Guia da Volta a Portugal 2015


Amanhã começa a grande festa do ciclismo português, a 77ª edição da Volta a Portugal arrancará de Viseu

Quem são os grandes candidatos à geral?
O grande candidato à vitória em qualquer competição desportiva é o campeão em título, se este tentar a revalidação. Gustavo Veloso vencedor da edição de 2014, é com naturalidade um dos grandes candidatos e terá uma das melhores equipas a apoiá-lo. Depois de em 2013 ter sido segundo, com a saída de Marque, Veloso passou a ser o líder da equipa e não desapontou.
Com o regresso de Alejandro Marque ao pelotão português, a Efapel, adquiriu alguém capaz de lutar pela Volta a Portugal e com créditos firmados, já que a venceu em 2013.
Mas na Efapel e na W52, não podemos apenas olhar para os líderes, Jóni Brandão e Délio Fernandez, caso os chefes de fila falhem estas duas equipas tem nestes dois, alternativas de luxo. Délio Fernandez foi terceiro classificado na edição passada, enquanto que Jóni Brandão tem evoluído a olhos vistos, em 2014 esteve muito perto do pódio, ficando no quarto lugar da geral.
Rui Sousa, mais uma vez será um dos candidatos. Com 39 anos continua a procurar concretizar o sonho, que é vencer a Volta a Portugal. Na edição do ano passado, foi segundo classificado e venceu a etapa da Torre, a chegada favorita do ciclista de Viana do Castelo.
Ricardo Mestre já venceu a Volta em 2011, desde daí a sua carreira não se desenvolveu como se esperava. Ainda correu no estrangeiro, sem grande sucesso, voltou no ano passado ao pelotão nacional, mas não apresentou grandes resultados. Este ano liderará a equipa do Tavira, na procura de voltar aos grandes momentos.
Outro Ricardo será um dos homens a ter em conta, trata-se de Ricardo Vilela, que corre pela equipa espanhola da Caja-Rural. Na temporada passada correu pela OFM e acabou em sexto lugar na Volta a Portugal, é um corredor com qualidade e que na teoria será o líder da Caja Rural. Mas nesta equipa espanhola, existe outro corredor a seguir de perto, Eduard Prades, corredor que já correu em Portugal na OFM (actual W52). Ciclista de enorme qualidade que poderá ser uma dor de cabeça para os corredores das equipas portuguesas.

Quem são os trepadores a seguir de perto?
Rui Sousa se quer ganhar a Volta, terá de o fazer no seu terreno que é a montanha. É um dos melhores trepadores portugueses da última década. Ainda é do tempo que a prova era de duas semanas, com 39 anos continua a ser dos melhores trepadores do pelotão nacional.
Mas a Radio Popular-Boavista para a montanha não tem apenas Rui Sousa. Alberto Gallego é um jovem espanhol de enorme qualidade quando se trata de subir. Inclusive este ano brilhou na Route du Sud, na etapa raínha da prova, onde subiu uma parte da subida final ao lado de Quintana e Contador.
João Benta tem sido uma das boas surpresas do ano no pelotão nacional. Vencendo GP Jornal de Notícias e dominando uma das últimas provas de preparação para a Volta, o GP de Torres Vedras. Chega à Volta em grande forma e é um dos homens a ter em conta quando o terreno empinar.
Mas o Louletano para a montanha não tem apenas João Benta, Sandro Silva também é um excelente trepador. Foi 10º classificado da edição passada da Volta.

Quem são os sprinters a seguir de perto?
O pelotão português actualmente não tem muitos sprinters. Na edição do ano passado foi um jovem alemão que arrebatou a atenção, Phil Bauhaus, venceu duas etapas, no final do ano mudava-se para a Bora 18-Argon. Manuel Cardoso é o nome mais lembrado, quando se fala de sprint actualmente em Portugal. O corredor do Tavira terá algumas etapas ao seu jeito, veremos como trabalhará a sua equipa de forma a ajudá-lo.
Samuel Caldeira é um corredor que finaliza bem, mas é mais versátil do que um puro sprinter. Veremos se consegue estar na luta pela camisola dos pontos. 
Davide Vigano no ano passado venceu uma etapa e a camisola dos pontos. O Italiano volta à Volta para tentar repetir a façanha, é um dos homens mais rápidos presentes na prova.
Marco Zanotti este ano ano ainda não venceu, mas tem vários lugares de relevo em chegadas rápidas. Face à escassez de sprinters, o italiano é um dos homens a ter em conta.

