Guia Milão-São Remo 2020


Este sábado, disputa-se o primeiro monumento da temporada. A 'clássica da primavera' que este ano chega mais tarde, é também conhecida por Classicissima, sendo um dos dois monumentos que se corre em Itália, o outro curiosamente é tradicionalmente o  último da época, o Giro da Lombardia.
Como qualquer um dos cinco monumentos, é uma prova apaixonante, com muitas histórias épicas que fazem com que esta clássica lendária seja uma das mais desejadas por qualquer ciclista. É a prova mais longa do ciclismo profissional, com perto de 300 quilómetros (este ano supera).
O final na Via Roma em São Remo já faz parte da história da modalidade, foi nesta avenida que Eddy Merckx venceu todas as sete edições que conta no currículo.
Será a 111ª edição em 111 anos de existência, Eddy Merckx é o recordista com sete vitórias, seguido das seis vitórias de Constante Girardengo, quatro de Gino Bartali e Erik Zabel e três de Fausto Coppi, de Roger de Vlaeminck e Óscar Freire.
A Itália é o país com mais triunfos, 51 no total, seguido da Bélgica com 20 e a França fecha o pódio com 14.
É a 'clássica dos sprinters' e o palmarés prova o porquê dessa alcunha, é o monumento que mais se adequa aos puro sangue da velocidade.

História

últimos 10 vencedores
2010 Óscar Freire (ESP) Rabobank
2011 Matthew Goss (AUS) HTC–Highroad
2012 Simon Gerrans (AUS) GreenEDGE
2013 Gerald Ciolek (GER) MTN–Qhubeka
2014 Alexander Kristoff (NOR) Team Katusha
2015 John Degenkolb (GER) Giant–Alpecin
2016 Arnaud Dèmare (FRA) FDJ
2017 Michal Kwiatkowski (POL) Team Sky
2018 Vincenzo Nibali (ITA) Bahrain-Merida
2019 Julian Alaphilippe (FRA) Deceuninck-QuickStep


Curiosidades em números 
7: maior número de vitórias, por Eddy Merckx.
6: o número de vitórias do segundo mais vitorioso,Costante Girardengo.
4: o número de vitórias dos terceiros mais vitoriosos, Erik Zabel e Gino Bartali
5: o número de edições vencidas por um ciclista que vestia a camisola de campeão do mundo: Alfredo Binda (1931), Eddy Merckx (1972, 1975), Felice Gimondi (1974) e Giuseppe Saronni (1983)
5.46: tempo mais rápido da subida do Poggio, por Giorgio Furlan em 1994.
9.36: tempo mais rápido da subida da Cipressa, por Francesco Casagrande em 2001.
16: é o número de estreantes que venceram na estreia – o último foi Cavendish em 2009.
20: idade do vencedor mais jovem, Ugo Agostini na edição de 1914.
23: número de curvas da descida do Poggio.
36: idade do vencedor mais velho, Andre Tchmil na edição de 1999.
45: número de corredores que venceram isolados.
45.806: velocidade média (Km/h) mais alta numa edição, por Bugno em 1990.
51: número de edições ganha por italianos (os belgas surgem em segundo com 20).
109: número de edições até 2019.
175: participantes; 25 equipas com 7 ciclistas cada uma.
300: número de quilómetros se a zona neutralizada contasse.
1907: ano da edição inaugural, o vencedor foi: Lucien Petit-Breton (France & Peugeot).
1960: ano em que a subida ao Poggio foi introduzida no percurso.
1982: ano em que a subida a Cipressa foi introduzida no percurso.
2008: ano em que um corredor venceu isolado, o autor da proeza foi Fabian Cancellara, apenas 10 anos depois Vincenzo Nibali repetia a façanha.
20 000: será o prémio em Euros, para o vencedor da prova em 2019.

Percurso

Milão - São Remo (via Roma), 291 Km




O percurso da Classicissima pouco mudou nos últimos anos, com a pandemia, a organização foi obrigada a fazer pequenas alterações porque algumas localidades optaram por evitar ter provas desportivas para evitar aglomerações. Sendo assim, a edição deste ano terá 305  quilómetros de extensão, com as dificuldades a aparecerem na parte final, as subidas ao Cipressa e Poggio, em pano de fundo, a bela vista do mar mediterrâneo.
O Niella Belbo encontra-se a meio do percurso e o Colle di Nava 80 Km depois, nenhuma destas ascenções devem fazer estragos. A extensão e a parte final fazem a seleção, o vencedor terá de ser um ciclista suficientemente resistente e se acabar num sprint, também terá de ter uma explosão final para bater os adversários.
A edição deste ano não terá o 'tríptico de Capos' uma sequência de três subidas seguidas: Capo Mele, Capo Cervo e o Capo Berta.  É na Cipressa onde se começa a fazer a seleção a sério, são 5,6 Kms com 4% de inclinação média, com uma rampa a 9%.


