Guia da Volta à Flandres 2016


Amanhã disputa-se o segundo monumento do ciclismo em 2015, é dia da mítica Volta a Flandres. Será a 100ª edição da prova principal da região mais que vive com mais paixão o ciclismo, a Flandres. É habitual ouvir ou ler que esta prova é a preferida deste ou daquele seguidor de ciclismo, porque realmente é uma das provas mais míticas e importantes que se realiza todos os anos.
Os seus inúmeros Hellingen's, que nós por cá traduzimos como subidas, colinas ou muros, com pavé à mistura e a quilometragem a rondar os 250 ou 260 quilómetros faz desta clássica, uma das mais duras do calendário velocipédico mundial.
São seis os ciclistas que partilham o maior número de vitórias na prova, com três vitórias cada um temos: Achiel Buysse (1940, 1941 e 1943), Fiorenzo Magni (1949, 1950 e 1951), Eric Leman (1970, 1972 e 1973), Johan Museeuw (1993, 1995 e 1998), Tom Boonen (2005, 2006 e 2012) e Fabian Cancellara (2010, 2013 e 2014).

Em termos de ranking de vitórias por país, o grande dominador é sem grande surpresas, a Bélgica:
1.Bélgica-68
2.Itália-10
3.Holanda-9
4.Suiça-4
5.França-3
6.Alemanha-2
7.Reino Unido-1
7.Dinamarca-1
7.Noruega-1       

A partida e a chegada tem variado ao longo da história da prova, até ao anos 70, a partida tinha sido sempre realizada da cidade de Gent, 
aqui ficam a diferentes variantes utilizadas ao longo dos anos:
1913-Gent – Mariakerke
1914-Gent – Evergem
1919–1923 Gent – Gentbrugge (Arsenal)
1924–1927 Gent – Gent (pista)
1928–1941 Gent – Wetteren
1942–1944 Gent – Ghent (pista)
1945–1961 Gent – Wetteren
1962–1972 Gent – Gentbrugge
1973–1976 Gent – Meerbeke
1977–1997 Sint-Niklaas – Meerbeke
1998–2011 Brugges – Meerbeke

História
Em 1913 a principal prova era a Volta à Bélgica, sendo que a Liège-Bastogne-Liège e as outras provas de um dia ainda não tinham atingido grande popularidade. A revista Sportwereld ao assistir à vitória de Odile Defraye na Volta à França de 1912, decidiu que era tempo de se criar uma grande prova na Flandres, Karel van Wijnendaele um dos fundadores da revista organizou a 1ª edição.
A Volta à Flandres desde cedo esteve fortemente ligada à identidade da Flandres, a intenção era concorrer e contrabalançar o domínio francês e da Valónia no ciclismo. Este facto, politizou a prova e fez com que uma grande parte das equipas francesas não participassem na mesma. Desta forma o pelotão não contou com os melhores corredores da época.
A primeira edição foi ganha por Paul Deman, num sprint de um grupo de cinco. No total participaram 37 corredores que iniciaram a jornada épica de 324 quilómetros, após Van Wijnendaele proferir a seguinte expressão: "Heeren, vertrekt!". Os primeiros completaram a prova em 12 horas, 3 minutos e 10 segundos.

últimos 10 vencedores
2006 Tom Boonen (Bel)  Quick Step-Innergetic
2007 Alessandro Ballan (Ita) Lampre-Fondital
2008 Stijn Devolder (Bel) Quick Step
2009 Stijn Devolder (Bel) Quick Step
2010 Fabian Cancellara (Swi) Team Saxo Bank
2011  Nick Nuyens (Bel) Saxo Bank-SunGard
2012 Tom Boonen (Bel) Quick Step
2013 Fabian Cancellara (Swi) RadioShack-Leopard-Trek
2014 Fabian Cancellara (Swi) Trek Factory Racing
2015 Alexander Kristoff  (Nor) Team Katusha

Edição 2015
1 Alexander Kristoff (Nor) Team Katusha 6:26:32
2 Nike Terpstra (Ned) Etixx - Quick-Step
3 Greg Van Avermaet (Bel) BMC Racing Team 0:00:07
4 Peter Sagan (Svk) Tinkoff-Saxo 0:00:16
5 Tiesj Benoot (Bel) Lotto Soudal 0:00:36
6 Lars Boom (Ned) Astana Pro Team
7 John Degenkolb (Ger) Team Giant-Alpecin 0:00:49
8 Jurgen Roelandts (Bel) Lotto Soudal
9 Zdenek Stybar (Cze) Etixx - Quick-Step
10 Martin Elmiger (Swi) IAM Cycling



Percurso 2016
Brugge - Oudenaarde (255 Km)
O percurso deste ano tem como ponto crucial a combinação Oude Kwaremont e Paterberg, sendo que a primeira abre as hostilidades com 103 quilómetros percorridos. O Paterberg será transposto por duas ocasiões, a segunda será a última subida do dia, enquanto que o Oude Kaaremont será por três.
A sequência de subidas, inclui, o Koppenberg, Steenbeekdries, Taaienberg e Kruisberg. A novida nesta 100ª edição é a inclusão do Berendries.
A primeira parte do percurso, ou seja os primeiros 100 quilómetros não tem dificuldades.

