Guia da Volta ao Algarve 2019 (2.HC)


A Volta ao Algarve ou como carinhosamente é tratada pelas gentes da região, Algarvia, é a prova portuguesa com maior prestígio lá fora. Apesar de não ser a mais importante e popular para os adeptos da modalidade em Portugal, para os ciclistas e equipas portuguesas, essa naturalmente é a Volta a Portugal.
Nos últimos anos, a Algarvia, tem trazido constantemente alguns dos melhores ciclistas do pelotão internacional e algumas das melhores equipas. A posição privilegiada no calendário e as condições climatéricas favoráveis, fazem com que as equipas estrangeiras escolham o Algarve para que os seus ciclistas ganhem ritmo, para enfrentarem as corridas mais importantes da época, que aparecerão mais à frente.
Em 2019, a prova comemora a sua 45ª edição. A primeira edição foi em 1960, entre 1962 e 1976 a corrida não se realizou, voltando em 1977. Nesse ano a prova foi ganha por Belmiro Silva, que curiosamente venceria por mais duas vezes, o que faz com que seja o recordista de vitórias à geral.
Os portugueses dominam a lista de vencedores, mas nos últimos 10/15 anos, com a vinda frequente dalgumas das melhores equipas, são poucos os vencedores portugueses. João Cabreira foi o último, em 2006.
Este ano, mais uma vez a lista de participantes não desilude, com destaque para a presença de um leque de luxo de velocistas e classicomanos, de fazer inveja a qualquer prova do mundo.

História

últimos 10 vencedores
2008 Stijn Devolder (BEL) Quick-Step
2009 Alberto Contador (ESP) Astana
2010 Alberto Contador (ESP) Astana
2011 Tony Martin (GER) HTC–Highroad
2012 Richie Porte (AUS) Team Sky
2013 Tony Martin (GER) Omega Pharma–Quick-Step
2014 Michał Kwiatkowski (POL) Omega Pharma–Quick-Step
2015 Geraint Thomas (GBR) Team Sky
2016 Geraint Thomas (GBR) Team Sky
2017 Primoz Roglic (SLO) Team LottoNL-Jumbo
2018 Michal Kwitakowski (POL) Team Sky 

Edição 2018 (Top-10)
1    Michal Kwiatkowski (Pol) Team Sky    18:54:11   
2    Geraint Thomas (GBr) Team Sky    0:01:31   
3    Tejay van Garderen (USA) BMC Racing Team    0:02:16   
4    Bauke Mollema (Ned) Trek-Segafredo    0:02:22   
5    Bob Jungels (Lux) Quick-Step Floors    0:02:33   
6    Jaime Roson (Spa) Movistar Team    0:02:49   
7    Maximilian Schachmann (Ger) Quick-Step Floors    0:02:50   
8    Serge Pauwels (Bel) Dimension Data        
9    Felix Grossschartner (Aut) Bora-Hansgrohe    0:02:51   
10    Nelson Oliveira (Por) Movistar Team    0:02:54

Percurso

20/2 Etapa 1 - Portimão › Lagos (199.1 Km)
21/2 Etapa 2 - Almodôvar › Fóia (187.4 Km)
22/2 Etapa 3 ( CRI) - Lagoa › Lagoa (20.3 Km)
23/2 Etapa 4 - Albufeira › Tavira (198.3 Km)
24/2 Etapa 5 - Faro › Malhão (173.5 Km) 
Total: 778.6 Km

A edição deste ano em traços gerais, é bastante parecida com as últimos dois anos. Dois dias para os trepadores, com final na Foia e no Malhão. 
O contrarrelógio mantém-se em Lagoa, será um dia para os melhores contrarrelogistas fazerem diferenças importantes. As outras duas etapas são adequadas para os sprinters e os locais de chegada até são os mesmos dos últimos anos, Lagos e Tavira.

Perfis
20/2 Etapa 1 - Portimão › Lagos (199.1 Km)



Nos últimos anos, Albufeira tem sido o palco para os sprinters se exibirem na 1ª etapa da prova, em 2017 a organização decidiu variar, escolheu Lagos para a chegada, manteve-a em 2018 e não muda este ano É um dia ideal para os sprinters presentes em prova discutirem a vitória.  
A faltar 1200 metros para a meta, os corredores seguem em frente na rotunda e depois mais à frente noutra rotunda entram na Avenida dos Descobrimentos, onde fica a meta.

Sprints intermédios:
- Sao Bartolomeu de Messines (128 m, Km 54.3),
- Aljezur (14 m, Km 127.4),
- Vila do Bispo (76 m, Km 163.0).

Subidas categorizadas:
- Aldeia dos Matos (4ª Cat., 167 m, 2.4 Km @ 4.3%, Km 39.4),
- Nave (3ª Cat., 341 m, 5.9 Km @ 4.2%, Km 98.5).

Zona de abastecimento:
- (Km 103).

