Top-10 dos melhores momentos do ano 2014

Foram muitos os momentos inesquecíveis de ciclismo em 2014, que é complicado definir apenas 10 momentos. No entanto, fizemos esse esforço e aqui temos os 'nossos' 10 momentos que nos marcaram em 2014:


10-Kwiatkowski sagra-se campeão do mundo
Michal Kwiatkowski fez um ano de 2014 absolutamente fantástico, não era preciso sagrar-se campeão do mundo para que não deixasse de o ser. Mas o Polaco, não quis deixar de tentar e o resultado foi o que se sabe. 
A corrida foi monótona, até que já dentro dos últimos 10 Kms, Kwiatkowski ataca e alcança os homens que estavam na frente, ninguém foi capaz de o seguir, o Polaco foi intratável e sagrou-se campeão do mundo. Uma nota de elogio para a selecção Polaca, que acreditou que era possível, ao longo da corrida trabalhou e a recompensa chegou, quem não arrisca não petisca.

9-Wiggins vs T. Martin no campeonato do mundo de contra-relógio
Os mundiais de Ponferrada, prometiam um duelo épico no contra-relógio individual, Wiggins vs Tony Martin. O Alemão era o favorito, vinha de três títulos mundiais seguidos na disciplina e parecia imbatível, era o 'rei dos cronos'. Dias antes, Tony Martin tinha sofrido a primeira derrota dos mundiais, ao não conseguir levar a sua equipa ao título mundial no contra-relógio por equipas, prova vencida pela BMC.
Wiggins vinha de uma época mais discreta, o seu grande objectivo eram os mundiais, com a Sky, ficou a poucos segundos do pódio, sendo ele o grande motor do comboio da equipa Britânica, dando boas indicações.
O primeiro intermédio, Martin ganhava 4 segundos ao Britânico mas apartir daí, Wiggins foi mais forte e acabou por dominar claramente, acabando com 26 segundos de avanço sobre Martin. Destaque também para Nélson Oliveira que esteve sentado no 'cadeirão' da liderança, durante bastante tempo, conseguindo um excelente, 7º posto final.

8-Record da hora de Jens Voigt
Jens Voigt escolheu 2014 como o ano da sua despedida do ciclismo profissional e decidiu que não bastava uma simples despedida. Com as mudanças de regras do record da hora, o Alemão e a sua equipa viram uma oportunidade única de deixar uma marca final no ciclismo, decidiram atacar o record da hora, que pertencia a Andrei Sosenka.
E assim foi, Jens Voigt bateu-o sem grandes dificuldades no velódromo de Grenchen, na Suiça, percorrendo numa hora 51,115 Kms.
O record de Voigt no entanto durou pouco tempo, um mês e pouco depois, o Austríaco Matthias Brändle, bateria o record do Alemão.
Em 2015, espera-se que o record seja batido, já que existem já várias tentativas marcas para o fazer.

7-Contador no Tirreno-Adriático
Contador vinha de um ano péssimo, 2014 tinha de ser o ano da recuperação do Espanhol e o trabalho de inverno com o novo treinador de inverno, começou a dar resultados no Algarve, mas foi no Tirreno-Adriático que a confirmação chegou. A exibição do Espanhol em Itália foi soberba, com duas vitórias de etapa e a vitória na geral, com mais de 2 minutos de vantagem para Nairo Quintana.
Mas Contador, não se limitou apenas a vencer, arrasou a concorrência, principalmente na 5ª etapa, quando decide ir embora a mais de 30 Kms da meta, no Passo Lanciano, deixa para trás Nairo Quintana e companhia. Depois de alcançar os homens da frente, nas últimas rampas, melhor dizendo, muros (>30%), o Espanhol deixou toda a gente para trás, vence a etapa e sentencia a vitória final.

6-Contador vence Vuelta depois da lesão grave sofrida no Tour
10ª etapa do Tour, fica marcada pela queda e abandono de Alberto Contador, abrindo o caminho para Nibali dominar a prova. Sabia-se que o Espanhol encontrava-se numa forma extraordinária, a queda foi feia e a lesão parecia significar o fim da temporada para ele. 
Mas o Espanhol e a equipa perto do inicio da prova, anunciam que ele iria se apresentar na Vuelta, o que surpreende todo o mundo do ciclismo. No mesmo anúncio, o Espanhol é claro a afirmar que não iria lutar pela geral, mas sim por vitórias de etapa.
A Vuelta começa e Contador vai-se aguentando, na 6ª etapa as dúvidas começam a se dissipar e fica claro que iria ser candidato ao top-3 pelo menos, faz 3º nessa etapa, numa subida curta e explosiva. Na 9ª etapa, com chegada em alto, Valdelinares, Contador ataca, Froome e Valverde não conseguem acompanhar, apenas Quintana e Purito conseguem responder e é esse o momento que Contador demonstra em definitivo que é candidato a vencer a prova, no dia seguinte confirma no contra-relógio individual, arrecadando a camisola de líder que nunca mais largaria. Até ao fim, Contador vence as duas etapas raínhas da prova, nos Lagos de Somiedo e Puerto Ancares.

