Fausto Coppi e o Giro da Lombardia de 1956!

A 21 de Outubro de 1956, disputava-se a 50ª edição do Giro da Lombardia. A temporada de Fausto Coppi não tinha sido brilhante, aliás, provavelmente foi a temporada mais fraca de toda a sua carreira e esta prova era a sua última oportunidade de salvar o ano.
A lista de participantes não o ajudava, entre eles: o novo campeão do mundo Rik Van Steenbergen, o jovem Rik Van Looy, Fred De Bruyne (vencedor de Milão-São Remo e Liége-Bastogne-Liége), Luison Bobet (vencedor do Paris-Roubaix) e o veterano que se retirava o final desta prova Fiorenzo Magni.
Coppi com 37 anos e depois da época que estava a realizar, estava longe de ser um dos favoritos a vencer a prova.

Coppi mexe na corrida
A corrida começa a um ritmo infernal, com vários ataques, no entanto o pelotão controla a corrida, onde os favoritos estão inseridos. Até que chega a subida a Madonna del Ghisallo, Bruno Monti e Albert Bouvet vão-se embora do pelotão, Diego Ronchini responde e passa no topo na frente.
Até que Fausto Coppi decide ir atrás dos da frente e na descida alcança Ronchini, para alegria do público Italiano. Os Kms passavam e os dois abriam lentamente a vantagem sobre o grupo de Fiorenzo Magni e Luison Bobet, que estavam num grupo que também se tinham adiantado. Apesar disso o grupo perseguidor não se entende e permite que um grupo atrasado recole, no grupo estava o Francês André Darrigade. À primeira vista não constituía um perigo, mas mais à frente iremos perceber o porquê de se destacar o corredor Francês, que era companheiro de equipa de...Diego Ronchini.

A amante de Fausto Coppi
A situação da corrida era extremamente favorável a Coppi, no entanto, algo inesperado acontece. Os carros de apoio de Coppi e Ronchini podem passar o grupo perseguidor e ao fazerem, a amante de Coppi, Giulia Ochinni, encontrava-se dentro do mesmo e gritou umas palavras a Fiorenzo Magni: "Fausto Coppi è il più grande"/"Fausto Coppi é o maior", seguido de insultos directamente dirigidos a Magni.

Coppi e a amante Giulia Ochinni
Apartir daí a situação de corrida altera-se por completo, Fiorenzo Magni, começa a perseguir os fugitivos de forma louca e obsessiva, não se importando se iria vencer a prova, o que lhe interessava era apanhar Coppi, era o mais importante para ele.
A 12 Kms da meta, os seus esforços dão frutos, Coppi e Ronchini são alcançados. Magni estava completamente desgastado, mas o seu objectivo estava alcançado. Coppi estava também bastante desgastado devido aos muitos Kms em fuga e no grupo estavam homens rápidos, o que complicava a missão de Coppi.

André Darrigade bate Coppi que sai em lágrimas de Vigorelli
No grupo estavam 18 homens, o desgaste já se fazia notar e até ao fim não houve ataques. O grupo entrou no velódromo de Vigorelli.
Coppi lança o sprint, consegue ficar na frente no entanto André Darrigade, mostra-se mais forte e acaba por o passar e vencer a prova por meia roda.
Magni faz 3º lugar, no entanto estava contente, já que o seu grande objectivo apartir do momento que foi insultado pela amante de Coppi era alcançado, ou seja, Coppi não vencer a prova.

Darrigade vence Coppi
Coppi ao ver-se batido por Darrigade, desmonta da bicicleta e não conseguiu se conter, sai em lágrimas do velódromo. Il campionissimo, já tinha vencido o Giro da Lombardia por 5 vezes, no entanto, esta seria a vitória mais importante na prova, muito por culpa da fraca temporada que tinha realizado.

Coppi sai a chorar
Anos mais tarde, Fiorenzo Magni, desculpou-se pela actuação que teve nesta prova, no entanto o que fica, é que no dia 21 de Outubro de 1956, a amante do Grande Coppi, provavelmente retirou-lhe a 6ª vitória na Lombardia e assinou umas das páginas mais tristes na história de um dos maiores campeões da história da modalidade.

  



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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

2 comentários:

  1. Espectacular artigo histórico. Parabéns!

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    1. Obirgado caro Eduardo! Um dia tem de escrever um artigo para aqui, como autor convidado, aceita?

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