Análise da Lampre-Mérida 2014


A Lampre-Merida para 2014, tinha como grande novidade a inclusão do vencedor da Vuelta, Chris Horner e sobretudo do campeão do mundo, o 'nosso' Rui Costa.
A equipa tinha como grandes objectivos, levar o Português ao top-10 do Tour, ajudar Horner no Giro e Vuelta e de fazer boas performances nas clássicas. A época acabou por ser frustrante para a equipa Italiana, com 26 vitórias no total do ano e 14º lugar final do ranking World Tour, o mesmo de 2013. 
Um dos objectivos da equipa em Abril teria de ser alterado, Chris Horner sofre um acidente grave a treinar em Itália, fazendo com que o Americano não pudesse comparecer no Giro.

A temporada começava no Tour Down Under para a equipa Italiana, que se apresentou bem na Austrália, com uma vitória de etapa, a 2ª etapa, por Diego Ulissi que acabaria em 3º lugar da geral, atrás dos homens da casa, Gerrans e Cadel Evans.
Em San Luis, a equipa também arrecadava uma vitória de etapa, a 7ª etapa da prova Argentina, por Sacha Modolo. Um inicio prometedor para a equipa de Rui Costa.

Modolo continuou com o pedal quente em Fevereiro, com três vitórias de etapa seguidas, venceu o Trofeo Palma, o Trofeo Ses Salines e a 1ª etapa da Volta ao Algarve. Na prova Portuguesa, Rui Costa acabaria no 3º lugar da geral apenas batido por Kwiatkowski e Contador. O Colombiano José Serpa acabaria por dar mais uma vitória no mês para a equipa, ao triunfar no Trofeo Laigueglia.

Ulissi começava Março em estilo, ao triunfar no GP Camaiore, num mês em que equipa acabou por estar bastante discreta. 
Em Abril Modolo continuava a impressionar, desta vez nos 3 dias de Panne, ao vencer duas etapas, a 2ª e 3aª. 

Vinha Maio e com ele, o Giro e Ulissi continuou a demonstrar que é uma das grandes promessas do ciclismo Italiano, venceu duas etapa, 5ª e 8ª e as duas foram de uma forma impressionante. No entanto, posteriormente Ulissi, acusaria níveis de Salbutamol muito elevados no teste de urina retirado a 21 de Maio, na 11ª etapa, sendo suspenso. O Giro, acabou com o melhor colocado da equipa a ser Damiano Cunego na 19ª posição da geral.

Ulissi a vencer a 11ª etapa do Giro
Começava Junho, talvez o melhor mês para a equipa Italiana, com uma vitória de etapa no Tour of Japan, através de uma das revelações da equipa do ano, Niccolo Bonifazio, foi na 6ª etapa da prova Japonesa. 
Junho é o mês das provas de preparação para o Tour, uma delas é a Volta à Suiça, onde Rui Costa era o bicampeão em título e estava disposto a defender as vitórias de 2012 e 2013. E fê-lo de forma brilhante, controlou sempre a corrida até que no último dia, na etapa rainha, 9ª etapa, deu a estocada final, apeando todos os principais adversários, vencendo a jornada e alcançando a terceira vitória consecutiva, um feito inédito, o primeiro corredor a vencer três vezes seguidas a prova. Na ronda Suiça, a equipa arrecadou mais uma vitória, na 5ª etapa, por Modolo.
Antes do Tour, Nélson Oliveira, arrecadou os título de estrada e de contra-relógio no campeonato Português. Na prova contra o cronómetro, Oliveira bateu o seu colega Rui Costa, demonstrando que tinha evoluído bastante na especialidade, nos Mundiais confirmaria a sua evolução.

Rui Costa a vencer a etapa na Volta à Suiça e a conseguir o 3º triunfo na geral na prova
Julho é mês de Tour, o grande objectivo do ano da equipa, mas as coisas não correram bem para Rui Costa e muito menos para a equipa. Horner regressado, também não teve nenhum impacto na corrida, sendo um factor irrelevante na mesma. Quanto a Rui Costa, estava no top-10 e as suas hipóteses aumentaram consideravelmente quando Froome e Contador, os dois grandes favoritos, abandonaram, neste caso, o top-5 até era um lugar possível. No entanto, uma broncopneumonia, fez com que ele saísse dos top-10, o Português ainda tentou aguentar, mas não deu e teve mesmo de abandonar a corrida.

A Vuelta era o objectivo seguinte, e o Horner seria o líder da equipa, o vencedor da prova em 2013, queria defender o título, no entanto, mais uma vez o azar bateu à porta do corredor e da equipa. Os níveis de cortisol do corredor eram demasiado baixos e a equipa que pertence à MPCC, decidiu retirar o corredor do alinhamento da equipa para a prova Espanhola.
A prova não correu de todo mal, com duas vitórias, através de Anacona na 9ª etapa e Niemec na 15ª nos lagos de Covadonga. O Colombiano andou mesmo no top-10, tendo fraquejado nas últimas etapa.
Setembro, teve mais uma vitória para a equipa, através de Bonifazio, na Coppa Agostoni.

A 12 de Outubro, no GP Bruno Beghelli, mais um jovem da equipa, Valerio Conti vencia a prova. Outubro foi um mês positivo para a equipa, com Modolo a vencer a 5ª etapa do Tour of Beijing, numa prova, onde Rui Costa acabaria na 4ª posição da geral.
De realçar também o 3º lugar de Rui Costa num dos 5 monumentos, o Giro da Lombardia.
As últimas vitórias do ano para a equipa Italiana, aconteceram no Tour of Hainan, uma prova onde a equipa se portou de forma excepcional, principalmente, Niccolo Bonifazio, que venceu três etapas, a 2ª, 6ª e 8ª. Luca Paolini completou com vitória na 5ª etapa. Bonifazio apesar das três vitórias acabaria no 2ª posto geral, numa prova onde a Lampre venceu 4 das 9 etapas.

No geral, a temporada 2014 da Lampre-Merida, foi bastante discreta, os resultados mais relevantes foram: a vitória da geral de Rui Costa na Volta à Suiça, as duas etapas de Ulissi no Giro e as vitórias de etapa de Anacona e Niemec na Vuelta. Outro facto relevante, são o despontar de jovens corredores como: Bonifazio e Conti, sendo que o primeiro, impressionou e mostra-se como um corredor de grande futuro.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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