Campeonato do mundo 2017, prova de fundo masculina - Antevisão


Os campeonatos do mundo são um dos momentos mais especiais de toda a temporada de ciclismo e a prova que simboliza toda a sua grandeza e simbolismo é a de fundo masculinos.
É a única competição de ciclismo que rivaliza com os 5 monumentos e com as grandes voltas. Disputa-se num dia e a sua imprevisibilidade é uma das suas principais características.
Ao longo da história, a prova foi ganha pelos maiores nomes do ciclismo mundial, desde 1927 que a prova se disputa e a luta pela famosa camisola do 'arco-iris' é sempre intensa e é um dos símbolos mais desejados do ciclismo mundial.
É o único símbolo no ciclismo que um ciclista usa durante um ano inteiro de provas, para ser bem identificável que estamos na presença do campeão do mundo de ciclismo de estrada. A camisola não é usada nos contra-relógios, onde apenas o campeão do mundo dessa especialidade é que a pode envergar nessa situação.
Rui Costa é o único campeão do mundo português, conseguiu a proeza no mundial de Florença, em 2013.

História

Campeões desde 2000



Edição 2016 (Top-10)
1 Peter Sagan (Slovakia) 5:40:43
2 Mark Cavendish (Great Britain)
3 Tom Boonen (Belgium)
4 Michael Matthews (Australia)
5 Giacomo Nizzolo (Italy)
6 Edvald Boasson Hagen (Norway)
7 Alexander Kristoff (Norway)
8 William Bonnet (France)
9 Niki Terpstra (Netherlands)
10 Greg Van Avermaet (Belgium)
Percurso

Rong-Bergen, 267,5 Kms

A beleza da região que circunda Bergen poderá ser apreciada na primeira parte do percurso, com cerca de 39,5 quilómetros de extensão até à entrada do circuito final.
As paisagens ao longo da costa norueguesa são de cortar a respiração, sem grandes dificuldades, onde os corredores poderão aquecer os 'motores' para o circuito em Bergen, num dia muito longo. As principais atracções desta parte do percurso são as pontes, principalmente a Rognesund e a Sotra, que impressionam.

O circuito final tem 17, 9 quilómetros de extensão e conta com o Monte Ulriken, como a principal dificuldade. A subida está situada sensivelmente a meio do circuito e são 1,4 quilómetros a 6,5% de inclinação média. Não é uma ascensão muito complicada, mas as 11 voltas que os ciclistas farão, certamente farão estragos, até porque cada volta conta com 263 metros de subida acumulada, o que dá no total das 11 voltas, 2893 metros.
Do topo do Monte Ulriken até à meta, há uma descida curta e terreno plano até final.
Mapa da primeira parte do percurso

Mapa e perfil do circuito

Startlist


Condições atmosféricas


Dia com algumas nuvens, no entanto, não se espera chuva durante a prova, a probabilidade é baixa. O vento irá soprar fraco/moderado (máx. 12 Km/h) de sul e a temperatura rondará os 16-17ºC.

Favoritos

***** 
Peter Sagan
Chega a Bergen como o grande favorito. O bicampeão do mundo tem a oportunidade de alcançar algo inédito, que é a proeza de ser três vezes campeão do mundo consecutivamente.
O eslovaco não teve uma boa temporada, não venceu nenhum monumento, a campanha da primavera foi uma desilusão e foi expulso da Tour. O mundial pode-lhe salvar a temporada.
O percurso é ao seu estilo, tanto pode decidir com um ataque na subida do Monte Ulriken, como pode ganhar no sprint, a sua versatilidade impressiona. 

**** 
Greg Van Avermaet
A equipa belga apresenta um conjunto cheio de estrelas. Van Avermaet pelo percurso será a mais provável aposta, no entanto as opções não se limitam a ele, até porque os belgas têm todas as armas para rebentar com a corrida, de forma a fazer uma seleção.

Michal Kwiatkowski 
Fez uma temporada impressionante, venceu a Milão-São Remo, Strade Bianche e fez um Tour extraordinário no apoio a Froome.
O polaco terá de atacar de forma a chegar isolado ou num grupo restrito. É um ciclista que finaliza bem num grupo seletivo, depois de uma distância tão longa como esta, como prova a vitória sobre Peter Sagan na Milão-São Remo.

Edvald Boasson Hagen
Está em grande forma e tem diversos fatores que jogam a seu favor. Um deles é conhecer muito bem as estradas onde se realizam este mundial e outro é que é um ciclista muito versátil, muito ao estilo de Sagan. 
Este ano voltou a ter capacidade de lutar com os melhores sprinters nas chegadas em pelotão, aproveitou a 'ausência' de Cavendish para ser o sprinter da Dimension Data.