5-Strade Bianche
Confesso, actualmente está no meu top-3 das clássicas que mais gosto (Tro-Bro-Léon é outra e a terceira tentem adivinhar :)).
A beleza das paisagens da Toscânia, são uma das razões para que a prova seja um caso sucesso. Mas a edição de 2014 teve muito mais do que apenas paisagens, teve 'o' duelo da nova geração, Sagan vs Kwiatkowski.
Os dois escaparam a faltar 21 Kms, a última dificuldade do dia era já dentro da cidade de Siena no último quilómetro, com rampas de 16%. O duelo estava marcado para aí e não desiludiu, Kwiatkowski atacou 'forte e feio' e Sagan não teve capacidade para responder, a diferença no final foram de 19 segundos. 

4-Tour de Flandres, Ronde van Vlaanderen
Fabian Cancellara já tinha vencido por duas vezes a prova, tentando em 2014 vencer pela terceira vez, igualando o record de vitórias, juntando-se ao clube de Achiel Buysse, Fiorenzo Magni, Eric Leman, Johan Museeuw e Tom Boonen.
A prova até aos últimos 10 Kms foi marcada sobretudo pelo ataque de Greg Van Avermaet, até que Fabian Cancellara, Sep Vanmarcke e Stijn Vandenbergh alcançam o Belga da BMC. Sem grandes dificuldades até final, à partida a prova seria decidida no sprint final, Cancellara acabaria por bater os três companheiros de fuga, alcançando mais um feito histórico na sua carreira.
Fabian Cancellara no final disse o seguinte: "Eu não sou o leão da Flandres, mas, o Spartacus da Flandres".

3-Nibali dá show no pavé do Tour
Já se sabia que um dos pontos fortes de Vincenzo Nibali era que descia e manuseava bem a bicicleta. Mas o que não se sabia era que Vincenzo Nibali era um óptimo corredor no empedrado, provavelmente nem ele próprio o sabia.
A época de Nibali até ao Tour, tinha sido péssima, mas a sorte iria mudar. Chegava a tão temida etapa de 'pavé', que ainda por cima se disputava numas condições atmosféricas terríveis, Nibali surpreende tudo e todos, ganha tempo considerável ao seu principal adversário, Alberto Contador e vê outro dos grandes adversários abandonar.
A actuação de Nibali no empedrado do Norte, foi notável, apenas batido por Lars Boom, um especialista e pelo colega Fuglsang, sem dúvida que foi um dos momentos do ano.

2-Contador vs Froome no Dauphiné
Contador no Tirreno-Adriático tinha demonstrado uma forma brutal, enquanto Froome tinha vencido na Romandia em ritmo de passeio. 
O 'duelo' pré-Tour no Dauphiné, era esperado por todos e não desiludiu. 
Na 1ª etapa, num contra-relógio individual, Froome foi superior ao Espanhol, por meia dúzia de segundos. A 2ª etapa já nos ía dar uma ideia melhor em que estado de forma cada um estaria, chegada em alto, Col du Béal e provavelmente assistiu-se ao melhor espectáculo de ciclismo dos últimos anos. Froome ao longo da subida lança sucessivos ataques, deixa toda a gente para trás menos...Contador, que se aguenta na roda do 'Queniano', respondendo sempre. Apesar disso o grupo perseguidor (com Nibali, Talansky, Kelderman, Van Den Broeck), recuperava sempre, já que Froome após os ataques, diminuía o ritmo e Contador não trabalhava. No último quilómetro, novo ataque de Froome, o Espanhol responde, ainda tenta vencer a etapa, mas Froome vence a etapa, numa performance espantosa.
O novo 'duelo' estava marcado para a 7ª etapa e desta vez, Froome aborda a corrida de forma diferente, usa a equipa para colocar o ritmo na subida final, no entanto a menos de 2 Kms da meta, Contador ataca, Froome não responde, deixando que Porte trabalhe, no entanto, o Australiano é incapaz de diminuir a diferença para o Espanhol, antes pelo contrário, a 1 km, Froome acelera, num primeiro momento deixa Talansky e Hejesdal para trás, enquanto Nibali fica definitivamente apeado. Porém o 'Queniano' é incapaz de diminuir a diferença, perdendo mesmo tempo nos últimos metros, sendo ultrapassado por Talansky e Hejesdal.
Na 8ª e última etapa, esperava-se que Froome respondesse, no entanto, Talansky e Hejesdal atacam cedo na etapa, Contador confia em Froome e na Sky para irem buscar os homens da Garmin, Nibali ataca também, quando Contador se apercebe que Froome não está bem, ataca, mas já era tarde e Talansky vence o Dauphiné com Contador a ficar-se pelo 2º posto.
O Dauphiné de 2014, foi sem dúvida inesquecível, um duelo de gigantes que perdurará na memória de todos.

