Destaques da Volta à França 2015

Chris Froome, vencedor do Tour 2015



Chris Froome e Team Sky
As duas primeiras semanas de Froome foram de grande qualidade. Sempre atento e muito forte em todos os terrenos, desde do pavé, até à etapa do vento, passando pelas chegadas para puncheurs, como foram as etapas do Mur de Huy e Bretagne.
O ciclista britânico culminou essa superioridade com a actuação fantástica na chegada a La Pierre Saint Martin, na décima etapa, esmagando a concorrência, dando mais de 1 minuto a Nairo Quintana, que foi o adversário que mais se aproximou.
Mas na terceira semana Froome começou a dar indícios que fraquejava e a prova definitiva foram as etapas 19 e 20, onde foi batido claramente por Quintana. E foram nessas etapas que a Sky segurou o seu líder com destaque para Wouter Poels e Richie Porte. Essas duas etapas mostraram uma Sky muito forte e sobretudo muito unida em torno do seu líder, no entanto a equipa britânica durante todo o Tour demonstrou estar muito forte. Na etapa que Froome esmagou a concorrência, Porte foi segundo classificado e nas etapas de montanha da segunda semana, Geraint Thomas foi a grande surpresa, ao estar fortíssimo.
Este binómio, Sky+Froome funcionou na perfeição e o resultado foi o que toda a gente viu.

André Greipel
Foram quatro vitórias de etapa em cinco possíveis. Greipel disputou cinco sprints, sendo apenas batido num, por Mark Cavendish.
O 'Gorila' fez este ano o melhor Tour da sua carreira, depois de em 2012, ter ganho três etapas. Esteve simplesmente intratável, nem Cavendish, Sagan, Kristoff, Degenkolb e os franceses conseguiram-no parar.
Destaque também para o comboio da Lotto que esteve soberbo e também tem uma fatia grande do sucesso.
Com 33 anos, o alemão provavelmente não repetirá tamanha façanha, mas continuará a ser nos próximos anos uma força no sprint.

Peter Sagan
O que dizer deste homem? Como é que a organização do Tour não lhe deu o prémio da combatividade? Inexplicável tamanha injustiça.
Peter Sagan foi o espectáculo dentro do espectáculo que é o Tour. Um extraordinário ciclista, capaz de estar na disputa dos sprints, capaz, de subir, de descer como ninguém, de estar quatro dias seguidos em fugas e de no final após ter tantos segundos lugares ainda esboçar um sorriso e brincar com os colegas de profissão. Um verdadeiro fenómeno.
Este Tour sem Sagan não seria a mesma coisa.

Alejandro Valverde
Um dos sonhos de Valverde era um dia estar em Paris no pódio. E conseguiu-o em 2015 com 35 anos, por essa razão, leva nota positiva.
É um dos ciclistas mais completos das últimas décadas, mas faltava-lhe sempre alguma coisa no Tour. Este ano nem sequer foi para o Tour como líder, no entanto, teve liberdade para fazer a sua corrida e foi mesmo isso que fez. Tentou ajudar Quintana em determinados momentos, nomeadamente na 20ª etapa, mas Valverde nunca colocou de parte chegar ao pódio e conseguiu-o.
Depois da 19ª e 20ª etapas, o mundo do ciclismo fez a seguinte pergunta: se a Movistar tivesse sacrificado o objectivo de Valverde, Quintana tinha vencido o Tour? Nunca saberemos, o que sabemos é que Valverde concretizou o seu sonho.



Público
Qual é a motivação das pessoas irem para a beira da estrada insultar e cuspir nos ciclistas? Seja qual for a motivação, nada pode justificar tal comportamento. Se acrescentarmos os baldes de urina e agressões, o ramalhete de estupidez do público neste Tour está completo.
Obviamente não se deve generalizar, mas este tipo de comportamentos tem sido cada mais recorrente nas grandes competições.

Mark Cavendish
Um vitória de etapa é pouco para Cavendish. Ainda por cima quando Marcel Kittel não esteve presente. O britânico foi constantemente batido por Greipel e apenas deu um ar da sua graça na 7ª etapa.
A desilusão ainda é maior quando Cavendish até estava a fazer uma temporada com algumas vitórias. Depois do Tour soube-se que o britânico não irá continuar na Etixx.

