Purito e o emprego de sonho

Joaquim Rodriguez, mais conhecido no ciclismo por Purito, tinha anunciado em julho, durante o Tour, que 2016 seria o seu último ano, como ciclista profissional.

No entanto nos últimos 2 meses alguns rumores começaram a circular, de que o catalão poderia voltar com a decisão atrás e passaria a correr pela nova equipa do Barhain. A equipa árabe precisa de pontos para que a sua licença World Tour possa se tornar realidade e nada melhor que ter Joaquim Rodriguez na equipa, ele que dá os pontos necessários para que isso aconteça.

A última prova de Rodriguez com a Katusha foi o seu 'querido' Giro di Lombardia, conta com duas vitórias no seu palmarés.


Purito na hora de anunciar o final de carreira
Os rumores foram-se intensificando até que dia 20 de outubro, confirmou-se que a equipa do príncipe Nasser Bin Hamad Al Khalifa garantiu o catalão para 2017. Até aqui tudo bem, nada de anormal, um ciclista, deixou-se aliciar pelo dinheiro. Os ciclistas como qualquer desportista, têm um período da sua vida curto que são muito bem pagos (falo dos profissionais de topo), ou seja, têm de aproveitar as melhores oportunidades (€€€) para garantir um futuro mais estável e seguro para si e sua família. É uma situação comum no desporto como em outra área e foi isso que fez Joaquim Rodriguez.



Nestes últimos 3 dias também se foram sabendo alguns detalhes sobre este acordo. Um deles, é que Rodriguez terá total liberdade para escolher as provas em que irá participar. Basicamente é o sonho de qualquer ciclista, até aqui tudo muito bem, apesar de não ser uma situação nada normal no ciclismo. 
O problema foi que hoje, o ciclista nas redes sociais disse o seguinte:


Isto quer dizer, que ele muito provavelmente não fará qualquer corrida em 2017. Ele foi contratado apenas e só para que a equipa árabe ficasse com os pontos WT dele. A isto chama-se: comprar uma licença WT. Esta equipa estava tão desesperada, que foi capaz de contratar alguém que provavelmente não irá competir em 2017, só para estar na 1ª divisão mundial do ciclismo. 
Será que isto é justo? Será que é isto que queremos do ciclismo?
Tudo bem, o dinheiro comanda praticamente tudo, mas não podemos 'destruir' a essência de uma modalidade por causa dele. São os campeonatos mundiais no Qatar, são provas a passarem à categoria WT sem o merecerem, é o percurso do Tour constantemente a ser uma miséria, etc.
A UCI e as entidades organizadoras têm de parar e pensar bem qual o rumo que deve levar o ciclismo. 

Quanto a Joaquim Rodriguez, não vou julgá-lo, no entanto, não acho que seja a melhor maneira de abandonar o ciclismo, fica-lhe mal. Desta forma não, caro Purito.



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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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