Relatório 2017 - Lotto Soudal


País - Bélgica
UCI WT  Ranking -13º

A Lotto-Soudal é uma das equipas mais velhas e icónicas do ciclismo mundial, apesar disso é uma das equipas com o orçamento mais baixo do World Tour. O ano de 2017 não foi muito diferente dos anteriores e o ranking final assim o reflecte. 
A grande novidade é a quebra de André Greipel, que venceu menos em 2017, no entanto a equipa belga conseguiu compensar e em traços gerais, foi um ano dentro das expectativas. 

Principal Figura - Tim Wellens

Foi o que contribui mais para as 25 vitórias da equipa, no total foram 7 vitórias em 2017 e sempre com o seu habitual estilo agressivo e que tornam as corridas interessantes.
É um ciclista que arrisca e não se conforma, coisa que faz falta no pelotão internacional, infelizmente há poucos corredores como Wellens neste aspeto.
Começou o ano em grande forma, com duas vitórias no Challenge de Maiorca e uma etapa na Ruta del Sol. Só em agosto voltou a ganhar uma etapa, aconteceu no BincBank Tour (terminou 2º na geral), apesar de ter tentado diversas vezes e também de ter tido problemas de saúde durante o Tour.
A parte final de 2017 foi muito boa, ganhou o GP Wallonie e venceu uma etapa e a geral da última prova do World Tour, o Gree-Tour of Guangxi

Desilusão - André Greipel

Em 2016 tinha conseguido 10 vitórias, em 2017 o número reduziu para metade. E também contrário dos últimos anos, o alemão não ganhou qualquer etapa no Tour.
Foi 7º no Paris-Roubaix, que é um excelente resultado para ele, mas tirando isso e a etapa que conquistou no Giro, foi um ano bastante abaixo das expectativas. 
Greipel está com 35 anos e é natural que haja uma quebra. A equipa belga, nos próximos anos, terá de encontrar alternativas para substituir Greipel no sprint.

Principais conquistas - 4 vitórias de etapa na Vuelta e 1 no Giro

As 5 vitórias nas grandes voltas, foram os grandes resultados em 2017 da Lotto-Soudal. Apesar de um Giro abaixo das expectativas, André Greipel acabou por amenizar ligeiramente as coisas, com uma vitória de etapa.
Na Vuelta, a equipa belga foi uma das figuras, com quatro vitórias de etapa. Tomasz Marczynski com duas vitórias foi um dos que marcou a prova espanhola. Sander Armée e o incansável Thomas de Gendt venceram as outras duas etapas.

Outros resultados relevantes - 5ª etapa do Paris Nice e 1ª do Critérium du Dauphiné

Das restantes vitórias, destaque para as conseguidas no Paris-Nice e no Critérium du Dapuphiné, duas das provas mais emblemáticas do calendário internacional.
No Paris-Nice, André Greipel ganhou a 5ª etapa ao sprint e no Critérium du Dauphiné foi a vez de Thomas de Gendt vencer isolado de forma brilhante a primeira etapa, depois de 160 quilómetros em fuga.

Melhor momento - Thomas de Gendt vence uma etapa da Vuelta

De Gendt é uma das figuras mais carismáticas do pelotão e é, por causa da sua natureza combativa. No Tour, esmagou o record de distância em fuga, uns impressionantes 1280 quilómetros, mas que não resultaram em nenhuma vitória.
Na Vuelta a história foi diferente, não teve em tantas fugas, mas conseguiu a tão ambicionada e merecida vitória de etapa..

