Guia da Volta ao Algarve 2020 (2.Pro)


A Volta ao Algarve ou como carinhosamente é tratada pelas gentes da região, Algarvia, é a prova portuguesa com maior prestígio lá fora. Apesar de não ser a mais importante e popular para os adeptos da modalidade em Portugal, para os ciclistas e equipas portuguesas, essa naturalmente é a Volta a Portugal.
Nos últimos anos, a Algarvia, tem trazido constantemente alguns dos melhores ciclistas do pelotão internacional e algumas das melhores equipas. A posição privilegiada no calendário e as condições climatéricas favoráveis, fazem com que as equipas estrangeiras escolham o Algarve para que os seus ciclistas ganhem ritmo, para enfrentarem as corridas mais importantes da época, que aparecerão mais à frente.
Em 2020, a prova comemora a sua 46ª edição. A primeira edição foi em 1960, entre 1962 e 1976 a corrida não se realizou, voltando em 1977. Nesse ano a prova foi ganha por Belmiro Silva, que curiosamente venceria por mais duas vezes, o que faz com que seja o recordista de vitórias à geral.
Os portugueses dominam a lista de vencedores, mas nos últimos 10/15 anos, com a vinda frequente dalgumas das melhores equipas, são poucos os vencedores portugueses. João Cabreira foi o último, em 2006.
Este ano, mais uma vez a lista de participantes não desilude.

História

últimos 10 vencedores
2010 Alberto Contador (ESP) Astana
2011 Tony Martin (GER) HTC–Highroad
2012 Richie Porte (AUS) Team Sky
2013 Tony Martin (GER) Omega Pharma–Quick-Step
2014 Michał Kwiatkowski (POL) Omega Pharma–Quick-Step
2015 Geraint Thomas (GBR) Team Sky
2016 Geraint Thomas (GBR) Team Sky
2017 Primoz Roglic (SLO) Team LottoNL-Jumbo
2018 Michal Kwitakowski (POL) Team Sky 
2019 Tadej Pogacar (SLO) UAE Team Emirates




Percurso

19/2 Etapa 1 - Portimão › Lagos (195.6 Km)
20/2 Etapa 2 - Sagres › Alto da Fóia (183.9 Km)
21/2 Etapa 3 - Faro › Tavira (201.9 Km)
22/2 Etapa 4 - Albufeira › Malhão (169.7 Km)
23/2 Etapa 5 (ITT) - Lagoa › Lagoa (20.3 Km) 
Total:  771.4 Km

Em relação às últimas edições a grande diferença é a colocação do contrarrelógio individual no último dia.
Percurso variado, além do contrarrelógio, há duas etapas para os velocistas e para os trepadores e a etapa que termina no Malhão, também se adequa aos puncheurs. Com as clássicas da primavera a chegar, espera-se que os classicómanos possam dar um ar da sua graça, mas a geral deverá ser discutida entre os voltistas.

Perfis
19/2 Etapa 1 - Portimão › Lagos (195.6 Km)

Subidas categorizadas
Km 62,7 - Picota (3ª Cat., 1.8 Km a 6.7%)
Km 78,1 - S.ta Luzia (4ª Cat., 289 m, 1.6 Km a 5.2%)

Dia para sprinters.

20/2 Etapa 2 - Sagres › Alto da Fóia (183.9 Km)

Subidas categorizadas

Km 49,3 - Marmelete (3ª Cat., 3.8 Km a 6.7%)
Km 161,8 - Alferce (3ª Cat., 2.1 Km a 6.4%)
Km 170,8 - Pomba (2ª Cat., 3.8 Km a 7.6%)
Meta - Fóia (1ª Cat., 7.4 Km a 5.9%)

Primeiro dia importante para a geral. São 4 contagens de montanha, com o final a ser na Foia, numa chegada marcada por um inicio complicado, com rampas acima dos 9%, ideal para fazer a primeira seleção a sério. A subida não tem pendentes muito elevadas sendo constante, na edição do ano passado, Tadej Pogacar mostrou-se ao mundo aqui.

