Destaques do Giro d'Italia 2015

Alberto Contador com o troféu do Giro (na imagem)

Alberto Contador
Tem de estar nos destaques positivos, Contador esteve sempre atento aos acontecimentos, tentou controlar a corrida e apenas na 20ª etapa fraquejou, mas a sua experiência, permitiu-lhe gerir e não entrar em desespero, no final,acabou com uma boa vantagem.
Contador mostrou-se muito forte, sobretudo na etapa do Monte Berico, onde apenas foi batido por Philippe Gilbert, mas foi no contra-relógio que dinamitou os seus adversários e demonstrou ser o patrão do Giro. A outra etapa onde esteve particularmente forte foi a do Mortirolo, onde fez uma recuperação notável.
Oficialmente com este Giro, tem sete Grandes Voltas, é um dos grandes 'voltistas' da história do ciclismo.

Mikel Landa
Landa, venceu duas etapas, teve de ajudar e esperar Aru em algumas etapas e foi o único que fez duvidar se Contador seria o mais forte em prova.
Foi a grande revelação do Tour, a imagem de Landa a esperar por Aru no Mortirolo, ficará para a história. 
O basco demonstrou que no futuro é um dos homens a ter em conta para a alta montanha nas Grandes Voltas, certamente dará muito espectáculo. Caso Aru for ao Tour ajudar Nibali e ganhar calo na prova francesa, provavelmente Landa deverá ser o líder na Vuelta. Se Aru for à Vuelta, provavelmente poderemos ter Landa noutra equipa na próxima temporada.
O que é certo é que Mikel Landa em 2016 terá um contrato bem melhor.

Fabio Aru
Aru apenas está nos destaques positivos, pelas duas vitórias no final do Giro, até aí, não tinha sido brilhante o Giro do sardo. Aru chegou ao Giro como a grande aposta italiana, após uma primeira semana muito activo, a segunda semana foi bem mais complicada, apesar de tudo, beneficia de uma queda para chegar à camisola rosa.
No contra-relógio individual aconteceu o que se esperava, perde muito tempo para Contador, apesar de no inverno ter andado a treinar no túnel de vento da Specialized na Califórnia, o italiano nãoparece ter evoluído tanto quanto ele próprio esperava, no final mostrou-se desiludido.
O momento onde fraquejou mais foi no Mortirolo, onde o seu colega Mikel Landa esperou por ele e depois foi com Contador, roubando o segundo lugar a Aru, que depois recuperaria. Nessa mesma etapa o italiano apesar de ter passo por maus momentos, mostrou muito resiliência e nas duas etapas finais de alta-montanha recuperaria o segundo posto, sendo que as ordens da Astana também influenciaram tal desfecho.

Andrey Amador
Sem Nairo Quintana e Alejandro Valverde, a Movistar partia para o Giro sem um líder declarado. Beñat Inxausti era o melhor posicionado para ser o líder, até pelo dorsal a que teve direito. No entanto foi o costa-riquenho, que se destacou. Foi surpreendente o nível apresentado por Amador, conseguiu um brilhante um quarto lugar no final.
O costa-riquenho obteve o melhor resultado da carreira, posicionando-o como um dos homens da equipa espanhola para o futuro. 
Com 28 anos, Amador afirma-se como um ciclista capaz de realizar boas prestações em grande voltas.

Ryder Hesjedal
Com 34 anos, o canadiano partia para a sua prova favorita, como o líder da Cannondale-Garmin. Não desiludiu, fez uma terceira semana fantástica, recuperando muito do tempo perdido na primeira semana.
Hesjedal, vencedor do Giro em 2012, fez a sua melhor prova desde essa conquista, confirmando que é no Giro onde obtém os melhores resultados, não esquecer que em 2014 foi nono classificado.