Mapa da prova



Perfil da prova (clicar na imagem para ampliar)

Aqui ficam as características das 18 subidas (Oude Kwaremont e Paterberg repetem):
Quadro com os muros e as suas caracetrísticas
Além dos sectores de pavé nas subidas, teremos outras secções de pavé em terreno plano, aqui ficam elas:
Quadro com outras secções de pavé

Meteorologia
Um dos factores que influenciam as clássicas da Flandres são as condições atmosféricas, porém este domingo as condições previstas é de um dia primaveril, com uma temperatura a rondas os 20 ºC.
O vento irá soprar de Sul (30 a 50 Km/h) o que implica que no:
- Oude Kwaremont estará de frente;
- Paterberg será lateral;
- Os últimos 15 quilómetros (planos) soprará de costas e lateral.

Previsão da direcção do vento durante a prova (Fonte: @ammattipyoraily)

Startlist



Favoritos

Fabian Cancellara
Ele e Tom Boonen venceram por 3 ocasiões a prova. No entanto o suiço, que está a realizar o último ano como profissional, tem vindo a demonstrar estar em grande forma, com vitórias nos contrarrelógios do Algarve e Tirreno-Adriático, vitória na Strade Bianche, no Challenge de Maiorca e com uma exibição antológica na E3 Harelbeke, aonde teve muito azar, mas conseguiu recuperar com um grande trabalho também da equipa. Na Gent-Wevelgem foi 4º, estando sempre nas movimentações decisivas e com uma equipa temível no apoio. Spartacus é o grande favorito nas casas de apostas e quem é que pode dizer o contrário?

Peter Sagan
O campeão do mundo chega à Volta à Flandres motivado e cheio de confiança depois de vencer na Gent-Wevelgem. Na E3 Harelbeke, ficou em 2º, o mesmo resultado que o vinha a assombrar este ano, Sagan estava sempre perto, mas por uma ou outra razão, não conseguia concluir no lugar mais alto do pódio, de referir que ao longo da sua carreira, já leva 80 segundos lugares. Impressionante.
A sua regularidade e capacidade de conseguir estar nas movimentações certas também faz dele um dos ciclistas mais temíveis. É sem dúvida um dos grandes favoritos, está em grande forma e esta é a oportunidade perfeita para arrecadar o seu primeiro monumento.

Greg van Avermaet
Um dos ciclistas em melhor forma, venceu o Tirreno-Adriático e a Omloop. Cancellara, Peter Sagan e ele são os maiores favoritos para vencer a prova.
Actualmente é um dos melhores ciclistas de clássicas do mundo, capaz de estar na luta tanto nas clássicas do pavé, como nas clássicas 'tipo Ardenas'. Tal como Sagan ainda não conquistou qualquer monumento e tem aqui mais uma oportunidade, no ano passado foi 3º. Em 9 participações tem 5 top-10, com 2 pódios, nas últimas 4 edições o pior que fez foi um 7º lugar em 2013.

Tiesj Benoot
Um dos ciclistas belgas da nova geração com mais talentoso. É muito versátil, com excelentes características para diversos terrenos e com especial apetência para as clássicas de pavé.
Na sua estreia no ano passado foi 5º classificado, este ano já foi 5º na E3, conseguiu estar no grupo que decidiu a corrida e esteve imperial nos sectores de pavé. Procura aqui a sua primeira vitória como profissional e nada melhor que fazê-lo na corrida 'de casa', num dos monumentos do ciclismo.

Sep Vanmarcke
Outro dos eternos favoritos a vencer a Volta à Flandres e o Paris-Roubaix, mais um ano e mais uma vez não podia faltar nesta lista. 
A Vanmarcke parece-lhe faltar sempre alguma coisa, um dos principais problemas do belga é que estando sozinho, tem a tendência de responder a tudo e todos, outro dos problemas é a sua falta de sorte constante, acontece-lhe sempre algo nos momentos decisivos.
Está em boa forma, foi 2º na Gent-Wevelgem e espera finalmente vencer o seu primeiro monumento.

