Guia do Paris-Roubaix 2016

A rainha das clássicas, a clássicas das clássicas, o inferno do norte, o infame Paris-Roubaix celebra este domingo a sua 114ª edição.
A sua grandeza e misticismo é algo único no ciclismo mundial, que apaixona ciclistas e milhões de adeptos da modalidade. O Tour é provavelmente a única prova que concorre com o Paris-Roubaix em termos de popularidade com maior interesse mediático.
Desde 1896 que se corre a prova no norte de França, apesar de se chamar Paris-Roubaix, apartir de 1968 que a partida não sai de Paris, mas sim de uma cidade a norte da cidade Luz, Compiègne, que pertence à região de Picardie.

História
Não há prova igual a esta, é uma das mais antigas, criada em 1986, quando Théodore Vienne e Maurice Perez, que construíram o velódromo em Roubaix e propuseram ao editor da Le Vélo, Louis Minart, a realização de uma prova que começaria em Paris e terminaria no seu velódromo em Roubaix. Minart deixou a decisão final para o director da publicação, Paul Rousseau. A abordagem foi no sentido da prova ser de preparação para o Bordéus-Paris, uma das provas mais importantes dessa altura.
Paul Rousseau mostrou-se a favor da ideia e para definir o percurso, pediu ao editor de ciclismo Victor Breyer que o fizesse. Breyer foi reconhecer o percurso e chegou imundo e completamente de rastos a Roubaix, a intenção era enviar por carta uma recomendação a Minart para desistir da ideia, porém, tal não aconteceu e Breyer concordou em dar o seu aval à realização da prova. Definindo um percurso por meio de florestas, campos agrícolas e com muito pavé à mistura.
O primeiro vencedor da prova foi o alemão, Josef Fischer.

Desde daí a prova realiza-se até aos dias de hoje, apenas teve dois interregnos, durante a primeira e segunda grande guerra.
Em termos de vitórias, Roger de Vlaeminck e Tom Boonen são os recordistas com quatro vitórias. Aqui fica a lista dos mais vitoriosos:
4 - Roger De Vlaeminck, BEL
4 - Tom Boonen, BEL 
3 - Octave Lapize, FRA 
3 - Gaston Rebry, BEL 
3 - Rik Van Looy, BEL 
3 - Eddy Merckx, BEL
3 - Francesco Moser, ITA 
3 - Johan Museeuw, BEL 
3 - Fabian Cancellara, SUI

Roger de Vlaeminck, é conhecido por Monsieur Paris-Roubaix, nãosó pelas vitórias mas também pela quantidade de pódios, foram 9. Aqui fica a lista dos que fizeram mais pódios na prova:
9 - Roger De Vlaeminck, BEL
7 - Francesco Moser, ITA 
6 - Rik Van Looy, BEL 
6 - Johan Museeuw, BEL 
6 - Tom Boonen, BEL 
6 - Fabian Cancellara, SUI

A prova é francesa, mas é a Bélgica a grande dominadora da prova:
1 - Bélgica 55
2 - França 28
3 - Itália 13
4 - Holanda 5
5 - Suíça 4
6 - Irlanda 2
6 - Alemanha 2
7 - Luxemburgo 1
7 - Suécia 1
7 - Ucrânia 1
7 - Austrália 1

últimos 10 vencedores
2006 Fabian Cancellara (SUI) Team CSC
2007 Stuart O'Grady (AUS) Team CSC
2008 Tom Boonen (BEL) Quick-Step
2009 Tom Boonen (BEL) Quick-Step
2010 Fabian Cancellara (SUI) Team Saxo Bank
2011 Johan Vansummeren (BEL) Garmin–Cervélo
2012 Tom Boonen (BEL) Omega Pharma–Quick-Step
2013 Fabian Cancellara (SUI) RadioShack–Leopard
2014 Niki Terpstra (NED) Omega Pharma–Quick-Step
2015 John Degenkolb (GER) Giant–Alpecin

For some, it's only a dirt track. For us, it's the gate of hell.
Para alguns, é apenas uma percurso sujo. Para nós, é a porta do inferno.

