'A matilha', a máquina de vencer!


Se há uma equipa no ciclismo mundial, que ganha tantas vezes que até parece fácil, é a Quick-Step Floors.
Desde 2012 que a equipa de Patrick Lefevere é a mais vitoriosa do World Tour, os números não mentem. Entre 2012 e 2017, a equipa conquistou o impressionante número de 330 vitórias, dá uma média de 55 por ano. Este ano, já levam 26 triunfos, por esta altura em 2017, a equipa belga tinha conquistado 23 triunfos, com 7 deles a serem de Marcel Kittel, ciclista que saiu para a Katusha-Alpecin. O facto do orçamento não ser dos mais elevados do pelotão World Tour, ainda realça mais o mérito da equipa.

Então, qual o segredo para o sucesso?

Não há propriamente um segredo, é mais um conjunto de factores que fazem com que a Quick-Step Floors seja uma equipa ganhadora. Identificamos três deles:
- Uma das coisas que não pode ser desmentido é o excelente critério de escolha dos ciclistas. Sabem escolher quem melhor assenta na equipa e que tipo de corredor querem de forma a suprirem pontos fracos.
- Conhecem os seus limites e definem bem os objetivos, sempre com os pés bem assentes na Terra. Por exemplo, sabem que não têm uma equipa para ganhar uma Grande Volta, então apostam em vitórias de etapas (em 2017, foram 16) e se possível tentam ter um corredor no top-10.
- Trabalham em equipa, autodenominam-se de "The wolfpack", em português, "A matilha". Começou como uma piada em 2012 no circulo interno dos corredores, até que começou a ser levada muito a sério. Para os responsáveis da equipa representa na perfeição a mentalidade da Quick-Step Floors, que até mandaram criar um logotipo para colocar em todos os veículos da equipa. O apetite voraz e a lealdade de uma matilha, faz com que a equipa belga seja temida por todo o pelotão.


 A herança

A Quick-Step Floors tem uma herança pesada. A equipa de Patrick Lefevere é a descendente direta de uma das melhores equipas de todos os tempos, a Mapei. 
A equipa italiana foi adquirida por Patrick Lefevere em 2003, passando a sede para a Bélgica. O espírito vencedor continuou o mesmo, principalmente nas clássicas flamengas, que ocuparam sempre um lugar especial na estrutura da equipa.

Tom Boonen 

Durante mais de uma década, o belga, Tom Boonen foi a grande figura da equipa, apenas Paolo Bettini tinha um estatuto parecido dentro da organização belga.
Boonen marcou uma Era no ciclismo, colocando o seu nome entre os grandes nomes na história da modalidade. Não se trata apena do número incrível de vitórias, mas também da forma como as conseguia.
Aliado a isso, tinha atrás de si uma equipa portentosa que o apoiava de forma incondicional e colocava-o onde ele queria para depois finalizar todo o trabalho da máquina belga.

O pós-Boonen 

Esta era a primeira temporada de clássicas do empedrado sem Boonen. À primeira vista a equipa parecia mais frágil, sem Tommeke.
Nada mais errado, a temporada de 2018 no pavé, mostrou uma matilha ainda mais faminta, coordenada e voraz. Venceram oito clássicas de pavé durante esta primavera, com o Terpstra a ser o mais ganhador com três, o jovem Fabio Jakobsen na sua temporada de estreia como profissional, venceu duas. Yves Lampaert, Álvaro Hodeg e Remi Cavagna venceram as restantes.
Além disso, Philippe Gilbert e Zdenek Stybar, apesar de não terem ganho, estiveram quase sempre entre os primeiros nas provas que participaram. Isto revela uma equipa que consegue ter diversas alternativas para os mais variados cenários, que lhes aumenta a probabilidade de vitória em provas tão imprevisíveis.

O futuro

Não sou bruxo se disser que esta continuará a ser a equipa a bater nas próximas primaveras e também se afirmar, que este ano voltarão a ser a equipa mais vitoriosa de todo o pelotão, estão no bom caminho.
Apesar de Gilbert, Terpstra e Stybar estarem acima dos 30 anos, a capacidade da equipa belga de identificar novos valores e de se regenerar tem sido inegável.
É provável que com maior ou menor dificuldade, as vitórias continuem a ser em número elevado, numa organização que tem um apetite insaciável e voraz pela vitória, como uma matilha.


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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