Campeonato do mundo 2018, prova de fundo masculina - Antevisão


É a única competição de ciclismo que rivaliza com os 5 monumentos e com as grandes voltas. A prova de fundo de Elites masculinos é a mais esperada e a mais importante do programa. 
Desde 1927 que se disputa e a luta pela famosa camisola do 'arco-iris' é sempre intensa e é um dos símbolos mais desejados do ciclismo mundial. É o único símbolo no ciclismo que um ciclista usa durante um ano inteiro durante as provas, para ser bem identificável que estamos na presença do campeão do mundo de ciclismo de estrada. A camisola não é usada nos contra-relógios, onde apenas o campeão do mundo da especialidade é que a pode envergar nessa situação.
Ao longo da história foi ganha pelos maiores nomes do ciclismo mundial. Rui Costa é o único campeão do mundo português, conseguiu a proeza no mundial de Florença, em 2013.

História

Pódios desde 2000



Edição 2017 (Top-10)

Percurso

Kuftsein-Innsbruck, 265 Km

Um dos percursos mais duros de sempre dos campeonatos do mundo, ideal para os escaladores. São 265 quilómetros com cerca de 4670 metros de subida acumulada.
O percurso pode ser dividido em 3 partes:
  1. 90 Km iniciais
  2. Circuito curto
  3. Circuito longo
1ª parte: 90 Km iniciais 
 

Os primeiros 90 Km são marcados pela subida de Gnadenwald, que começa com 61,4 Km de prova e termina aos 64. Não é uma subida que decidirá muita coisa, mas que é o primeiro teste, quem não se encontrar bem aqui, muito provavelmente não conseguirá estar na luta.
A ascensão é curta mas dura, são 2,6 Km a 10,5% de inclinação média.


 2ª parte: Circuito curto

A partir do Km 90, os ciclistas entram no circuito curto que tem uma extensão de 23,9 Km, serão 6 voltas ao mesmo. A subida de Igls é a grande dificuldade do circuito, nas outras provas deste campeonato tem sido aqui que a prova tem sido decidida.
São cerca de 8 Km a 5,7% de inclinação média, com rampas de 10% entre os 4 e 6 Km de ascensão.

3ª parte: Circuito longo

O circuito longo também tem a subida de Igls, mas ao contrário das provas de juniores, sub-23 e femininas, os ciclistas ainda têm de subir um autêntico muro, o Holl (Gramartboden).
É uma subida infame, são 2,8 Km da 11,5% de inclinação média, com uma zona a 28%. Os últimos 8,5 Km contam com 6 Km de descida perigosa e técnica e os últimos 2,5 Km são planos.

Pontos-chave 

  • Subida de Igls (últimas duas passagens)
  • Subida ao muro de Holl (Gramartboden)
  • Descida de Holl

Startlist


Condições atmosféricas


Dia solarengo, com a temperatura a variar entre os 19 a 24º C. O vento soprará fraco/moderado de norte.

Favoritos

Principais blocos
França: Alaphilippe, Pinot, Bardet, Barguil, Roux, Gallopin, Molard e Geniez
É o bloco mais forte, com um líder, Alaphilippe e quatro ciclistas que podem ser o plano B são eles: Bardet, Pinot, Barguil e Gallopin. Tanta qualidade também pode ser negativo, já que gerir os Egos é uma tarefa sempre difícil. Roux, Molard e Geniez são ciclistas para serem utilizados mais para trabalho.

Holanda: Dumoulin, Kelderman, Poels, Kruijswijk, Mollema, Oomen, Tolhoek e Weening
Em termos de força, não deve muito à seleção francesa. Dumoulin teve uma temporada muito desgastante com Giro e Tour e no contrarrelógio mostrou não estar no melhor, mas o percurso é interessante para ele. Poels, Kelderman, Kruijswijk e Mollema são ciclistas que podem perfeitamente estar na frente. É uma das seleções com mais opções.