21/2 Etapa 3 - Faro › Tavira (201.9 Km)

Subidas categorizadas
Km 63,4 - Portela da Corcha (3ª Cat., 4.2 Km a 4.5%)
Km 78,4 - Cachopo (3ª Cat., 4.0 Km a 5.5%)

Chegada a Tavira e como é tradição, deverá ser disputada ao sprint.

22/2 Etapa 4 - Albufeira › Malhão (169.7 Km)

Subidas categorizadas
Km 66,7 - Picota (3ª Cat., 1.7 Km a 7.0%)
Km 104,4 - Barranco do Velho (3ª Cat., 1.7 Km a 6.0%)
Km 133 - Alte (3ª Cat., 2.3 Km a 6.9%)
Km 146,7 - Malhão (2ª Cat., 2.5 Km a 9.8%)
Meta - Malhão (2ª Cat., 2.6 Km a 9.5%)

Este ano não fecha a prova, situa-se no penúltimo dia e antes do contrarrelógio, isso poderá ter influência no comportamento dos ciclistas, que se podem retrair mais, esperemos que não.
Duas passagens pelo Malhão, com a última a coincidir com o final da etapa. Subida curta, mas muito empinada, 2600 metros a 9,5%, que podem fazer diferenças importantes e decisivas.

23/2 Etapa 5 (ITT) - Lagoa › Lagoa (20.3 Km)

Contrarrelógio individual de 20 Km, o primeiro duelo do ano entre Remco Evenepoel e Rohan Dennis, que também pode ser  a luta pela vitória na geral.
Apesar de algum sobe e desce, este é um percurso para especialistas.

Startlist

Aqui

Favoritos

Geral 

Ineos
Apresentam uma equipa de luxo, com dois vencedores da prova, Kwiatkowski e Thomas. No entanto, nenhum deles ainda correu este ano e a forma com que se vão apresentar é uma incógnita. Rohan Dennis pelo contrário já tem quilómetros de competição nas pernas e este percurso é bastante simpático para o australiano, se limitar as perdas na Foia e Malhão, no contrarrelógio pode virar o jogo a seu favor.

Remco Evenepoel
Começou o ano a esmagar toda a gente em San Juan no contrarrelógio. Apesar de ter sido apanhado no vento na etapa rainha, mostrou um controlo anormal para um miúdo de 20 anos e venceu a prova com muita tranquilidade.
O contrarrelógio final beneficia-o e espera-se um duelo com Dennis nesse dia.

Rui Costa
Bom inicio do ano, ao vencer uma etapa na Arábia Saudita. Pareceu o mais forte, mas as bonificações e o terreno pouco seletivo das Arábias não permitiram que o poveiro acabasse no lugar mais alto do pódio.
No entanto, deixou bons sinais assim como a sua equipa neste inicio de 2020.

Miguel Angel Lopez
Dificilmente fará diferenças que lhe permitirão discutir a prova no contrarrelógio. Além disso a subida do Malhão é demasiada curta, o colombiano prefere subidas mais longas.
É a estreia na temporada, a sua forma também é uma incógnita.

Daniel Martin
Deixou muito boa impressão em Valência. No Algarve deverá andar pelos primeiros lugares na Foia e Malhão, mas o contrarrelógio vai penalizá-lo bastante.

Bauke Mollema
O holandês apesar de ter Vincenzo Nibali na equipa, deverá ser aposta da Trek-Segafredo para aqui. É também a estreia competitiva de Mollema em 2020, ele costuma iniciar as épocas relativamente bem, o percurso adequa-se às suas características, por essas duas razões, é um dos candidatos ao pódio.

Lennard Kamna 
Começou a temporada em excelente forma, depois de em 2019 ter dado o ar da sua graça em alguns momentos. É um grande talento e a sua versatilidade é um factor a ter em conta, capaz de aguentar na montanha e também é um bom contrarrelogista.

