anos, foi na equipa britânica que obteve a sua vitória mais importante, em 2011, o Paris-Bourges. Especialista nas clássicas de pavé e sobretudo um ciclista muito respeitado pela sua dedicação, a Orica-GreenEdge viu nele uma boa adição para a equipa das clássicas. 

Em 2013 entra na equipa australiana, sendo um dos melhores domestiques e dos ciclistas mais admirados do pelotão. Hayman nunca foi um ciclista de resultados, até que hoje, colocou-se na fuga do dia e depois da chegada do grupo principal, com Boonen, conseguiu aguentar-se até ao fim, apesar dos ataques de Stannard, Vanmarcke, Boonen e Boasson-Hagen. A exibição de Hayman não fica apenas marcada pelos muitos quilómetros em fuga, mas também pela demonstração de força que mostrou nos últimos quilómetros, na entrada do Carrefour de l'Arbre, Ian Stannard dá um chega para lá ao australiano, que perde velocidade e atrasa-se numa altura em que Sep Vanmarcke faz um ataque muito forte, porém Hayman conseguiu recuperar e voltou a reentrar e no sprint final bate o que era dado como o grande favorito naquela situação de corrida, Tom Boonen.

No final da prova, o australiano nem queria acreditar que tinha acabado de vencer o Paris-Roubaix e também admitiu que gostaria de ter visto Boonen a conquistar pela 5ª vez o Paris-Roubaix, numa demonstração do carácter humilde e simples, que confirma o ciclista que foi durante toda a sua carreira.
Vitória mais que merecida. Parabéns Matthew Hayman.

imagem retirada de http://www.bbc.com/sport/cycling/36010773

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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