Espanha: Valverde, E. Mas, De la Cruz, Jesus Herrada, Fraile, I. Izagirre, Nieve, Castroviejo
O líder indiscutível é Valverde, toda a equipa trabalhará para ele. A seleção espanhola é forte com destaque para Enric Mas e Ion Izagirre, que fizeram uma boa Vuelta.

Colômbia: Uran, Sergio Henao, Sebastian Henao, M.A. Lopez, N. Quintana, Martinez, Anacona, Contreras
Uran é o ciclista que melhor se adapta a provas de um dia. Nairo Quintana esteve bem na prova que fez em Itália, mas não é fiável em rpovas de um dia, o mesmo se aplica a Lopez. Sergio Henao também podia ser uma opção para este percurso, mas a sua temporada foi muito fraca. 

Itália: Moscon, V. Nibali, Brambilla, Caruso, Cataldo, De Marchi, Pellizotti e Pozzovivo
Em condições normais e neste percurso, o líder seria Nibali. Mas a lesão que sofreu no Tour, a recuperação lenta e a forma fisica que mostrou na Vuelta, não dá para confiar no tubarão, mas sem nunca o descartar.
A aposta deve recair no ciclista que tem estado em forma, Gianni Moscon. Pozzovivo é outro que pode estar entre os primeiros.

Bélgica: Wellens, Benoot, De Plus, Hermans, Meurisse, Pauwels, Teuns e Van Avermaet
Praticamente todos os anos é um dos blocos mais fortes, mas este ano com o percurso duro, os belgas não têm um grande favorito. Mesmo assim, a equipa é de respeito, Wellens e Benoot devem ser as principais apostas. 
Greg Van Avermaet surpreendeu no Rio de Janeiro, nos Jogos Olímpicos, num percurso duro, mas este é ainda mais exigente e não é provável que consiga estar entre os primeiros.

Grã-Bretanha: S. Yates, A. Yates, Carthy, Stannard, Gheoghegan Hart, Knox, C. Swift e Kennaugh
A equipa britânica vale sobretudo pelos dois manos Yates. Gheoghegan Hart, Carthy e Kennaugh devem ser os apoios mais importantes neste percurso.

Eslovénia: Roglic, Mohoric, Spilak, Bole, Tratnik, Pibernik, Novak e Polanc
Roglic é um dos grandes favoritos depois de uma grande temporada e tem como apoio uma equipa interessante com Mohoric, Spilak e Polanc como principais nomes.

Polónia: Kwiatkowski, Majka, Golas, Bodnar, Owsian e Paterski
Kwiatkowski é o líder da equipa num percurso que é um pouco duro para ele, mas num dia bom pode estar entre os melhores. Majka terá liberdade. 
A Polónia só tem seis ciclistas, o que limita o controlo da corrida.


⭐⭐⭐⭐⭐ Julian Alaphilippe
⭐⭐⭐⭐ Alejandro Valverde, Primoz Roglic
⭐⭐⭐ Manos Yates,  Gianni Moscon, Rigoberto Uran 
⭐⭐ Tom Dumoulin, Romain Bardet 
Michal Kwiatkowski, Vincenzo Nibali, Thibaut Pinot

Outros: Wout Poels, Bauke Mollema, Patrick Konrad, Michael Woods, Daniel Martin

Portugueses
A equipa portuguesa será constituída por: Rui Costa, Rúben Guerreiro, Tiago Machado, Nélson Oliveira.
Dos quatro, apenas Rui Costa provou ser um ciclista capaz de lutar pelos primeiros lugares em provas com esta distância e dureza. O poveiro já foi campeão do mundo e fez pódio na Liège-Bastogne-Liège e Giro da Lombardia.

A nossa aposta: Julian Alaphilippe
Outsider: Rigoberto Uran


Seguir em directo: @ibk_tirol2018,
 (a partir das 10:45, hora Portugal continental)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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