Michael Matthews
Mais um ciclistas muito versátil, perfeitamente capaz de estar com os melhores neste tipo de percurso. É o líder incontestável da Austrália, num mundial em que já ajudou a sua equipa a sagrar-se campeã do mundo de contrarrelógio coletivo.
Este ano venceu a camisola verde e a cereja no topo do bolo era ser campeão do mundo.

*** 
Matteo Trentin
Quatro vitórias na Vuelta e uma exibição espantosa na Primus Classic tornam-no como uma dos favoritos a este mundial. A sua seleção é juntamente com a Bélgica as maiores fortes no papel, com ele, Colbrelli, Ulissi, Bettiol, Moscon e Viviani, opções para todos os gostos e para todos os tipos de corrida.
Trentin é também um ciclista versátil, capaz de atacar de longe, é também capaz de vencer ao sprint.

Philippe Gilbert
Voltou ao seu melhor na primavera, onde proporcionou um dos melhores momentos da temporada, a vitória na Volta à Flandres depois de 50 quilómetros em solitário.
Para vencer terá de atacar de longe e se há corredor que é capaz de o fazer é, Philippe Gilbert. A sua ponta final também muito boa, principalmente quando está em grupos pequenos, foi dessa forma que bateu Michal Kwiatkowski na Amstel Gold Race.

Julian Alaphilippe
Ele e Tony Gallopin devem ser as grandes apostas da França, que abdicou dos sprinters (Demare, Bouhanni e Coquard). 
O francês é um dos ciclistas mais agressivos da atualidade, capaz de mexer com a corrida de longe, é isso que ele terá de fazer. 
Não compete desde a Vuelta, onde venceu uma etapa.

** 
Tom Dumoulin
Já não bastava estar a fazer uma temporada de sonho, neste mundial já leva duas medalhas de ouro, com destaque para o arraso que deu a todos adversários no contrarrelógio individual.
Está em grande forma, mas para vencer terá de atacar de longe de forma a seleccionar ou a isolar-se. Se se apanhar sozinho na frente, torna-se um sério candidato ao ouro.

Tim Wellens
A previsão meteorológica dá pouca probabilidade que ocorram aguaceiros, mas pode acontecer. Se a chuva aparecer, Wellens torna-se num dos favoritos, é um dos melhores ciclistas a correr com chuva e reforça ainda mais a força da Bélgica.
Se não chover, Wellens deverá trabalhar em prol da equipa, sem nunca deixar de espreitar uma oportunidade.

Diego Ulissi
Está em boa forma, venceu o GP Montreal e foi segundo no Memorial Pantani. A Itália tem diversos corredores que podem vencer e sobretudo tem a vantagem de ter corredores que se podem adaptar a diversos cenários.
Ulissi é um ciclista atacante, que raramente trabalha para outros, colocando sempre os objectivos pessoais à frente dos das suas equipas, por isso, não será surpresa vermos um ataque dele.
De recordar que ele foi campeão mundial júnior duas vezes, em 2006 e 2007.

Alexander Kristoff
O percurso apesar de estar longe de ser muito duro, pode ser demasiado para um ciclista como Kristoff. A Noruega deve apostar em Boasson Hagen, que é mais versátil.
No entanto, se a prova for abordada de forma passiva e não for endurecida, o norueguês torna-se num sério candidato.

Fernando Gaviria
No ano passado, na sua estreia o azar acompanhou-o, teve de abandonar bem cedo a prova. Este ano, o percurso é mais duro e tudo depende da forma como será abordada a prova. 
O colombiano apesar de ser um sprinter é também um ciclista bastante atacante e não é de estranhar se nos últimos quilómetros tentar algo, para chegar isolado. 

Outros: Sonny Colbrelli, Gianni Moscon, Rigoberto Uran, Tony Gallopin, Rui Costa, Zdenek Stybar, Petr Vakoc, Tony Martin, Michael Valgren

Portugueses
A equipa portuguesa será constituída por: Rui Costa, Ricardo Vilela, Tiago Machado, Nélson Oliveira, Ruben Guerreiro e José Gonçalves.
Não há uma aposta deliberada, embora Rui Costa, pelo seu passado, é aquele que parece ser a aposta mais fiável. Nenhum deles é um sprinter clássico, porém, José Gonçalves pode finalizar bem num grupo restrito. 
A distância longa pode fazer estragos em alguns, com Rui Costa, Tiago Machado e Nélson Oliveira a serem os mais testados neste tipo de distâncias.


A nossa aposta: Peter Sagan
Outsider: Philippe Gilbert

Seguir em directo: @Bergen2017#Bergen2017
 (a partir das 9:05, hora Portugal continental)


Também pode interessar:

Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

Sem comentários:

Enviar um comentário