Edição 2015

1 John Degenkolb (Ger) Team Giant-Alpecin 5:49:51
2 Zdenek Stybar (Cze) Etixx - Quick-Step
3 Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team
4 Lars Boom (Ned) Astana Pro Team
5 Martin Elmiger (Swi) IAM Cycling
6 Jens Keukeleire (Bel) Orica GreenEdge
7 Yves Lampaert (Bel) Etixx - Quick-Step 0:00:07
8 Luke Rowe (GBr) Team Sky 0:00:28
9 Jens Debusschere (Bel) Lotto Soudal 0:00:29
10 Alexander Kristoff (Nor) Team Katusha 0:00:31

Percurso
Compiegne-Clairoix > Roubaix (253,5 Km)
Paris-Roubaix é sinónimo de pavé, o primeiro surge aos 98,5 quilómetros e depois serão mais 26 sectores. Todos eles são avaliados de duas a cinco estrelas, definindo a dificuldade dos mesmos, com cinco estrelas significa que a secção é mais complicada e com duas estrelas quer dizer que o sector é mais 'fácil'. A definição da dificuldade é dado pela qualidade do pavé e extensão do sector.
Entre todos os sectores, destacam-se claramente dois: a mítica floresta de Arenberg, que este ano aparece ao quilómetro 158, é o sector 18 e o Le Carrefour de l’Arbre, que está na corrida ao quilómetro 236,5, sendo o sector que pode decidir a corrida, por estar tão próximo do final.

Perfil da prova

Sectores de pavé
27 Troisvilles (km 98.5 - 2200 m)***
26 Viesly (km 105 - 1800 m)***
25 Quievy (km 108 - 3700 m)****
24 Saint-Python (km 112.5 - 1500 m) **
23 Vertain (km 120.5 - 2300 m)***
22 Capelle-Ruesnes (km 127 – 1700 m)***
21 Quérénaing - Maing (km 133.5 - 2500 m)***
20 Monchaux-sur-Ecaillon (km 136.5 - 1600 m)***
19 Haveluy (km 149.5 - 2500 m) ****
18 Trouée d’Arenberg (km 158 - 2400 m)*****
17 Wallers - Hélesmes. dit « Pont Gibus » (km 164 - 1600 m)***
16 Hornaing (km 170.5 - 3700 m)****
15 Warlaing - Brillon (km 178 - 2400 m)***
14 Tilloy - Sars-et-Rosières (km 181.5 - 2400 m)****
13 Beuvry-la-Forêt - Orchies (km 188 - 1400m) ***
12 Orchies (km 193 - 1700 m)***
11 Auchy-lez-Orchies - Bersée (km 199 - 2700 m)****
10 Mons-en-Pévèle (km 204.5 - 3000 m)*****
9 Mérignies - Avelin (km 210.5 - 700 m)**
8 Pont-Thibaut (km 214 - 1400 m)***
7 Templeuve - Moulin de Vertain (km 220 - 500 m)**
6a Cysoing - Bourghelles (km 226.5 - 1300 m)***
6b Bourghelles - Wannehain (km 229 - 1100 m) ***
5 Camphin-en-Pévèle (km 233.5 - 1800 m)****
4 Le Carrefour de l’Arbre (km 236.5 - 2100 m)*****
3 Gruson (km 238.5 - 1100 m)**
2 Hem (km 245.5 - 1400 m)**
1 Roubaix (km 252 - 300 m)*

Startlist
Fonte: Procyclingstats


Favoritos

Fabian Cancellara

Será a despedida de um dos melhores de sempre neste terreno. Fabian Cancellara quererá vencer pela quarta vez, na sua última participação na raínha das clássicas.
Juntamente com Peter Sagan actualmente, são os dois melhores ciclistas em forma, como ficou demonstrado na Volta à Flandres no domingo passado. O suiço quer igualar o seu rival de vários anos, Tom Boonen e Roger de Vlaeminck, que com quatro vitórias são os recordistas de triunfos no Inferno do Norte.
Se vencer, escreverá mais um capítulo na sua extraordinária carreira e este será o último e logo na raínha das clássicas.

Peter Sagan

O campeão mundo está a passar o seu melhor momento. Com 26 anos, o eslovaco é o ciclista mais popular do planeta, uma autêntica rock-star, que apesar de ser campeão do mundo, faltava-lhe algo que era conquistar um monumento do ciclismo. Depois de vencer a Gent-Wevelgem, o eslovaco chegou à Volta à Flandres e esteve simplesmente brilhante, no final foi recompensado com a primeira conquista do tão desejado monumento.
Juntamente com Cancellara, são os dois grandes favoritos. Além de estar extraordinário a ler a corrida, consegue estar sempre nos movimentos decisivos, o eslovaco tem outro trunfo, o seu final, que lhe deu a vitória na Gent-Wevelgem.

Sep Vanmarcke

Nos últimos anos, Sep Vanmarcke é sem qualquer dúvida um dos melhores ciclistas neste tipo de terreno. Porém, tem falhado quase sempre alguma coisa, que lhe tem impedido chegar às vitórias.
Foi segundo classificado em 2013 atrás de Fabian Cancellara, sendo derrotado no sprint no velódromo. Em 2014 foi quarto e no ano passado foi 11º, o seu historial na raínha das clássicas nos últimos 3 anos, é muito bom, veremos se 2016 é o ano que consegue finalmente a vitória.