O topo do Cipressa fica a cerca de 21,5 quilómetros da meta, os ciclistas descem então e têm uma zona plana até ao inicio da subida do Poggio, que só é complicado porque encontra-se bem no final e o cansaço acumulado já pesa nas pernas. São 3,7 de comprimento a 3,7% de inclinação média, com uma rampa a 8%.
A linha de meta em São Remo, situa-se na famosa Via Roma, o posicionamento no pelotão é essencial na sequência de curvas para a esquerda e direta que dá acesso à reta.


Subidas relevantes:  
166.1 Km - Niella Belbo (13.3 Km a 3.5%)
236.6 Km - Colle di Nava (3.m a 2.9%)
284.6 Km - Cipressa (5.7 Km a 4.0%)
300.7 Km - Poggio di Sanremo (3.6 Km a 3.6%)

Meteorologia

Algumas nuvens na parte da tarde, mas sem chuva. Vento moderado de sudoeste, o que significa vento de frente na parte final.

Startlist

Aqui

Favoritos

Chegada massiva ou seletiva?
Esta é a principal questão, as últimas edições têm sido marcadas pela seleção no Poggio ao contrário do que era norma.
Com Van der Poel, Gilbert (à procura do Grand Slam dos monumentos), Nibali, Alaphilippe, Van Aert, Naesen, Kwiatkowski e Greg Van Avermaet, é natural que mais uma vez o Poggio seja atacado e haja seleção.

Julian Alaphilippe
Em 2020 mostrou muito pouco, mas em São Remo tem o orgulho em jogo, já que defende a sua coroa. A Deceuninck-Quick Step também não muitas alternativas para hoje, além dele, apesar disso temos algumas dúvidas sobre a sua condição.

Peter Sagan
É um dos poucos que pode ganhar nos 2 tipos de cenários, chegada massiva ou seletiva. Na Milão-Turim já esteve entre os primeiros e hoje seria estranho não estar. A sua consistência nesta clássica é notável, só lhe falta ganhar, será hoje?

Caleb Ewan
Se houver chegada massiva é o principal candidato. Desde o ano passado que é juntamente com Ackermann, o sprinter mais regular. A questão é que tipo de final a Lotto-Soudal pretende, é que a equipa belga tem Philippe Gilbert.

Philippe Gilbert
Só lhe falta este monumento para o Grand Slam e mudou-se para a Lotto-Soudal com esse objetivo. No ano passado foi uma peça fulcral na vitória de Alaphilippe, com a seleção que fez no Poggio, este ano só tem de se concentrar em si. Se houver seleção e ele estiver nela, a sua ponta final não é fraca neste cenário, antes pelo contrário.
 
Arnaud Démare
Vencedor em 2016, última edição com decisão em chegada massiva e chega este ano em grande forma, a Milão-Turim mostrou um Démare renovado e no bom caminho. No entanto, o problema é controlar a corrida na Cipressa e principalmente no Poggio, a Groupama-FDJ não parece ter o necessário para o fazer.

Fernando Gavíria e Alexander Kristoff 
A UAE conta com 2 cartas para o sprint final, o problema é que não conta com nenhum homem capaz de seguir os ataques no Poggio. 
Gaviria está em boa forma e se a decisão for ao sprint, ele é um dos fortes candidatos, já Kristoff é um especialista neste tipo de extensão, por isso não será de espantar se estiver na luta no final.

Sonny Colbrelli
É uma das esperanças italianas. Colbrelli é um ciclista completo, que passa bem subidas como a Cipressa e o Poggio, mas também consegue disputar sprints com os homens mais rápidos.

Michael Matthews
O australiano é um ciclista diferente, perdeu potência, mas passa muito melhor as subidas, por essa razão teria de ser uma corrida seletiva para ele conseguir ganhar. Prefere seguir rodas do que tomar a inciativa e por isso veremos que roda vai seguir no Poggio, se é que vai conseguir. Competiu muito pouco este ano e não sabemos o seu atual estado de forma.

Michal Kwiatkowski, Greg Van Avermaet, Oliver Naesen
Este trio de luxo só terá hipóteses de ganhar se atacarem a corrida na Cipressa+Poggio. São ciclistas muito parecidos uns com os outros, que em grupos seletivos costumam fechar bem e além disso são muito ofensivos o que torna a corrida muito dificil de controlar por parte das equipas dos sprinters.


⭐⭐⭐⭐⭐ Wout Van Aert
⭐⭐⭐⭐ Peter Sagan, Caleb Ewan
⭐⭐⭐ Julian Alaphilippe, Mathieu Van der Poel, Arnaud Demare
⭐⭐ Michal Kwiatkowski, Greg Van Avermaet, Philippe Gilbert, Oliver Naesen
⭐ Michael Matthews, Giacomo Nizzolo, Matteo Trentin, Sam Bennett, Sonny Colbrelli

A nossa aposta: Wout Van Aert
Joker: Julian Alaphilippe

Seguir em direto: #MilanoSanremo, #MSR, @Milano Sanremo

Eurosport 1 (a partir das 14:50)


Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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