Tim Wellens
Ao contrário dos últimos anos, não começou a temporada em Maiorca. Será a sua estreia em 2020, é um dos ciclistas que melhor inicia as temporadas.
Se aguentar na Foia, então estará na luta pelo pódio. O Malhão em teoria é mais à sua medida e no contrarrelógio também deverá se defender relativamente bem.

Classicómanos 
As clássicas estão à porta e a lista de classicómanos presente é de luxo. Podem animar a corrida, aqui fica a lista: Greg Van Avermaet, Matteo Trentin, Max Schachmann, Jasper Stuyven, Philipp Gilbert, Dylan Van Baarle, Michal Kwiatkowski, Yves Lampaert e Stefan Kung  

Sprinters

Nos velocistas destaque para três nomes e um joker. São eles: 

Elia Viviani
O italiano quer estrear-se a ganhare em 2020 na sua nova equipa. Trás a artelharia pesada para o apoiar, Consonni e Sabatini.

Fabio Jakobsen
Estranhamente a Deceuninck-QuickStep não é a equipa com mais triunfos em 2020, Jakobsen tem aqui a oportunidade de mudar isso. Já ganhou em 2020 e é um dos sprinters mais poderosos da atualidade apesar da juventude.

Alexander Kristoff
O norugeguês vai entrar na sua parte favorita da época, que são as clássicas da primavera. A sua forma já tem de ser mais que decente. Mostrou-se em Valência e sobretudo em Almeria, onde apenas foi batido por Ackermann.

Mathieu Van der Poel
O prodígio holandês está no Algarve para rodar. O percurso não lhe é favorável, a Foia e mesmo o Malhão são demasiado duros para ele, as únicas etapas onde poderá estar na luta serão as dos sprinters.

Outros: Cees Bol, Davide Cimolai, Danny Van Poppel, Cesar Martingil, João Matias; Edward Theuns

Portugueses

João Almeida e Rui Costa são os únicos portugueses que representam equipas estrangeiras. Do poveiro já falamos, em relação a João Almeida, o jovem deverá ser um dos principais apoios de Evenepoel no terreno mais montanhoso.

Das equipas portuguesas, aquela que tem feito melhores resultados na prova nos últimos anos é a W52-FC Porto e este volta a ser aquela que se espera mais. Amaro Antunes e João Rodrigues são os nomes mais sonantes, correm em casa, são algarvios e a motivação é elevada.
O Aviludo-Louletano também corre em casa e tem Vicente de Mateos, que pela amostra que deixou em Murcia, está em boa forma, não é descabido se terminar no top-10.
O Tavira esteve em San Juan, não fizeram má figura, mas também estiveram longe de serem brilhantes, pelo menos uma parte dos ciclistas já tem rodagem na temporada de 2020, ao contrário por exemplo da W52-FC Porto. Frederico Figueiredo deverá liderar a equipa.
A Efapel esteve mais uma vez apagada na Colômbia. A expectativa não é elevada em relação à participação no Algarve, o alinhamento também não deixa muito espaço para esperanças. 
A Radio Popular-Boavista ganhou a provas de abertura através de Alberto Gallego, que atmbém estará no Algarve. Será interessante ver o que o espanhol faz na Algarvia, além dele, João Benta e David Rodrigues também estarão presentes, num alinhamento bastante interessante dos boavisteiros.
A Oliveirense, Miranda-Mortágua e a LA Aluminios são as equipas mais frágeis em prova, o objetivo passará por estar nas fugas e mostrar os patrocinadores.

⭐⭐⭐⭐⭐ Remco Evenepoel
⭐⭐⭐⭐ Rui Costa, Bauke Mollema
⭐⭐⭐ Lennard Kamna, Tim Wellens, Rohan Dennis
⭐⭐ Miguel Angel Lopez, Daniel Martin
⭐Amaro Antunes, João Rodrigues, Feliz Grossschartner, Vicente de Mateos, Geraint Thomas

A nossa aposta: Remco Evenepoel
Joker: Tim Wellens

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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