Alexander Kristoff
A sua temporada até ao Tour foi simplesmente fabulosa, com um incontável números de vitórias entre eles a Volta à Flandres. Em 2014 venceu duas etapas no Tour.
Por estas razões esperava-se algo mais do norueguês, mas o que se assistiu foi a um completo desastre, nunca esteve perto de vencer, sempre batido claramente e algumas das vezes nem sequer esteve na discussão.
Uma enorme desilusão.

John Degenkolb
Kittel não estava, era Degenkolb que assumia as rédeas da Giant e a verdade é que tentou estar na luta pela camisola verde, mas cedo se percebeu que não conseguiria competir com Sagan e Greipel. 
A sua temporada já conta com dois monumentos no bolso, um deles o Roubaix. A sua grande hipótese de vencer uma etapa, foi o dia do pavé, mas outro alemão estragou-lhe as contas, Tony Martin venceu a jornada.
Esteve muito apagado, nunca foi uma ameaça consistente nas chegadas ao sprint.

Alberto Contador
O objectivo do Pistolero para 2015 era ganhar Giro e Tour. Depois de conquistar o Giro, seguia-se o Tour. Porém o desafio era muito complicado, com a presença de um pelotão de luxo e com o cansaço acumulado.
Contador demonstrou fragilidade logo no Mur de Huy e na 10ª etapa confirmou que estava muito abaixo do que era exigido. Ainda teve o azar de cair na etapa com chegada em Pra-Loup.
Os últimos dias foram complicados para Contador, sem a condição física desejada e com o moral em baixo, ainda tentou atacar a corrida, mas sem sucesso.
O espanhol já prometeu que para o próximo ano, se irá concentrar no Tour e promete espectáculo.


Nairo Quintana e Movistar
Num Tour feito à medida de Nairo Quintana, sabe a pouco vê-lo no segundo lugar da geral. Ainda por cima depois do espectáculo dado nas últimas duas etapas, fica a sensação que se a Movistar atacasse antes e não estivesse tão preocupado com Valverde, poderíamos ter Quintana de amarelo.
Mas isso são suposições, Quintana chegou ao Tour como um dos quatro grandes favoritos, saiu dele como o segundo melhor. É um excelente resultado, mas não é o que o colombiano procurava.

Thibaut Pinot
O Tour de Pinot até à 20ª etapa estava a ser desastroso, mas no Alpe d'Huez o jovem francês salvou o seu Tour. Ganhar naquele local é muito especial para qualquer francês e Pinot concretizou um sonho.
No entanto a classificação final foi uma desilusão para quem no ano passado fez pódio, nem top-10 conseguir é mau.

Romain Bardet
Acabou no top-10 e venceu uma etapa, não é um Tour brilhante para Bardet, mas também não é nada mau. Foi o melhor francês na classificação geral e o melhor de uma equipa francesa.
A sua evolução tem sido gradual e consistente, Bardet representa a nova geração francesa, nesse lote estão também Pinot e Barguil.

Vincenzo Nibali
Nibali não começou bem, perdendo tempo na etapa do vento, não fazendo diferença no pavé e perdendo as primeiras batalhas na montanha. No entanto foi melhorando de dia para dia, resultando numa vitória de etapa e ainda sonhou com o pódio, mas o furo no inicio do Alpe d'Huez matou qualquer esperança.

O nosso veredicto
Melhor etapa - Alpe d'Huez (20ª etapa)
Melhor equipa - Team Sky
Melhor trepador - Nairo Quintana
Melhor sprinter - André Greipel
Melhor gregário - Richie Porte
Desilusão - Alberto Contador
Revelação - Matthias Frank
Combativo - Peter Sagan
Melhor momento - A descida louca de Peter Sagan para Gap.
Pior momento -  A terrível queda de William Bonnet, que envolveu dezenas de corredores na 3ª etapa.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

1 comentário:

  1. Dizer que Alberto Contador foi a desilusão do ano parece um pouco exagerado já que havia ciclistas (Rui Costa, Nibali,Cavendish) com obrigação de ganhar algo de relevante durante a época de 2015 e ao contrario do pistoleiro não conseguiram

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