21/2 Etapa 2 - Almodôvar › Fóia (187.4 Km)


Tal como na edição do ano passado a Fóia aparece no segundo dia, esta é uma das etapas que terá impacto na definição da geral individual. Além da dureza do terreno, a extensão também impõe respeito, serão quase 190 quilómetros pela serra algarvia no inicio de temporada.
Os homens para a geral já se irão mostrar neste dia e um grupo seletivo irá disputar a etapa.

Sprints intermédios:
- Almodôvar (286 m, Km 30.8),
- Marmelete (471 m, Km 168.9).

Subidas categorizadas: 
- Cavalos (3ª Cat. 573 m, 13.2 Km @ 2.5%, Km 62.2),
- Pomba (2ª Cat., 505 m, 3.8 Km @ 7.7%, Km 151.1),
- Alto da Foia (1ª Cat. 885 m, 7.8 Km @ 6.1%, META).

Zona de abastecimento:
- (Km 95.4).

22/2 Etapa 3 ( CRI) - Lagoa › Lagoa (20.3 Km


Este é outro dos dias que poderá decidir muita coisa na geral. A luta contra o cronómetro disputa-se em Lagoa. O terreno é praticamente plano e o vento é um factor importante, já que o percurso desenrola-se bem perto da costa algarvia, se estiver a soprar forte os especialistas sairão beneficiados, enquanto os trepadores, mais levezinhos, serão prejudicados.

Pontos intermédios:
-  Carvoeiro (Km 5,7),
-  Caramujeira (Km 13,6)

23/2 Etapa 4 - Albufeira › Tavira (198.3 Km)



Depois da chegada no primeiro dia, os velocistas terão nova oportunidade, desta com chegada a uma das cidades mais tradicionais do ciclismo português, Tavira.
A decisão deverá ser ao sprint, com as equipas dos sprinters a controlarem a corrida para um final em pelotão compacto.
A etapa não é plana, mas também não tem uma dificuldade elevada, realizada pelo interior algarvio, ao longo da fronteira com Espanha até chegar à costa.

Sprint intermédios:  
- Loulé (168 m, Km 34.5), 
- Alcoutim (16 m, Km 132.1), 
- Castro Marim (2 m, Km 169.6).
Subidas categorizadas:  

- Barranco do Velho (3ª Cat., 491 m, 3.7 Km @ 4.5%, Km 54.3), 
- Pisa Barro (4ª Cat., 133 m, 2.0 Km @ 3.9%, Km 180.8).
Zona de abastecimento:  

- (Km 95.2).

24/2 Etapa 5 - Faro › Malhão (173.5 Km)




A derradeira etapa acaba como já é tradição no Alto do Malhão, que é a  subida mais utilizada da Algarvia. A romaria dos adeptos de ciclismo até esta subida já faz parte da história da prova. 
Serão 173.5 quilómetros, com os primeiros 60 completamente planos e os últimos 114 com muita montanha. Além da chegada no alto do Malhão, que é uma subida relativamente curta mas muito dura (contagem de 2ª categoria, com 2,5 quilómetros de extensão a 10%), a etapa conta com mais 4 subidas categorizadas, três delas de 3ª categoria e uma de 2ª (1ª passagem pelo Malhão), que tornam este dia, ainda mais duro.

Sprints intermédios:
- São Brás Alporte (Km 16.8),
- Barrosas (Km 127.6).

Subida categorizadas: 
- Picota (3ª Cat., 305 m, 2.4 Km @ 6.6%, Km 63.3),
- Alto da Ameixeira (3ª Cat., 458 m, 2.5 Km @ 4.7%, Km 99.6),
- Alto do Malhão (2ª Cat., 509 m, 2.7 Km @ 8.9%, Km 132.6),
- Vermelhos (3ª Cat., 472 m, 2.9 Km @ 5.4%, Km 153.2),
- Alto do Malhão (2ª Cat., 513 m, 2.7 Km @ 9.2%, META).

Zona de abastecimento:
- (Km 89.2).

Startlist

Aqui

Condições meteorológicas

Não se espera chuva para os próximos dias no algarve. As temperaturas rondarão os 14 e os 20 ºC, perfeito para a prática da modalidade. O vento pode ser um factor em alguns dias.

Favoritos

Geral 

Sky
No papel é a equipa mais forte com David De la Cruz e Wout Poels a serem os nomes que mais saltam à vista, principalmente o segundo que começou o ano muito bem no Tour Down Under. As clássicas da primavera estão a chegar e Dylan Van Baarle, Luke Rowe e Ian Stannard estão no Algarve para ganhar forma, o holandês já esteve bem na Austrália. 
Os jovens Dunbar e Tao Gheoghan Hart serão os escudeiros para a montanha. 
O percurso adapta-se a Poels, que pode aproveitar o contrarrelógio para ganhar tempo à maioria dos rivais diretos. É a nossa aposta.

