Peter Sagan, a história de um campeão mundial

Peter Sagan, campeão do mundo 2015 (na imagem)
Se há corredor que merecia ser campeão do mundo, é Peter Sagan. 24 horas depois de um dos ciclistas mais populares dos últimos anos ter conquistado a camisola do arco-íris, o mundo do ciclismo ainda não esqueceu a grande vitória do eslovaco.
Peter Sagan é uma autêntica figura, quer seja pelo seu talento em cima de uma bicicleta ou pela sua irreverência fora dela, é daqueles ciclistas que não deixam indiferentes os adeptos da modalidade. Como todos os grandes ídolos, também há quem não goste dele, mas felizmente a quantidade é bastante menor do que aqueles que gostam.

Em cima da bicicleta, Sagan é, um poço de força, um virtuoso, um lutador, um louco e génio ao mesmo tempo e um fiel companheiro. Este ano o ciclista eslovaco mostrou estas virtudes todas, desde da vitória na Califórnia, passando pela fantástica exibição no Tour até à vitória incontestável ontem em Richmond.

Sagan este ano habituou-se a ser o segundo, ou seja, o primeiro dos últimos, mas numa das últimas grandes provas do ano, nada mais nada menos que os Mundiais, afastou esse fantasma e foi há procura da sorte, respondeu a Van Avermaet e depois atacou, na descida ganhou a vantagem que viria a ser decisiva. É desta forma que se fazem os grandes campeões. Sagan durante o ano nunca deixou de tentar a sua sorte, de dar espectáculo e no fim é premiado com o título mundial de forma justíssima. Curiosamente Van Avermaet é outro que está habituado a ser segundo, mas que este ano no Tour venceu uma etapa a Sagan, que foi...segundo. Desta vez Sagan aniquilou a concorrência, deixando para Matthews o segundo lugar, coisa que nos mundiais não é nada desagradável, já que corresponde à medalha de prata, no entanto o Australiano não pareceu muito satisfeito no pódio.
Este desagrado de Michael Matthews é ainda mais curioso, quando a Austrália, que era das equipas mais fortes, não fez nada durante os 260 quilómetros da prova, absolutamente nada. No final, conquistam a medalha de prata, o que até é um prémio demasiado generoso para os australianos, que pela atitude não mereciam nenhuma medalha.

Ciclistas como Sagan, Van Avermaet, Gilbert e outros, fazem deste desporto bem mais belo e emocionante do que ciclistas como Matthews ou o seu 'mentor' Gerrans. Isto não quer dizer que não sejam corredores fantásticos, porque o são, mas uma corrida como os mundiais, merece ter espectáculo e merece que o vencedor seja aquele corredor que arriscou e não aquele que espera pelos últimos 200 metros. Felizmente a maior parte das provas de ciclismo estão longe de serem procissões até aos últimos metros.

A carreira de Peter Sagan, começou no BTT, onde em 2008 foi campeão do mundo júnior, no mesmo ano foi vice-campeão mundial júnior de Ciclocross e segundo no  Paris-Roubaix para juniores. Em 2010 com 19 anos, estreou-se no Pro-Tour pela Liquigas-Doimo. Apartir daí, a sua carreira está recheada de vitórias, destaque para as quatro camisolas verdes conquistadas no Tour. Mas é a sua forma de correr e de estar no ciclismo, que tem conquistado fãs por todo o mundo.
Peter Sagan em 2015 chega à Tinkoff-Saxo, o dono da equipa, o extravagante russo, Oleg Tinkov, ofereceu-lhe um contrato milionário e os primeiros meses foram muito complicados para Sagan. Sem vitórias, somou desilusões atrás de desilusões, até que vence surpreendentemente a Volta à Califórnia, ainda por cima, aguentando-se numa etapa de alta-montanha. Depois na Volta à Suiça brilha e quando chegou ao Tour, o eslovaco estava em grande forma.
Apesar de não ter ganho nenhuma etapa, esteve sempre muito activo, em muitas fugas e dando muito espectáculo, quem não se lembra da épica descida para Gap?

Peter Sagan é um dos campeões mundiais, que mais merece este título e de uma coisa temos a certeza, a camisola de campeão do mundo em 2016, vai ser muito notada.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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