1-Stelviogate
A 16ª etapa do Giro, prometia 'sangue' e as condições climatéricas ajudam a classificar esta etapa de...É P I C A. Muita neve, frio, chuva e um perfil assustador, era este o cenário que os ciclistas tinham de enfrentar.
Nairo Quintana, o fabuloso trepador Colombiano, grande favorito no início da prova, estava a 2 minutos e 40 segundos do líder, o compatriota, Rigoberto Uran. Problemas de saúde tinham-lhe afectado a prova até aí, mas segundo notícias que saíram nos dias anteriores, estava a melhorar e prometia dar espectáculo.
A primeira dificuldade do dia, era o tenebroso Passo Gavia através de Ponte di Legno, subida duríssima e com as condições atmosféricas daquele dia, a coisa ainda era muito pior para os ciclistas. Na descida do Gavia, segundo Gorka Izagirre (colega de equipa de Nairo Quintana), o Colombiano esteve mesmo perto de abandonar a prova, inclusive Izaguirre afirma que teve de dar comida à boca de Quintana.
O Colombiano continuou em prova e não se arrependeria, a subida do Stelvio foi realizada, a Movistar começou a controlar o pelotão e no topo do Stelvio, a confusão instala-se. Um tweet no Twitter da organização do Giro, dizia que a descida do Stelvio iria ser neutralizada, mas a informação apenas aparece no Twitter, no meio oficial da organização, a rádio-volta, nada diz. 
Umas equipas respeitam a ordem que saiu no Twitter, outras não recebem tal informação, ignoram o que sai no Twitter, entre elas, estão a Movistar, Garmin e Europcar. A situação de corrida a meio da descida do Stelvio era que Izaguirre, Quintana, Rolland e Hejesdal tinham continuado a descer normalmente, tendo ganho um avanço considerável para o grupo do maglia rosa. A diferença continuaria a aumentar, até que acaba a descida a diferença se cifrava em 1 minuto e 40. Lá trás o grupo apercebia-se e começava a procurar recuperar no entanto, a diferença não baixava, faltava ainda a última subida,  Val Martello, que não era pêra-doce, as condições atmosféricas eram bem melhores nesta fase.
Quando Quintana entra na última subida, assume o grupo, não necessita de nenhuma ajuda, Rolland e Hejesdal tentam sobreviver como podem, o Francês acaba por ceder. O Canadiano sempre no elástico, lá perdia alguns metros, recuperava e perdia novamente metros, mas até ao último quilómetro da subida manteve-se com Quintana, que subiu sempre na frente, com um ritmo constante, enquanto lá trás, nenhum dos principais rivais tinha capacidade de assumir a corrida, estavam mais 'mortos' que vivos.
Quintana no último quilómetro, deixou para trás Hejesdal que também foi um dos heróis do dia, mas o dia era do Colombiano, que na última subida, sozinho, ganhou quase 2 minutos para o melhor do grupo do maglia rosa. Quanto a Uran, acabou a 4 minutos e 11 segundos de Nairito, cedeu a maglia rosa ao seu compatriota, que no resto do Giro, venceu a crono-escalada em Cima Grappa e festejou a 1ª vitória de uma grande volta.

Menção honrosa: Rui Costa vence pela 3ª vez consecutiva a Volta à Suiça
Claro que a vitória de Rui Costa pela 3ª vez consecutiva na Volta à Suiça, não poderia falhar nos melhores momentos do ano, nem que seja como uma menção honrosa.
Rui Costa na 7ª etapa, no contra-relógio individual, conseguiu perder apenas 28 segundos para Tony Martin, o Português ficava assim numa posição excelente para conseguir o inédito Tri na prova, porque se encontrava a 1 minuto e 5 segundos do Alemão, mas as últimas duas etapas eram de montanha.
Porém na 8ª etapa, com final no Verbier, o Alemão surpreende e aguenta-se, Rui Costa não ganha tempo, a dúvida instala-se será que o Português conseguirá vencer a prova em 2014?
A resposta seria dada no dia seguinte, na última etapa, antes da subida final, Rui Costa, Mollema e Mathias Frank entram num grupo após um ataque das equipas (IAM e Belkin) dos dois últimos, Tony Martin ainda lutou, sozinho perseguiu o grupo, mas não conseguiria recuperar. 
Na última subida, a IAM trabalha para Frank, que ataca, Rui defende-se perfeitamente à vontade e contra-ataca, o Suiço não consegue acompanhar a pedalada do Poveiro, Mollema acaba por ultrapassar Frank, enquanto isso, Rui Costa chega isolado à meta e vence pela 3ª vez consecutiva a Volta à Suiça. Um feito histórico e mais um momento alto para o ciclismo Português.

É este o nosso Top, num ano com excelente ciclismo, certamente haverão outros momentos que poderiam estar aqui.
Que venha 2015!

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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