Fabio Aru 
A equipa árabe começou bem a temporada e Aru tenta recuperar a sua melhor versão, depois de um 2018 para esquecer. Começou o ano relativamente bem em Maiorca.
O percurso para o italiano tem o problema do contrarrelógio, no entanto, tanto na Foia como no Malhão deverá estar entre os melhores.

Enric Mas 
A seu favor tem o percurso que lhe assenta bem. Contra, tem o facto de serem os primeiros quilómetros de competição em 2019 e não se sabe muito bem a sua condição.
Em condições normais e contra esta concorrência, mesmo sendo a primeira prova, é um dos favoritos a ganhar.

Sunweb
Pouco se viu a Sunweb na estrada em 2019, mas no Algarve a equipa alemã apresenta um alinhamento forte, com Sam Oomen e Sore Kragh Andersen a destacarem-se. O primeiro é um ciclista que pode estar entre os primeiros na Foia e Malhão e o segundo é um ciclista que no contrarelógio é temível.
De realçar a estreia no World Tour do campeão do mundo sub-23, Marc Hirschi.

Patrick Konrad
No papel é o homem da equipa alemã para a geral. Começou relativamente bem a temporada e deverá dar continuidade no Algarve.
A equipa também estará concentrado no apoio ao seu sprinter, Pascal Ackermann.


Edvald Boasson Hagen
O norueguês começou o ano em grande forma, ao vencer o contrarrelógio na Valenciana e dentro do top-10 da geral.
No algarve, deverá ser o grande favorito para o contrarrelógio e não será de todo descabido se conseguir estar perto ou mesmo dentro do top-10 final.

Sprinters

A quantidade de sprinters de qualidade presentes impressiona. O grande favorito para vencer as duas etapas é Dylan Groenewegen, que este ano já ganhou uma etapa, em Valência. 
Para o contrariar está a nova coqueluche alemã do sprint, Pascal Ackermann, recém vencedor da Clasica de Almeria.
Arnaud Démare regressa ao Algarve, também esteve presente na edição de 2018, onde o melhor que conseguiu foi um 2º lugar na 1ª etapa.
Fabio Jakobsen é a aposta da Deceuninck-Quick Step,  que tem a vantagem de ter um comboio bem oleado.
John Degenkolb também regressa ao Algarve, com Pedersen, Stuyven e Theuns no leadout, um poderoso conjunto para as chegadas ao sprint.
Christophe Laporte também começou o ano em grande forma, mas aqui a concorrência é muito forte. Ganhar vai ser dificil, mas estar entre os 10 primeiros nas duas chegadas ao sprint é possivel.
A UAE-Emirates tem Consonni e Philipsen, qual deles será o sprinter principal é a grande duvida.

Portugueses

Dos que competem por equipas estrangeiras, estarão presentes: 
Amaro Antunes teve um inicio de temporada muito dificil e tenta em casa voltar ao melhor. Este ano é o mais importante na carreira do Algarvia.
José Gonçalves, também teve um começo de ano complicado. Face ao que apresentou na Valenciana, não se espera um grande resultado do barcelense. Que nos surpreenda.
Ruben Guerreiro
Domingos Gonçalves estreia-se na Caja Rural no Algarve. Se estiver numa forma já interessante, pode fazer um bom resultado no contrarrelógio.

Das equipas portuguesas, a W52-FC Porto abriu a temporada em valência, onde esteve em evidência nas fugas, principalmente Raúl Alarcon. Edgar Pinto foi o melhor colocado na geral, mas  não estará no Algarve. A equipa deverá apostar novamente na presença em fugas e se Alarcon estiver melhor, pode ser homem para o top-10. 
O Sporting-Tavira apresenta um bloco interessante com: Machado, Figueiredo, Marque, Nocentini e Grigoryev, este último foi o melhor na primeira prova do ano da equipa, em San Juan na Argentina. Não era de estranhar se colocarem alguém no top-10.
A Efapel tem uma equipa interessante, mas duvidamos que consigam colocar alguém nos 10 primeiros. Estar em fugas para mostrar a camisola deverá ser o principal objetivo da equipa. O mesmo sucede com o Feirense, Oliveirense, Miranda-Mortágua e LA Aluminios.
O Louletano nos últimos anos tem obtido alguns resultados interessantes através de Vicente de de Mateos, este ano não será diferente, a aposta é no espanhol.

⭐⭐⭐⭐⭐ Wout Poels
⭐⭐⭐⭐ Enric Mas, Fabio Aru
⭐⭐⭐ Sam Oomen, Patrick Konrad, David de la Cruz
⭐⭐ Raul Alárcon, Edvald Boasson Hagen, Soren Kragh Andersen
⭐ Jose Goncalves, Amaro Antunes, Tao Geoghegan Hart, Ruben Guerreiro, Vicente De Mateos

A nossa aposta: Wout Poels
Outsider: Enric Mas

Seguir em directo: @VAlgarve2019#Valgarve2019
(a partir das 16H, todos os dias)
(a partir das 15:45, todos os dias)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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