Steven Kruijswijk
O holandês com um nome difícil de escrever, fez a sua melhor grande volta. Com 28, Kruijswijk, já tinha realizado um bom Giro em 2011, acabando em nono lugar no final. Este ano fez melhor, foi sétimo e realizou umas duas semanas finais fantásticas, sempre ao ataque e muito activo.
Foi um dos homens que deu mais espectáculo e dos mais combativos, tentou várias vezes vencer etapas, mas nunca conseguiu. Destaque para a etapa de Aprica, onde foi segundo atrás de Mikel Landa.

Philippe Gilbert
Gilbert chegava ao Giro com o objectivo claro de molhar o bico e foi alcançado, não uma mas duas vezes.
A chegada da 12ª etapa, ao Monte Berico, em Vicenza era ao seu jeito e confirmou-o. O arranque foi demolidor ninguém o conseguiu acompanhar era a primeira do belga, que bisaria na 18ª etapa na chegada a Verbania. Na subida do Monte Ologno fica para trás, mas recupera e chega-se ao da frente, onde ataca e vai-se embora, chega isolado à meta.
Gilbert com estas duas vitórias de etapa, contabiliza nove vitórias de etapa.

Lampre-Mérida
Foram quatro vitórias de etapas, apenas a Astana conseguiu mais. A equipa italiana, tem tido um ano 2015 com bons resultados e na prova em 'casa', a Lampre-Mérida não desiludiu.
Jan Polanc, Diego Ulissi e Sacha Modolo por duas vezes foram os nomes que deram vitórias à equipa. O que faltou foi alguém para a classificação geral, o melhor da Lampre-Mérida foi, Niemiec em 40º lugar.




Público
O comportamento do público italiano costuma ser bem melhor que no Tour, porém este ano, a situação que ocorreu na 6ª etapa foi inadmissível. Na reta da meta, no sprinter, uma pessoa do público decidiu fotografar por fora das barreiras de protecção, Danielle Colli, ciclista da Nippo-Vini Fantini, bate violentamente na máquina fotográfica, tendo lesões graves e levando a uma queda colectiva no pelotão.
Situações destas são uma desgraça para o ciclismo, as organizações podem tentar minimizar o risco de acontecer, mas acima de tudo, cabe ao público comportar-se de uma forma consciente e responsável.
O público da edição deste ano leva nota negativa.

Richie Porte
O australiano chegava ao Giro como um dos grandes favoritos, sobretudo porque estava a realizar uma temporada de sonho. A equipa apostava nele para líder e decidiu colocar à disposição dele uma motorhome, caso único no pelotão.
No entanto, depois de uma primeira semana onde apenas se limitou a seguir as rodas, de Alberto Contador e Fabio Aru, a coisa começaria a dar para o torto, quando na 10ª etapa quando perto do final fura e o seu amigo e compatriota da Orica-GreenEdge, Simon Clarke, dá-lhe a sua roda. Na estrada Richie Porte perde 47 segundos para o pelotão e é-lhe adicionado mais 2 minutos de penalização, por ter recebido uma roda de um ciclista de outra equipa.
Mas o calvário do australiano continuaria, na 13ª etapa vê-se envolvido numa queda antes dos 3 quilómetros, onde também esteve envolvido Contador. O australiano perderia mais tempo e no dia a seguir, numa das etapas onde poderia recuperar terreno, no longo contra-relógio individual, ainda perde mais tempo. Vindo a abandonar a prova no dia seguinte depois de chegar a cerca de 27 minutos do vencedor da etapa.
Foi talvez a maior desilusão, sem esquecer os azares que teve, também mostrou que mentalmente não aguentou as diversas adversidades.

Rigoberto Úran
Úran, era um dos favoritos e era porque nas últimas duas edições tinha ficado em segundo da geral. Mas a sua participação deste ano vai ser lembrada como uma enorme desilusão. Esta edição ainda tinha um contra-relógio à sua medida, mas nem isso salvou a prova do colombiano.
Problemas de saúde e uma queda na 11ª etapa, ainda atenuam um pouco a desilusão. Nas últimas duas etapas de montanha já se mostrou bem melhor, o que indica que Úran poderia ter feito muito melhor.