Luke Rowe

Foi o melhor elemento da Sky na última Volta à Flandres e também na edição do ano passado do Paris-Roubaix. Tem uma excelente equipa para o apoiar, com Ian Stannard a ser outro homem que tentará fazer um lugar de destaque.
Com 26 anos é um dos ciclistas mais talentosos para este tipo de terreno, este ano é sem dúvida um dos nomes a acompanhar. Será ele o primeiro ciclistas a vencer um monumento para a Team Sky?

Alexander Kristoff

Não está ao nível da temporada passada, onde venceu a Volta à Flandres. No entanto é sempre um homem a seguir, no último domingo na Volta à Flandres, foi 4º, chegando num grupo e vencendo o sprint, nada mau.
Os adversários terão de o eliminar na luta pela vitória, porque se o norueguês conseguir chegar no grupo que lutará pela vitória, é sem dúvida o grande favorito a conquistar o 3º monumento da carreira.

Lars Boom

Lars Boom é mais conhecido pela infame etapa de pavé da edição de 2014 do Tour. O holandês na Ronde mostrou estar bem, foi 11º e chegou no grupo de Kristoff. Na edição 2015, esteve às portas do pódio na raínha das clássicas, foi 4º e este ano é um dos favoritos.
O seu historial na prova não é tão extraordinário como o de outros, porém, em 2012 foi 6º, e tem mais três  top-20 no palmarés, no ano passado obteve o seu melhor resultado.
A Astana quando contratou o holandês, fez-lo a pensar no pavé e Boom tem mostrado que a aposta não foi em vão, apesar de ainda não ter ganho qualquer prova neste terreno.

Niki Terpstra

Niki Terpstra já está na ilustre lista de vencedores da prova, conseguiu esse enorme feito em 2014, quando chegou à meta isolado, na maior vitória da sua carreira.
A Etixx-Quickstep está a realizar uma temporada de clássicas muito fraca, longe de outros tempos, quando dominava. Apesar de ter alguns dos melhores para este tipo de provas a equipa belga tem aqui uma oportunidade de salvar a honra e Terpstra é uma das esperanças.

Zdenek Stybar

O checo é outro dos homens da Etixx-Quickstep, que podem lutar pela vitória. No ano passado foi 2º classificado, batido por Degenkolb no velódrome e vem de um 8º lugar na Volta à Flandres. 
De entre as possíveis apostas da equipa belga, Stybar é talvez o elemento em melhor forma, veremos se é desta vez que o ex-campeão do mundo Ciclocross consegue vencer o Inferno do Norte.

Jurgen Roelandts

Com a queda de Tiesj Benoot na Volta à Flandres e a incógnita de como o jovem belga se vai apresentar neste Paris-Roubaix, a Lotto-Soudal tem em Roelandts uma alternativa fiável.
Este ano já foi 3º na Milão-São Remo e na Volta à Flandres foi 17º, porém o belga nunca se impôs no Paris-Roubaix, o melhor resultado foi um 14º na edição de 2011. 
Espera-se que esteja muito activo durante a prova, como é habitual.

Tom Boonen

Juntamente com Roger de Vlaeminck, é o recordista desta prova. Não está num bom momento, no entanto, é sempre um nome obrigatório, a sua extraordinária história nesta prova faz com que seja sempre mencionado.
Não é um dos principais favoritos e ainda não se sabe se será a última edição que realizará, o seu futuro ainda é incerto e as últimas criticas por parte da equipa ao seu rendimento, augura que ou se retirará no final do ano, ou mudará de ares para o próximo ano.
Mas Boonen é Boonen, um dos reis do pavé, será que fará história e consegue o seu 5º Paris-Roubaix?

***** Peter Sagan, Fabian Cancellara
**** Sep Vanmarcke, Alexander Kristoff,  Zdenek Stybar
*** Luke Rowe, Niki Terpstra, Ian Stannard, Lars Boom
** Tom Boonen, Jens Keukeleire, Jurgen Roelandts, Tiesj Benoot
* Edvald Boasson Hagen, Daniel Oss, Edward Theuns, Jasper Stuyven

A nossa aposta: Peter Sagan
Outsider: Luke Rowe

Seguir em directo: Eurosport 1, #RideinHell, #ParisRoubaix, @Paris_Roubaix@radiotour_en


For some, it's only a stone
Para nós, é um troféu

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Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

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