Alexander Kristoff
Vencedor no ano passado, volta a ser um dos nomes a seguir. Não terá Luca Paolini no apoio, mas conta com uma equipa forte.
No ano passado decidiu a prova com Niki Terpstra, os dois fugiram no Oude Kwaremont e apartir daí, foi só trabalhar em conjunto com o holandês e no sprint não deu hipóteses. O norueguês terá de ser eliminado da decisão final, porque se conseguir chegar com os da frente, é o principal favorito a vencer pela segunda vez.

Niki Terpstra
Vencedor do Paris-Roubaix de 2014 e 2º classificado na Volta à Flandres no ano passado, o holandês da Etixx é um dos grandes especialistas no pavé na actualidade.
É um ciclista com uma personalidade forte, que neste ano de 2016 tem sido obrigado a sacrificar as suas ambições pessoais pela equipa, num ano que tem sido complicado para a equipa que tem falhado constantemente no seu terreno, que são as clássicas belgas. Este ano apenas ganhou na clássica Le Samyn, mas chega à Volta à Flandres e é obrigatório mencionar o seu nome.

Lars Boom
É o líder da Astana para estas clássicas e um dos homens mais fortes no pavé. Boom já andou pelo ciclocross, inclusive este ano, ou seja, neste terreno está como peixe na água.
A vitória na etapa do pavé na Volta à França de 2014, ainda está marcada na memória dos fãs de ciclismo. Apesar disso, o holandês ainda não venceu, nem pódio fez na Volta à Flandres e no Paris-Roubaix. Em 2016 procura o pódio e quiçá vencer alguma das duas e para isso concentrou-se exclusivamente nesse objectivo. Pelo o que mostrou na E3 Harelbeke, onde foi 6º, está perto da melhor forma.

Michal Kwiatkowski
Vencedor da E3 Harelbeke deste , o polaco chega à Volta à Flandres com ambições justificadas. Além de se mostrar em grande forma, tem uma equipa muito forte para o apoiar, com Rowe, Stannard e Geraint Thomas.
A única dúvida é se o ex-campeão do mundo consegue disputar a vitória numa prova tão longa e tão dura, se falhar a Sky deverá ter um plano B, com os outros 3 ciclistas mencionados anteriormente a serem alternativas de luxo.

Tom Boonen
Ele e Cancellara já venceram a prova por 3 ocasiões, o belga é um dos melhores de sempre no pavé, um dos nomes mais famosos do ciclismo belga.
Além das 3 Voltas à Flandres, tem 4 Paris-Roubaix e mais umas quantas clássicas, num curriculo de sonho. Em 2016 poderemos estar a assistir ao último ano de Boonen como profissional, num ano que marca o fim dos duelos épicos entre ele e o Spartacus, já que o suiço está a realizar o seu último ano no ciclismo profissional.
Não é dos principais favoritos a ganhar este ano, mas Boonen estando em prova é sempre um homem a vigiar, o estatuto que angariou faz com que seja obrigatória a sua presença nesta lista.

Zdenek Stybar
O ex-campeão do mundo de Ciclocross este ano venceu uma etapa do Tirreno-Adriático e foi 2º na Strade Bianche apenas batido por Cancellara. Está em boa forma e numa equipa muito forte, que este ano não tem estado nada bem nas clássicas belgas e que vai tentar rectificar.
No ano passado foi 9º na Volta à Flandres e 2º no Paris-Roubaix, num ano que provou definitivamente que Stybar está entre os melhores neste tipo de terreno. É sem dúvida alguma um dos grandes favoritos, a Etixx terá várias cartas e Stybar é uma das mais fortes.

***** Fabian Cancellara
**** Peter Sagan, Greg van Avermaet
*** Zdenek Stybar, Sep Vanmarcke, Tiesj Benoot, Niki Terpstra, Alexander Kristoff
** Tom Boonen, Lars Boom, Michal Kwiatkowski, Jurgen Roelandts
* Arnaud Démare, Edvald Boasson Hagen, Jasper Stuyven, Edward, Theuns, Ian Stannard

A nossa aposta: Fabian Cancellara
Outsider: Tiesj Benoot


Seguir em directo: Eurosport, #RVV, @FlandersCLnews, #flandersclassics 



Também pode interessar:

Bruno Dias

Adora ciclismo e tudo o que se relaciona com bicicletas. O mês de maio e julho são sagrados e tem um carinho pelas clássicas da primavera e pela Volta a Portugal. Ao longo dos anos aprendeu a apreciar a Vuelta.

Sem comentários:

Enviar um comentário