Tinkoff-Saxo
Este Giro fica marcado pela luta Contador contra Astana. Infelizmente a equipa do espanhol pouco apoiuo deu ao seu líder. Contador viu-se sempre isolado na alta montanha, nem Kreuziger, nem Rodgers e nem Basso foram capazes de dar o apoio necessário.
A equipa russa terá de elevar e muito o seu nível no Tour, para Contador ter hipóteses de vencer a prova francesa.
No Giro a equipa de Oleg Tinkov, foi uma autêntica desilusão.

Jurgen Van der Broeck
O eterno candidato a vencer alguma coisa, porém Van den Broeck nunca conseguiu vencer o que quer que seja. Tem alguns resultados interessantes, mas a promessa belga ao longo dos anos tem-se vindo a tornar na desilusão.
Com 32 anos, no seu currículo, a vitória mais importante é uma etapa do Dauphiné e um 4º e 5º lugar no Tour. Muito pouco para quem prometeu tanto.
Neste Giro mais uma vez desiludiu, não consegue fazer top-10 e nem sequer foi o melhor da sua equipa.
O belga este ano decidiu abdicar do Tour e concentrar-se no Giro e Vuelta. No seu primeiro objectivo, falhou rotundamente.



Davide Formolo
É a mais recente esperança do ciclismo italiano. Davide Formolo chegou ao Giro com algumas expectativas elogo na 4ª etapa, já estava a alcançar um deles. Vence a etapa de uma forma brilhante.
Na restante prova andou bastante apagado, acabou a prova como segundo da classificação da juventude.
Ficou no 31º lugar da geral, não se pode dizer que seja brilhante, mas para a primeira participação numa grande volta, não está nada mal.
Espera-se grandes coisas no futuro deste jovem italiano.

Giacomo Nizzolo
Nizzolo no ano passado foi segundo da classificação por pontos atrás de Nacer Bouhanni, este ano conseguiu vencer esta classificação.
Porém a grande falha de Nizzolo, contínua a ser que não consegue nenhum vitória da etapa, na sua quarta participação na prova, ainda não venceu qualquer etapa, é uma falha num sprinter.

Astana
A táctica da Astana durante este Giro, foi tentar quebrar Alberto Contador, jogando com os números.
A equipa cazaque isolava sempre o espanhol da Tinkoff, no entanto, depois não o conseguia fazer descolar. 
Venceram cinco etapas e conseguiram colocar dois homens no segundo e terceiro posto da geral, mas o objectivo era colocar Fabio Aru no lugar mais alto do pódio e isso não conseguiram. Fizeram um grande Giro, mas não conseguiram o que queriam.

Carlos Betancur
Desde quando não víamos Carlos Betancur num bom nível? Desde do Paris-Nice do ano passado. O Colombiano tentou várias vezes entrar em fugas e conseguiu, o problema é que depois no final perdia sempre o comboio.
No entanto vimos um Betancur em muito melhor forma e mais magro, são bons sinais para o futuro. Espera-se que o Colombiano não volte a ter problemas com o peso e que demonstre ser profissional. Se o fizer, certamente teremos Betancur no futuro a dar muito espectáculo na montanha, por enquanto, deu sinais encorajadores.

Ilnur Zakarin
Zakarin, é a nova estrela do ciclismo mundial. Apresentou-se ao mundo no País Basco e venceu na Romandia perante um pelotão de luxo. A única coisa que a maioria sabia é que tinha acusado positivo com 19 anos.
Não fez um Giro brilhante, mas o seu momento de glória apareceu na 11ª etapa, quando vence de forma impressionante. Na 20ª etapa ainda tentou, mas estoirou nos últimos quilómetros.
O russo de 25 anos, é para acompanhar nos próximos tempos.

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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