Pior momento - Kris Boeckmans na Nokere Koerse

Quando faltavam cerca de 9 quilómetros para o final da Nokere Koerse, aparecem nas imagens Kris Boeckmans a agarrar o braço de Justin Jules, corredor da WB Veranclassic Aqua Protect e a puxá-lo para a cauda do pelotão, sem razão aparente. No final da prova os comissários foram falar com Boeckmans, porém, o ciclista belga continuou em prova e não levou qualquer castigo.
Mais tarde, o ciclista belga em declarações a um meio de comunicação belga, disse que quando estava a trabalhar para Jasper de Buyst, Justin Jules estava na sua roda a tocar-lhe no selim e a falar-lhe em francês, o que fez com que ele fizesse o que fez.
Um momento pouco feliz de Kris Boeckmans e de Justin Jules. Acontece a todos.

Revelação - Jasper de Buyst

O jovem belga em 2017 conseguiu 4 vitórias e deu sinais que pode vir a ser um ciclista importante no futuro na equipa.
Nenhuma das vitórias foram em provas do World Tour, todas elas foram em solo belga, no competitivo calendário do seu país natal. Será interessante perceber que tipo de corredor Jasper de Buyst irá se transformar, se num homem para o sprint ou então evolui para um ciclista mais virado para as clássicas.

Avaliação

Positivo
  • A temporada de Tim Wellens;
  • Jasper de Buyst deu sinais que pode ser um ciclista importante nos próximos anos;
  • Thomas de Gendt;
  • O record de Adam Hansen já vai em 19 grandes voltas terminadas consecutivamente.
Negativo
  • A temporada de André Greipel, apenas 5 vitórias;
  • A estagnação de Tiesj Benoot;
  • Ausência de um homem para a geral das provas por etapas; 
  • Clássicas da primavera.
Veredicto
Os números são um pouco melhores em relação a 2016, foram mais 4 vitórias e mais 17 pódios. Caso André Greipel tivesse realizado um ano idêntico aos anteriores, a equipa teria tido um desempenho melhor. Em 2017, o peso de Greipel nas vitórias da equipa limitou-se a 20%, um valor bastante mais baixo em relação a 2016 (48%), ver gráfico seguinte:


O número de vitórias no World Tour foi o mesmo, com 10. A única vitória na geral, apareceu já no final do ano na China, Gree-Tour of Guangxi, por Tim Wellens.



O facto da equipa ter subido um lugar, de 14º para 13º no World Tour, está reflectido também na diferença significativa de pódios, foram 17 a mais. Nem todos foram na categoria máxima, mas esta diferença também demonstra que a equipa belga conseguiu um aumento significativo de competitividade e a melhor notícia, é que já não depende tanto do seu sprinter, André Greipel.

Futuro

Em termos de saídas, a equipa belga ficará sem ciclistas muito importantes, como: Tony Gallopin, e Jürgen Roelandts. São duas grandes perdas, no entanto, Rafael Valls, Louis Vervaeke, Kris Boeckmans, Sean de Bie e Bart De Clercq, também são ciclistas com qualidade e que partirão para outros projetos.
Em relação a entradas, Victor Campanaerts e Jens Keukeleire são aquisições de peso. Principalmente Keukeleire, que deverá substituir Roelandts nas clássicas do pavé. Bjorg Lambrecht é um dos ciclistas belgas mais talentosos, um jovem para as provas por etapas.
A equipa parece um pouco mais frágil, porque perdeu muita gente com qualidade. 

Entradas: 
Victor Campenaerts (Team LottoNL-Jumbo)
Lawrence Naesen (WB Veranclassic Aquality Protect)
Jens Keukeleire (Orica-Scott)
Bjorg Lambrecht
Harm Van Houcke (Lotto Soudal U23)

Saídas: 
Tony Gallopin (AG2R-La Mondiale)
Jürgen Roelandts (BMC Racing)
Kris Boeckmans (Vital Concepts)
Louis Vervaeke (Team Sunweb)
Sean De Bie (Veranda's Willems - Crelan)
Rafael Valls (Movistar)
Bart De Clercq (Wanty-Groupe Gobert)

Extensões: Jelle Wallays, Jasper De Buyst, Maxime Monfort, Jelle Vanendert, Frederik Frison, Tomasz Marczynski, Sander Armee


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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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