Entrevista de Robert Millar: "Se Froome quer vencer o Tour de France, ele precisa de mudar"





"O vencedor de 2013 precisa melhorar as suas táticas e correr algumas clássicas "


"Na opinião geral parece que o Tour de France 2015 não é o mais adequado para Chris Froome e a maneira habitual da Team Sky  fazer as coisas. O vencedor de 2013 ainda está a decidir se alinha no arranque em Utrecht. 

Toda a gente parece estar a esquecer-se que Froome pode subir com os melhores quando ele precisa e a sua adaptação para melhorar as suas performances no contrarelógio tem sido um processo gradual, que tem afectado as suas habilidades de subida. 

Para colocá-lo em termos mais simples, ele trocou um pouco da sua explosão natural, para um julgamento melhor do tempo e tendo em conta os percursos anteriores do Tour de France, tem sido uma decisão sábia. Os cinco finais em montanha podem favorecer Alberto Contador, Nairo Quintana e Vincenzo Nibali, mas com uma mudança no seu programa de treino, Froome pode esperar uma melhoria na sua capacidade de lidar com as acelerações quando a estrada vai a subir. 

Quando se trata de treino, há muito tempo para corrigir e fazer alguns esforços específicos que ajudarão Froome a lidar com a forma como os outros vão jogar com ele. Quando se consegue andar a um ritmo alto todos os dias na montanha, então é muito difícil para qualquer um atacar.

A grande preocupação para a Sky está em fazer estágios no norte e nas suas tácticas depois. Ambos são os temas que têm sido apontados como pontos fracos da equipa. O problema com a táctica, ou a falta dela, tem sido bem discutido: nenhuma imaginação, apenas um plano, e nenhuma capacidade de adaptação, mas o Tour do próximo ano não permite uma abordagem míope na corrida para a Geral. 
Vão ter de haver algumas mudanças introduzidas na estratégia, como e quando qualquer ocasião surgir. Esta tem sido uma falha da equipa no passado, mas não é intransponível, só precisa de um pensamento mais lateral. 
A maior parte da primeira semana vai ser corrida num 'estilo clássico' e Froome ao longo da sua carreira não alinhou em muitas clássicas. Para sobreviver na Holanda, Bélgica e norte da França são necessárias um conjunto de habilidades muito diferentes. 
A menos que ele faça um curso intensivo de Clássicas na Flandres, ele não vai aprender o que é necessário. Nibali e Contador têm a capacidade de sobreviver, eles naturalmente vão andar perto da frente, podem manter a sua posição sem ter muito trabalho. Contador pode estar preocupado com o pavê, mas por outro lado, ele deve estar relativamente confortável no restante. 
Quintana não é fantástico no vento, mas pelo menos anda bem na chuva, o que é outro factor a considerar. 
O maior problema para a Sky estará em ensinar a Froome algumas das artes e ofícios tão amados pelos Belgas: pavimentos aos saltos, esquivar-se de mobiliário urbano, andar em rampas e estar no lugar correcto no pelotão. Froome não se pode dar ao luxo de continuar a perder cinco lugares nas curvas, as estradas não são muito largas na Bélgica e Holanda, portanto, é necessário lutar pela posição durante todo o dia. 
As etapas iniciais são um pesadelo quando se é um manipulador de bicicleta limitado. 
Ninguém com ideias sérias de lutar pela geral deste Tour se pode dar ao luxo de limitar-se apenas a provas por etapas e campos de treino para alcançar bons resultados em Julho. Eles terão de incorporar algumas clássicas de um dia e algumas delas terão de ser no Norte, no vento e na chuva. Não é agradável, mas é a única maneira de aprender."

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jdragon cycling team

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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