Quem são os jovens a seguir?
Joaquim Silva é uma das esperanças do ciclismo nacional, com alguns resultados interessantes, como por exemplo o 8º lugar no Tour l'Avenir em 2014. Numa das provas referência do ciclismo jovem mundial. Estará integrado numa das melhores equipas da prova, o que significa que terá de trabalhar para os líderes.
O recente campeão nacional de estrada sub-23, Nuno Bico, é outro dos jovens com um potencial tremendo. Em 2013 com 19 anos estreou-se na Volta a Portugal, e esta edição será a sua terceira participação, o que faz com que o corredor da Radio Popular-Boavista já tenha alguma experiência, embora seja dos mais novos do pelotão. Outros nomes da Radio Popular-Boavista a ter em conta é Frederico Figueiredo e David Rodrigues, 1º e 2º na classificação da juventude na edição passada.
Rafael Reis é um especialista no contra-relógio, foi 4º nos últimos mundiais sub-23 em Ponferrada. É nesse terreno que o ciclista do Tavira poderá brilhar. Um nome a seguir quando a luta for contra o cronómetro.
Já falamos de Alberto Gallego, um extraordinário trepador e ainda por cima jovem. Este jovem espanhol está destinado a outros voos, certamente não durará muito por terras lusas. Veremos o que fará nesta Volta, se irá trabalhar para o Rui Sousa, ou se vai ter liberdade para poder atacar a corrida.
Em 2014 foi 9º classificado na Volta, com 23 anos, Amaro Antunes quererá fazer melhor, de forma a confirmar a evolução registada nos últimos anos. Com 24 anos ainda pertence à categoria dos jovens e é dos que valerá a pena acompanhar em 2015.

Quem serão as equipas a ter mais em conta?
Há duas equipas que têm lutado entre si nos últimos anos, pela supremacia na Volta. São a W52 e a Efapel, a primeira venceu as últimas duas edições e a segunda venceu a edição de 2012 com David Blanco e contratou este ano o vencedor de 2013, Alejandro Marque. As duas equipas têm equipas muito fortes e completas, com Jóni Brandão e Délio Fernandez a serem figuras de relevo e que terão papeis fundamentais.
Mas nomes como David de la Fuente e Diego Rubio do lado da Efapel e António Carvalho e Samuel Caldeira do lado da W52, serão ciclistas a ter em conta.
A Radio Popular- Boavista apresenta este ano uma equipa fortíssima. Com Rui Sousa a ser a principal arma, mas com Alberto Gallego, Frederico Figueiredo,Virgilio Santos, David Rodrigues, Célio Sousa, César Fonte, Daniel Silva e Nuno Bico a completarem uma equipa muito homogénea.
Das equipas estrangeiras, destaque sem dúvida para a Caja Rural. Que tem Ricardo Vilela e Eduard Prades como cabeças de cartazes, mas ainda têm Hugh Carthy, Heiner Parra e José Gonçalves. A equipa espanhola pode ser uma dor de cabeça para as equipas Portuguesas.

Que etapas marcarão esta edição?
A etapa que marca a paixão e o culto pela Volta a Portugal neste país é aquela que acaba na Senhora da Graça. Por essa razão é que esta etapa tem sido sistematicamente realizada nos últimos anos ao domingo. O que faz com que o Monte Farinha seja inundado de fãs do ciclismo que acampam em pleno monte apenas para verem os ciclistas passarem. É uma autêntica romaria que marca de forma profunda a prova. Habitualmente não decide grande coisa, nem é a jornada mais dura da prova, esse título normalmente está destinada à etapa da Torre, mas é nesta subida que a festa da Volta atinge o seu verdadeiro sentido.
A chegada à Torre é etapa raínha, mais uma vez. Este ano sobe-se pela Covilhã, que é considera a vertente mais complicada. Uma subida longa, que nunca mais termina, até aos 1997 metros e que pode determinar o vencedor da prova, já que as diferenças podem ser enormes.
A 9ª etapa é mais uma vez um contra-relógio individual. Serão 34,2 quilómetros, desde da Praia do Pedrógão até Leiria, num percurso plano e que se tudo ainda estiver em aberto vai decidir o vencedor final da prova.



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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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